domingo, fevereiro 22, 2015

Os 7 Grandes Mitos da Língua Portuguesa

Vamos falar sobre alguns fatos pouco ou nada sustentáveis que se propagam como verdades sobre a língua portuguesa e a expressão humana. 


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Mito Número 1:

'Saudade' só existe na língua portuguesa

A palavra "saudade" não é particularidade da língua portuguesa. Porque derivada do latim, existe em outras línguas românicas. O espanhol tem soledad. O catalão soledat. O sentido, no entanto, não é o do português, está mais próximo da "nostalgia de casa", a vontade de voltar ao lar.

A originalidade portuguesa foi a ampliação do termo a situações que não a solidão sentida pela falta do lar: saudade é a dor de uma ausência que temos prazer em sentir. Mesmo no campo semântico, no entanto, há correspondente, no romeno, mas em outra palavra: dor (diz-se "durere"). 


É um sentimento que existe em árabe, na expressão alistiyáqu ''ilal watani. O árabe pode, até, ter colaborado para a forma e o sentido do nosso "saudade", tanto quanto o latim.


Mito Número 2:


A língua portuguesa está em decadência

A ideia de que todo idioma empobrece e degenera com o tempo ganhou apelo no século 19, quando cientistas passaram a crer que línguas antigas estavam num estágio avançado de desenvolvimento se comparadas às modernas. O estudo da estrutura das línguas mostrou que tal ideia não tem fundamento. 

A mudança linguística não representa degeneração ou melhoria, mas um processo pelo qual as línguas passam de um estado de organização a outro. 

Altera-se o modo como o sistema se configura, mas a organização não deixa de existir. As línguas não decaem nem progridem. Mudam.


Mito Número 3:

O português é difícil


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Nenhum idioma é complicado para o falante nativo. A "dificuldade" depende de muitas variáveis. 
Primeiro, podemos dizer que uma língua é mais fácil a um dado falante se o idioma a ser aprendido é mais próximo linguisticamente de seu idioma nativo. Os holandeses entendem e chegam a falar alemão e inglês devido à semelhança. 

Outro fator na "dificuldade" de um idioma é o sistema ortográfico. O russo é baseado no alfabeto cirílico, por sua vez baseado no grego, o que dificulta sua leitura. 


O polonês é mais "fácil" porque tem um alfabeto latino com algumas modificações, o que permite a decifração. O basco, o húngaro e o finlandês são todos difíceis devido à complexidade gramatical deles. Mas há línguas indígenas (brasileiras) e africanas muito complexas, com sutilezas e riqueza de expressão. 

A ideia de que o português é um dos idiomas mais difíceis não passa de mito. Tudo depende de contexto e interlocutor.

Mito Número 4:

Há línguas perfeitas

Um grande mito em relação às línguas é que, em algum momento, teria havido línguas perfeitas. Sua tradução quase diária é que teria havido, para cada língua, uma época em que ela foi melhor, em que se falava mais corretamente. 

A forma mais comum deste mito, no dia a dia, é a tese da decadência da língua. Os que defendem esta tese não sabem que ela é brandida desde sempre. 


Mito Número 5:

O português europeu é o mais correto


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Mito de origem colonialista. 
Torna fato que o português em outros países é corrompido, e a variedade original - portanto, de referência - é a de Portugal. 

Há diferenças de uso de país a país - e diferença não é deficiência ou inferioridade. O efeito prático dessa ideia é fazer os outros povos que usam a língua portuguesa sentirem-se em dívida ou desvantagem para com a tradição gramatical.



Mito Número 6:

Há línguas melhores do que outras

Cada situação de comunicação exige a sua variedade do idioma. Apesar disso, há a crença de que há variedades melhores que outras. A razão para que certas variantes de uma língua tenham mais prestígio é social, não tem relação com motivações linguísticas. Os grupos com maior domínio social impõem os seus valores e a sua forma de falar, defendendo que esta é a mais correta.

Mito Número 7:


A geração atual não sabe falar e escrever direito

A ideia de que os jovens já não sabem falar nem escrever de forma correta se intensificou com o receio disseminado pela propagação da internet. Mas não há constatação científica de que as crianças e os jovens não sejam tão bons em escrever comparados às gerações anteriores. Na verdade, é um equívoco confundir a transformação da língua com 'não saber escrever bem'.


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O avanço da pesquisa tem mostrado que muitas dessas verdades são de ouvir falar. Tome cuidado para não congestionar seu olhar sobre nossa língua portuguesa!


Bibliografia:

http://revistalingua.uol.com.br/textos/100/artigo304522-1.asp



Um comentário:

Anônimo disse...

Muito bem analisado! Ilda Januário