Wednesday, May 07, 2014

Resistência a antibióticos

Publicado em 2014 o primeiro relatório global da OMS sobre a resistência a antibióticos que está deixando de ser simplesmente uma previsão para o futuro e tornando-se uma realidade em muitas partes do mundo e que pode afetar qualquer pessoa de qualquer idade em qualquer lugar.

penicilina G
A descoberta de antibióticos eficazes têm sido um dos grandes benefícios da medicina moderna. 

A penicilina foi descoberta em 1928 por Alexander Fleming por acaso. Mas com esta descoberta, permitiu o combate às infecções que mudou a história da medicina no século XX.

Depois da Penicilina muitos antibióticos foram sendo  desenvolvidos. Os antibióticos são usados para combater infeções causadas por bactérias, sendo ineficaz para outro tipo de infeções. O seu uso indiscriminado ou de forma errada tem contribuido para o aparecimento de germes super resistentes.  Neste ritmo e num futuro próximo, corre-se o risco de que uma pequena ferida ou infecções que têm sido tratadas durante décadas possam voltar a ser um problema.

Resistência a antibióticos leva a que as pessoas permaneçam doentes por mais tempo e aumenta o risco de complicações e de morte. Resistência também aumenta o custo dos cuidados de saúde, com o aumento do período de tempo de permanência no hospital e cuidados mais intensivos.

Principais pontos

A Klebsiella pneumoniae é um dos grandes agentes causadores de pneumonias e infeção por todo o corpo em ambiente hospitalar. Na infeção por K. pneumoniae foi identificado resistência a carbapenemos, o tratamento  de último recurso. Esta resistência já se encontra disseminado por todas as regiões do mundo, sendo que em alguns países, os carbapenemos não são eficazes em mais de metade das pessoas tratadas.


Fonte de imagem
A Escherichia coli é a bactéria mais comum causadora de infeções urinárias. Em 1980, as fluoroquinolonas foram introduzidas para o tratamento desde tipo de infeções. Desde então, a resistência progrediu de práticamente zero para o estado atual, em que em muitos países, os tratamentos não são eficazes em mais de metade dos pacientes tratados.

Antibiograma de Staphylococcus aureus
 multi-resistente
Combate à resistência
O relatório apresenta ferramentas para combater resistência a antibióticos, como sistemas para rastear e monitorizar a resistência. Outra forma, seria a de prevenir as infeções através da higiene, saneamento, vacinação e controlo de infeções em locais de cuidados de saúde, diminuindo assim a necessidade do uso de antibióticos. A OMS apela também à necessidade de desenvolver novas formas de diagnóstico, novos antibióticos e outras ferramentas que permitem que os profissionais de saúde andem sempre à frente do surgimento da resistência.

Como fazer frente à resistência:
Comunidade - Pode contribuir através do uso de antibióticos só quando prescritos por um médico.
Os pacientes devem tomar o antibiótico por todo o período de prescrição, mesmo que já se sintam melhor.
Nunca partilhar antibióticos ou usar restos de outras prescrições.

Profissionais de saúde – Melhorar medidas de prevenção e controlo.
Apenas prescrever e dispensar antibióticos quando estritamente necessários.
Prescrever e dispensar o antibiótico adequado para o tratamento da doença.

Decisores políticos – Reforçar capacidade laboratorial de seguir resistências.
Regular e promover o uso apropriado de medicamentos.

Indústria e também decisores políticos – Criar novas ferramentas para pesquisa e desenvolvimento, e incentivar à inovação.
Promover a cooperação e partilha de informação entre todos os envolvidos.


Para ler o relatório em inglês:
http://www.who.int/drugresistance/documents/surveillancereport/en/

Bibliografia:
http://www.who.int/mediacentre/news/releases/2014/amr-report/en/

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