Friday, January 17, 2014

A Arte Moçambicana

Moçambique, assim como tantos países africanos, é extremamente rico e diversificado culturalmente. 

Destacamos aqui alguns exemplos da música, artesanato, pintura e literatura que nasceram ao longo de sua história e hoje marcam este país que é conhecido como a pérola do Adriático.


Começamos pela música, a marrabenta… um forte símbolo cultural nacional.

Bailarinas dançando Marrabenta
A marrabenta surgiu nos anos 50, no sul do país, mais particularmente em Maputo que na época era a cidade de Lourenço Marques. Naquele tempo, a cidade era reputada pela sua doçura e pelas orquestras que animavam as suas noites.

A marrabenta trouxe, ao longo dos anos, não apenas um ritmo animado e dançante para a região como também melodias de cunho social, retratando o cotidiano da cidade e contando os grandes eventos históricos de Moçambique.

Tradicionalmente, a marrabenta é tocada em acústica por um cantor masculino e acompanhada por um coro feminino. Hoje em dia, instrumentos modernos foram incorporados a este estilo musical.

A título de curiosidade, a palavra Marrabenta vem do verbo “rebentar” (“arrebentar”, em vernáculo local), numa provável referência às guitarras baratas cujas cordas rebentavam com facilidade.

Moçambicanos tocando Timbila
Entre outras manifestações musicais, destaca-se também o uso de um instrumento de percussão chamado Timbila.

A timbila é tocada pela etnia chope, da província de Gaza, sul de Moçambique e foi proclamada obra-prima do Património Oral e Imaterial da Humanidade pela UNESCO, em 2005. A timbila foi reconhecida pela sua complexidade sonora de natureza única e rara.  

As Batiks
O artesanato também é uma forte expressão artística desta região. Os famosos batiks – pinturas multicoloridas feitas em panos – não nos deixam mentir.

Os artesãos utilizam pincel com tinta, cera e métodos tradicionais para ferver e secar o pano para criarem suas belíssimas peças de arte. 
 Existem ainda o artesanato moçambicano de cestarias, cascas, barro e argila.




As tradicionais Capulanas
A arte de Moçambique pode ser vista até no vestuário do seu povo. A capulana, um tecido de Moçambique caracterizado pela riqueza das suas cores, é parte essencial do armário da mulher moçambicana.

A arte presente neste tecidos transforma as suas vestimentas em peças únicas. Ela pode ser vestida como saia ou ser usada para cobrir o tronco e a cabeça.

A capulana é muitas vezes vendida por vendedores ambulantes, embora haja lojas especializadas na venda destes panos. A variedade de cores e motivos constitui definitivamente uma característica da riqueza cultural do país.

Não podemos deixar de citar o criativo trabalho do artista plástico Cristóvão Canhavato. Cristóvão utilizou as armas usadas durante a guerra civil moçambicana como a sua matéria-prima e as transformou em peças de arte impressionantes. 
As famosas obras Trono de Armas e Árvore da Vida estão hoje expostas no Museu Britânico. Clique aqui para ler mais sobre este seu trabalho.

O Trono de Armas
A Árvore da Vida

Terra Sonâmbula
(Mia Couto)
Quanto a literatura moçambicana, esta é uma arte jovem no país. Mas, tem se desenvolvido muito nos últimos tempos. Dois nomes frequentemente reconhecidos nesta area são José Craveirinha e Paulina Chiziane. Esses autores apresentam uma importância singular para a cultura de Moçambique, uma vez que têm ajudado a construir uma identidade nacional. Mia Couto é um outro grande nome na literatura do país. Ele ajudou a compor o hino nacional moçambicano e foi o primeiro africano a vencer o prêmio União das Literaturas Românticas, recebido em Roma. Sua obra “Terra Sonâmbula” foi eleita um dos 12 melhores livros de todo continente africano no século XX. Saiba mais sobre Mia Couto aqui.


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