Monday, February 24, 2014

Simplificando......O Cancro

No mundo inteiro, milhões de pessoas vivem com o diagnóstico de cancro.
A investigação constante, numa área de intervenção tão importante como o cancro é, inquestionavelmente, necessária. Cada vez se sabe mais sobre as suas causas, sobre a forma como se desenvolve e cresce, ou seja, como progride. Estão, também, a ser estudadas novas formas de o prevenir, detectar e tratar, tendo sempre em atenção a melhoria da qualidade de vida das pessoas com cancro, durante e após o tratamento. No entanto, o básico desta temática por vezes "perde-se" por entre tanta informação.Este post visa simplificar informação de forma a que seja perceptível por todos.



O que é o cancro? Como tem origem o cancro?



Na divisão celular normal, cada célula “passa” por diversas fases de “preparação”, para que todo o processo decorra com normalidade.
Em condições normais, este é um processo ordenado e controlado, responsável pela formação, crescimento e regeneração de tecidos saudáveis do corpo.


As células "filhas" são, geralmente, menos especializadas do que as células normais a que correspondem; muitas vezes, embora conservem algumas características da célula normal de origem, são incapazes de desempenhar as mesmas funções desta.

Como as células cancerosas continuam a dividir-se mais depressa do que as dos tecidos vizinhos, formam uma massa volumosa e, através de um processo designado "infiltração", começam a "abrir caminho" por entre as células em seu redor.



No entanto, é importante perceber que nem todos os tumores dão origem a cancro.

Os tumores podem ser benignos ou malignos, sendo as principais diferenças:


Tumores benignos
Tumores malignos
Não são "cancro"São "cancro"
Regra geral não põem a vida em riscoPodem pôr a vida em risco
Podem ser removidos (salvo excepções)Podem ser removidos (salvo excepções)
Muitas vezes regridemPodem voltar a aparecer ou crescer (recidivas)
As células não metastizam (não há disseminação)As células podem invadir e danificar os tecidos e órgãos "vizinhos" e podem, ainda, libertar-se do tumor de origem (ou primário) e entrar em circulação - metastização à distância

O nome dado a grande parte dos cancros provém do tumor inicial ou de origem. Por exemplo, o cancro do pulmão tem início ou origem nas células do pulmão, enquanto o cancro da mama tem origem nas células da mama. O linfoma é um tipo de cancro com origem no sistema linfático; por seu lado, a leucemia tem início nas células brancas do sangue ou leucócitos.


Nesta etapa inicial, é muito importante haver envolvimento do seu médico do Centro de Saúde, tendo em conta que, regra geral, é aí que muitos casos são, ou deveriam ser, identificados.
Como tal, se o seu Clínico Geral identificar alguma alteração suspeita irá, então, dar continuidade ao processo, provavelmente através da realização de exames que permitam esclarecer a sua situação clínica; se tal for necessário, irá remetê-lo(a) para outros médicos especialistas (ex: cirurgião, oncologista, radioterapeuta, entre outros).

Para que possa ser feito o diagnóstico de um cancro, é necessário fazer uma biópsia, ou seja, recolher uma amostra do tumor e proceder à sua análise; só a análise do tecido tumoral – estudo anatomopatológico – permite determinar e concluir se a lesão corresponde ou não a cancro.

Existem diferentes tipos de alterações benignas e/ou pré-malignas das células:

O estudo anatomopatológico permite classificar e saber qual ou quais os tecidos e células das quais provém o tumor, e quais as características das mesmas. Estes fatores são fundamentais para determinar o tratamento mais adequado, caso a caso.
Desta forma, de acordo com o tipo de células envolvidas, existem vários tipos de cancro.

Algumas terminologias aplicadas aos tipos de cancro mais comuns são as seguintes:


Os dois principais tipos de linfoma são o Linfoma de Hodgkin e o Linfoma não Hodgkin.

É imprescindível ter presente que ao termo “cancro” correspondem mais de cem doenças diferentes, com diferentes causas, com diferentes factores de risco, com diferentes tratamentos e com diferentes prognósticos. Assim, sendo doenças tão afastadas entre si como são o cancro da mama e o melanoma, as leucemias e o cancro da próstata ou o cancro do cólon e os linfomas, têm, no entanto, um conjunto de características comuns que lhes conferem uma identidade própria, uma evolução semelhante, um significado biológico próximo.

De uma forma geral, as doenças oncológicas são caracterizadas pela existência de células anormais, crescendo de uma forma descontrolada, com a capacidade de invadir os tecidos vizinhos e de se distribuírem, por vezes, por locais distantes da localização inicial, originando as metástases à distância. Outra característica comum, e com bastante importância, é o facto de todas se denominarem neoplasias (de NEOS = novo + PLASIA = crescimento).

O nosso organismo é constituído por muitos milhões de células – unidades microscópicas; um conjunto de células forma um tecido que, por sua vez, forma os órgãos do nosso corpo.

Normalmente, as células crescem e dividem-se, periodicamente e de forma regular, para dar lugar a novas células.

No seu ciclo de vida, as células envelhecem, morrem e são substituídas por novas células, com a finalidade de manter a integridade e correcto funcionamento dos diferente órgãos.

No entanto, este processo ordeiro e controlado pode correr mal: formam-se células novas, sem que o organismo necessite delas e as células velhas não morrem “de acordo com o que estaria previsto”. Este conjunto de células “em excesso” forma um tumor.

No processo de divisão celular, cada célula “mãe” divide-se e dá origem a duas “células filhas”, de características semelhantes.



