quarta-feira, janeiro 28, 2015

30 de janeiro - Dia da Saudade

Saudade é muito mais que uma palavra. 

Sentida no presente remete-nos para um passado que foi e para um futuro que nunca será. Podemos considerá-la como uma palavra abstrata carregada de uma complexidade de sentimentos como tristeza, melancolia, angústia, desespero, tédio, nostalgia, esperança. Pode evocar memórias de realidades e pessoas que perdemos e que se perderam em nós. "É a dor de quem encontrou e nunca mais encontrará, de quem sentiu e nunca mais voltará a sentir".

Fonte da imagem

De acordo com um artigo do The Times The special words that are somehow lost in translation"
Saudade é uma das dez palavras que não são de língua inglesa, de mais difícil tradução. Todas as tentativas de tradução da mesma para outras línguas não conseguem definir, nem mesmo atingir o verdadeiro sentimento/significado de Saudade.

A Saudade pode ser considerada uma marca cultural daqueles que falam a língua portuguesa. Tem estado presente desde a época dos Descobrimentos e do Brasil colonial como expressão de solidão, de esperança, da melancolia causada pela lembrança e por memórias passadas encontrando-se associada à imensidão do mar.

Na literatura e na música em língua portuguesa, a temática Saudade é frequente. Através da cultura é possível expressar a intensidade do sentir Saudade. Podemos sentir, ler e ouvir a Saudade e o que transparece dela em muitos poetas e músicos da língua portuguesa. Alguns poemas de Conceição Lima, Vasco Cabral, Alda Lara, Mia Couto, Fernando Pessoa, Padre Jorge de Barros Duarte, Teixeira de Pascoaes, entre outros, tem na sua essência a Saudade.

No campo musical podemos ver a influência da Saudade no Fado, na Bossa Nova e na Morna. As quatro músicas que se seguem conseguem expressar e captar a beleza da palavra Saudade:



Madredeus - Ao longe o Mar 


 João Gilberto e Tom Jobim - Chega de Saudade (Tom Jobim (Música) e Vinicius de Morais (Letra))


Cesária Évora – Sodade

«É a esta sensação-sentimento de ardermos no tempo sem nele
nos consumirmos que propriamente chamamos “Saudade”»
Eduardo Lourenço


Fontes:

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