Monday, July 01, 2013

A tradição na hora de vestir - Primeira parte

Angola



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As Bessanganas ou "grandes damas de traje de panos", distinguem-se pelo seu modo tradicional de vestir. Elas vem da Ilha do Cabo ou Ilha de Luanda e são senhoras de boas famílias da velha sociedade de Luanda. 

Os seus trajes típicos são formados por um total de quatro camadas de panos essencialmente estampados e coloridos: mulele ua jiponda (peça interior) o mulele ua xaxi (pano trespassado cobrindo a parte superior), depois o mulele ua tandu (tecidos trespassados na parte inferior) e finalmente um pano conhecido como bofeta. Um pequeno pano enrolado na cabeça também faz parte da indumentária. Luanda está repleta de mulheres que dividem a rua entre trajes tradicionais e a indumentária mais moderna e globalizada. 

Brasil

Falar de um traje típico para todo o Brasil é uma tarefa impossível. As cinco regiões do país apresentam características bastante diversas que são muito influenciadas pelos imigrantes que se instalaram em cada um delas. Por exemplo, na região sul, a influencia alemã, italiana e japonesa é bastante marcante. No nordeste pode-se ainda sentir a influencia holandesa misturada com o caboclo e é claro a Bahia, o mais africano dos estados brasileiros com uma influencia tão forte especialmente na comida, danças, tradições, que há quem pense que está de volta à África. A região norte, que detém a maior parte da floresta amazonica, ainda vive sob grande influência indígena. 
Por isso, selecionamos somente dois exemplos de trajes típicos. Um da região sul, o traje gaúcho e um da região nordeste, a famosa baiana.

O Estado mais ao sul do Brasil, o Rio Grande do Sul é rico em cultura e história. Estas terras foram protagonistas da Revolução Farroupilha, que desafiou o Império em 1836 e criou uma república separada do Brasil durante 9 anos. A pecuária sempre foi uma grande fonte de renda para o estado famoso por seu churrasco e por isso escolhemos o traje gaúcho. 
Este é considerado traje oficial do Estado desde 1989, podendo ser usado em qualquer ocasião formal que ocorra no Rio Grande do Sul, desde que algumas recomendações na forma de trajar sejam cumpridas.

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O vestido da mulher ou prenda e a bombacha do homem constituem o traje tradicional do casal gaúcho. 
O vestido de prenda pode ser inteiro ou uma saia e blusa acompanhado ou não de um casaco. De acordo com a idade o modelo da saia pode variar. A blusa pode apresentar mangas com diferente comprimento que podem ser lisas, estampadas ou franzidas. Não se deve usar a cor preta, branca, nem combinações com as cores da bandeira do Rio Grande do Sul.
Os sapatos sim, são habitualmente pretos, brancos ou beges, com uma tira sobre o peito do pé. Os cabelos devem estar presos ou em tranças. 

A bombacha é um par de calças típicas apertadas no tornozelo. O termo foi adotado do termo espanhol “bombacho” que significa “calças largas”. O peão (homem gaúcho) apresenta-se trajado de bombacha, botas e lenço no pescoço. As bombachas são usadas de diferente modo conforme a região onde o gaúcho habita. Segundo as normas tradicionais a bombacha deve ser de cós largo, com dois bolsos grandes nas laterais e sem alças para a cinta. Nas ocasiões festivas as cores da bombacha devem ser claras e sóbrias e escuras nas ocasiões de viagens e trabalho. O lenço do pescoço é atado por um nó de oito maneiras diferentes e as cores mais tradicionais são o branco e vermelho.

Curiosidade: A mulher gaúcha é denominada prenda pois o termo significa algo precioso, valioso e insubstituível.
É desta gentil forma que o homem gaúcho se direciona ao seu par. 

O Estado da Bahia é o maior Estado do Nordeste do Brasil. Foi aqui que o Brasil começou com a chegada de Pedro Álvares Cabral em 1500. É o Estado que mantém mais forte as tradições africanas como é o caso das baianas.

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A roupa da baiana é uma indumentária tradicional usada nos terreiros de candomblé, uma das grandes religiões afro-brasileiras. Existem roupas de baiana para todas ocasiões. A roupa de ração é a roupa usada diariamente em uma casa de candomblé. São roupas simples feitas de morim ou cretone. Podem ser coloridas ou brancas, dependendo da ocasião. Compõem o jogo: saia (axó) de pouca roda para facilitar a movimentação, singuê (espécie de faixa amarrada nos seios que substitui o sutian), camisu ou camisa de mulata, geralmente branca e enfeitada com rendas e bordados, calçolão (espécie de bermuda amarrada por cordão na cintura, mais larga para facilitar a movimentação e proteger o corpo nos casos em que for necessário sentar no chão, e ainda o ojá que se amarra à cabeça.
A roupa de baiana é geralmente utilizada como roupa típica do Brasil em festividades por todo o mundo.
Cabo verde
Associado à história de Cabo Verde está o pano de terra ou panu di terra,
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um tecido típico feito artesanalmente em teares manuais fazendo cada peça única em seu estilo cor e formato. Esta irregularidade é a característica que garante a autenticidade.

Tradicional das ilhas de Santiago, Fogo e Brava, este tecido foi nos séculos XVI e XVII uma moeda de troca no comércio da costa africana, transformando a economia do país. Cabo Verde desenvolveu uma verdadeira indústria têxtil de fabricação destes panos longos e estreitos. As cores tradicionais eram o preto e o branco, no entanto, hoje, encontram-se pano de terra de todas as cores.



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Esta peça de vestuário é colocada em redor da cintura das mulheres, especialmente quando se dança o "batuko". Os homens também usam o pano de terra nas suas roupas.  
Como forma de preservar este ícone da cultura caboverdiana o parque natural de Serra Malagueta, localizada na ilha de Santiago promove formações para jovens em confecção do  pano di terra como forma de encontrar alternativas económicas sustentáveis para quem as produz e também como forma de promover o ecoturismo pela valorização deste símbolo da cultura caboverdiana.
Guiné-Bissau


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O povo guineense tem na sua história a arte da tecelagem.
A confecção de panos tradicionais por parte das várias etnias presentes na Guiné-Bissau atinge não só uma dimensão social, como económica e religiosa.
Os fulas, os mandingas, os manjacos, e os papéis são etnias que se destacaram no campo da tecelagem.
Os panos são tradicionalmente fabricados por homens através do algodão cultivado e tecido em teares manuais.

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Como exemplos há o pano baba-antigo, de confecção manjaca, feito de linhas pretas e brancas com quadrados em preto e pequenas figuras geométricas (rombos); o pano nkontcha, de confecção da etnia papel, feito de linhas brancas e vermelhas em tias verticais (paralelas), de 5 bandas com 20,5 cm de largura e 195 cm de comprimento; entre outros. Eram usados como peças de vestuário e, em cerimónias e dias festivos apresentavam cores mais exuberantes.

A fábrica de tecelagem tradicional, Artissal, com sede em Quinhamel (Guiné-Bissau), foi criada em 2005 com vista a manter viva a herança cultural da tecelagem guineense.





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