O processo de divisão celular é regulado por uma série de mecanismos de controlo, que “dão ordem” à célula para se dividir ou para permanecer estática (não se dividir), consoante as necessidades do nosso organismo. Como exemplo, temos as células superficiais da pele: como há um “desgaste” constante, as células subjacentes estão continuadamente a dividir-se, a um ritmo predeterminado e estabelecido, para poder haver substituição. Todo este processo é regulado por “mensagens impressas” nos genes, que se situam nos cromossomas.

Numa célula, quando estes mecanismos de controlo são ou estão alterados, as células perdem a capacidade de limitar e comandar o seu próprio crescimento iniciando, esta célula e as suas descendentes (células filhas), uma divisão descontrolada, com as células a dividirem-se e a multiplicarem-se muito rapidamente e de forma aleatória que, com o tempo, dará lugar a um tumor – massa formada pela divisão repetida de células anormais.

O cancro tem origem nas células, e é a consequência das células receberem mensagens "erradas", provenientes dos seus genes. A investigação molecular recente demonstrou que, por vezes, um gene que tem estado inactivo, nas células normais, por algum motivo entra em actividade e pode ser responsável por estas mensagens inadequadas. Estes genes “promotores” do cancro são designados "oncogenes".

Quando as células recebem a "ordem" de divisão "errada", podem acontecer várias coisas:

A divisão celular torna-se descontrolada: a célula cancerígena e as suas descendentes (células filhas) dividem-se mais depressa do que as células dos tecidos "vizinhos".


Ao fim de algum tempo, as células cancerosas que romperam o seu tecido, podem alcançar um vaso sanguíneo ou um canal linfático, onde pequenos grupos de células do cancro podem "soltar-se" e entrar em circulação, podendo "depositar-se" noutras partes do corpo, onde formam outro cancro - secundário (metástases): este processo tem o nome de metastização.

A palavra “cancro” permite identificar, de forma genérica, o vasto conjunto de doenças que são os tumores malignos. Estes são muito diversos, com causas, evolução e tratamento diferentes, para cada tipo de tumor maligno, mas tendo em conta uma característica comum: a divisão e crescimento descontrolado das células.



Quando as células tumorais "entram" nos vasos linfáticos ou nos vasos sanguíneos, entram em circulação e podem "colonizar" outros órgãos, mesmo à distância - significa que o tumor está metastizado. Neste caso, o "novo" tumor tem o mesmo tipo de células "anormais" do tumor primário.

Exemplo: Se as células de um cancro da mama metastizarem para o osso, as células tumorais encontradas no osso serão células de "cancro da mama" (tumor secundário) - estamos perante um cancro da mama metastizado e não um tumor ósseo primário, devendo ser tratado como cancro da mama.


Quando não é diagnosticado a tempo, o tumor pode "espalhar-se" pelo organismo - metastizar -, tornando o seu "combate" bastante mais complexo.



É possível prevenir o cancro?
O que é a prevenção primária e secundária?


Diminuir a incidência do cancro: aproximadamente 75-80% de todos os cancros podem ser atribuídos a factores externos que, de forma geral, nós podemos modificar e, como tal, diminuir o risco de desenvolver cancro.

Diminuir a mortalidade: conseguimos diminuir a mortalidade por cancro se detectarmos o cancro numa fase inicial ou precoce e se, por outro lado, forem utilizados tratamentos mais específicos e eficazes para cada tipo de cancro.

Na prevenção do cancro, podem ser consideradas duas fases essenciais, em que cada uma é demasiado importante e relevante para não lhe ser dada a devida atenção:

Prevenção primária: corresponde ao conjunto de acções desenvolvidas para modificar os hábitos menos saudáveis da população, e educar por outros mais adequados. Desta forma, conseguimos tentar evitar que os factores de risco actuem sobre um determinado órgão e provoquem alterações que possam degenerar em cancro.


Prevenção secundária: corresponde ao conjunto de acções dirigidas à detecção precoce de determinados tipos de cancro, através dos designados "programas de rastreio".



Quais os diferentes tipos de alterações celulares benignas?


Hiperplasia: corresponde ao aumento do número de células (que se dividem mais rapidamente do que o habitual) no tecido de uma área específica.

Metaplasia: corresponde à substituição de um tipo de célula por outra de localização diferente.

Displasia: corresponde ao desenvolvimento anormal de um tecido, devido ao crescimento de células alteradas; se deixarmos desenvolver esta situação sem qualquer tratamento, alguns casos de displasia podem evoluir para cancro.


Quais os diferentes tipos de cancro?


Carcinoma: é um tumor maligno que tem origem na membrana que cobre os órgãos, ou seja, nas células epitelilais. Aproximadamente 80% dos tumores cancerígenos são carcinomas.

Melanoma: é um tumor maligno que tem origem nas células que produzem a coloração da pele, ou seja, nos melanócitos. Quando detectado numa fase precoce, o melanoma é quase sempre curável. No entanto, é provável que se dissemine ou metastize para outras partes do corpo.

Leucemia: vulgarmente conhecido como o cancro no sangue. As pessoas com leucemia apresentam um aumento considerável dos níveis de glóbulos brancos (leucócitos).

Linfoma: tem esta designação por se tratar do cancro no sistema linfático. O sistema linfático é constituído por uma rede de gânglios e pequenos vasos, que existem em todo o corpo, e cuja função é combater as infe ções. O linfoma afecta um tipo específico de células – os linfócitos.

Sarcoma: tumor maligno com origem nas células dos tecidos de suporte, como o osso, a cartilagem, a gordura e os ligamentos.

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