terça-feira, outubro 19, 2010

Série Escritores da Língua Portuguesa: Luís Cardoso de Noronha

LUÍS CARDOSO DE NORONHA

"Eu vivia numa ilha chamada Taurus, uma ilha mais pequena que o Timor, onde havia um desterrado político português - por oposição ao regime de [António de Oliveira] Salazar. Ele resolveu fazer uma padaria, o filho dele era meu colega. Meus pais não tinham dinheiro para comprar pão porque era um objeto de luxo. Os nativos, nós, os timorenses, comíamos batata-doce, mandioca... São essas coisas que faziam parte do nosso pequeno almoço (café da manhã).

Quando havia as redações, que se fazem nas escolas primárias, eu fazia sempre duas versões: uma versão pra mim e outra pra ele. Ele que era filho de português, e eu timorense. E como recompensa ele me dava um pão com manteiga. Foi assim, digamos, que passei a tomar o gosto de escrever em português"
(Luís Cardoso Noronha, em entrevista para a Editora Saraiva).




Nascido em 1959 em Cailaco, uma vila no interior de Timor Leste, Luís Cardoso cresceu falando uma mescla de calade, mambai e tétum. Depois de estudar em Dili, mudou-se para Portugal a fim de ingressar no Instituto Superior de Agronomia. Também estudou direito e depois ingressou no mestrado de políticas do meio ambiente.
Há aguns anos é professor de tétum.

Durante o período de ocupação indonésia, Luís vivia em Portugal e desenvolveu atividades políticas pró-independência e colaborou com a publicação de vários artigos e tradução de tantos outros. 

Até hoje está envolvido com movimentos associativos e culturais timorenses.

Crónica de uma Travessia é considerado o primeiro romance timorense e foi publicado em 1997. Foi traduzido para diversos idiomas incluindo o tétum.  Com uma narrativa cintilante, as palavras de Luis servem como instrumento de combate e resistência. 
Há nostalgia e registros por vezes trágicos da presença portuguesa na ilha e também o registro da invasão indonésia. Sua narrativa busca encontrar um destino - ou quiçá uma identidade - para Timor Leste.







Recomendamos:

- O artigo analítico "Luís Cardoso e a vivência da diáspora: nota sobre a literatura de Timor Leste", de Claudiany Pereira

segunda-feira, outubro 18, 2010

sexta-feira, outubro 15, 2010

quarta-feira, outubro 13, 2010

Série Escritores da Língua Portuguesa: Conceição Lima

CONCEIÇÃO LIMA



Após o ardor da reconquista
não caíram manás sobre os nossos campos.
E na dura travessia do deserto
Aprendemos que a terra prometida
era aqui.
Ainda aqui e sempre aqui.
Duas ilhas indómitas a desbravar.
O padrão a ser erguido
pela nudez insepulta dos nossos punhos.
(Descoberta, 1984)


Natural de Santana, São Tomé e Príncipe (1961), Maria da Conceição Costa de Deus Lima, ou Conceição Lima, surgiu no período pós-colonial como uma das principais poetas contemporâneas da África de língua portuguesa.

Com apenas 19 anos, a jovem poeta viajou a Luanda, Angola, para a 6a Conferência de Escritores Afro-Asiáticos. Cinco anos mais tarde, em 1984, renomou-se nacionalmente ao publicar o poema Descobertas em um caderno poético com outros 4 conterrâneos.

Após estudar jornalismo em Portugal, retornou à sua terra e trabalhou em diversos setores da mídia, fundando em 1993 o já extinto jornal independente semanal "O País Hoje".

Conceição Lima também estudou Estudos Afro-Portugueses e Brasileiros no King's College em Londres e Estudos Africanos na School of Oriental and African Studies (SOAS). Conceição Lima reside atualmente em Londres.

Apesar das diversas publicações de poemas em jornais, revistas e antologias de vários países ao longo dos últimos 20 anos, seu primeiro livro, O Útero da Casa, foi publicado em 2005.

"O Útero da Casa é um livro diferente. Obra de análise íntima, traz-nos por vezes a meia voz, através da saudade e da mitificação das coisas amadas, a cor e a alma da ilha mãe de São Tomé, a sua dengue beleza, sua viuvez, seus palmares, o cantar dos búzios, a casa (o útero) centro do mundo, presente e futuro. Alta, perpétua claridade, pedra de reunião.

Nestes versos em que se confrontam criaturas e lugares do outrora, que o tempo magnifica, com a nitidez do hoje, ouvimos a brisa nos canaviais, sentimos o odor do café e do cacau, vemos os ibiscos e o barro vermelho, o perfil da mesquita, a cidade morta, o mar.

"Lê-se a mátria na terra sensual, até na luz da fruta, no sangue da lua, nas mãos de húmus e basalto.

"Conceição Lima escreve-se, em ideia e corpo, na carne viva da ilha".
(Urbano Tavares Rodrigues)





segunda-feira, outubro 11, 2010

Ministro da Saúde de Angola na luta contra a POLIO

 O Ministro da Saúde José Van-Dúnem arregaçou as mangas e saiu em campo. Bateu de porta em porta incentivando a campanha de vacinação contra a poliomielite.

 O Ministro conversou com muitas pessoas......


E andou por becos estreitos.....


E vacinou muitas crianças.


Fotos cedidas por José Caetano do Escritório de Representação da OMS em Angola.

domingo, outubro 10, 2010

10 de outubro - Dia Mundial da Saúde Mental

Dia Mundial da Saúde Mental


10 de outubro, dia mundial da saúde mental tem o objetivo de promover uma ampla discussão sobre as desordens mentais.
Não podemos esquecer que a saúde mental e física estão interligadas e há uma verdadeira necessidade de se lidar com os problemas mentais da mesma forma que as doenças crônicas, através de um cuidado integrado.

Organização Mundial da Saúde lançou no dia 7 de outubro de 2010 o Guia de Intervenção na Falha da Saúde Mental (mhGAP-IG), que faz parte da fase de implementação do Programa de Ação contra a Falha na Saúde Mental (mhGAP). Este programa visa o aprimoramento dos serviços para essas desordens em países de baixa e média renda.


mhGAP (em inglês): http://www.who.int/mental_health/mhgap/en/index.html

quinta-feira, outubro 07, 2010

Comida, comida, comida!

Quem não gosta de comer arroz, feijão, frango, bife, peixe, cachorro quente e batata frita?

Mas nem só destes quitutes vivem os países de língua portuguesa. Há tantas receitas e formas de comer as mesmas coisas.....

Vamos conhecer um pouco


Angola

Cada província tem uma gastronomia diferente, o resultado é uma variedade de receitas e sabores que enchem a boca de qualquer um. Na província de Bengo, por exemplo, pode-se saborear o kakusso, um peixe de agua doce cozido em óleo de palma e servido com feijão.

Em Cabinda, no norte do país, a comida é bem mais influenciada pelos vizinhos do Congo enquanto que no sul do país em Naimbe, a abundância dos frutos do mar são os principais ingredientes dos pratos da região. Sem esquecer do Kalulu (foto) preparado com peixe seco e peixe fresco, espinafre e óleo de palma.

Todos os pratos Angolanos são enriquecidos com varias especiarias que foram introduzidas no pais pelos portugueses que as traziam da Índia em direção à Europa como o famoso Piri Piri que é feito de uma combinação de cominho, pimenta, gengibre, alho, colorau e salsa seco. Não é muito difícil de preparar e é uma delicia!


Brasil

Aqui, cada região tem sua própria gastronomia.

 A comida da região norte é fortemente influenciada pelos indígenas.  Um dos pratos mais importantes é o pirarucu. Este é o maior peixe de escamas da Amazônia podendo alcançar 3 metros de comprimento e cerca de 200 kg. As frutas da floresta também são muitas e às vezes desconhecidas das outras regiões do Brasil. Mas o açaí, cupuaçu, graviola, pupunha e acerola já fazem parte das mesas de todo o país. Sem esquecer do guaraná, é claro.

Na região nordeste, a influencia africana é muito grande, principamente na Bahia. Ante-pastos como abará e acarajé seguidos de vapatá e  moquecas de peixe, ostras e camarões são iguarias douradas pelo azeite de dendê (ou óleo de palma). Há também pratos à base de peixes dos mais váriados servidos em formas de sopas, escaldados, cozidos. Sem esquecer as casquinhas de caranguejo, frigideiras de siri mole e cavaquinhas.

No centro-oeste pode-se saborear alguns pratos à base de caça, elaborados com carne de caitítu, de paca, de veado, de porco do mato, de capivara. Há, ainda, especialidades extremamente regionais, como o jacaré frito. Mas pode-se também experimentar carne de cobra. Todos acompanhados de vários tipos de farinha seca ou cozida como pirão.

Quando se pensa na feijoada brasileira, pensa-se no sudeste.  Tradicionalmente no Rio de Janeiro prepara-se a feijoada com feijão preto, enquanto São Paulo e Minas Gerais opta por usar feijão vermelho ou castanho.

E na região sul, reina soberano o churrasco... embora possa-se come-lo em todos os cantos do Brasil.

Cabo Verde

O prato principal em Cabo Verde é a cachupa. Feito com carne de porco assada acompanhada de milho, feijão e batatas. 

O pastel com diabo dentro também é muito conhecido.  É um dos petiscos que mais chama a atenção em qualquer das ilhas, principlamente por causa do seu nome que esconde uma massa de batata assada recheada com tomate, atum e cebola.

As águas ao redor das ilhas fornecem o Cabo Verde com uma abundancia de frutos do mar, os quais se tornaram nos principais ingredientes dos pratos Cabo-Verdianos.


Guiné-Bissau

O caldo de amendoim, é uma das comidas mais típicas da Guiné-Bissau.  É feito com amendoim moído, carne bovina e frango.

A culinária guineense é baseada no arroz (o alimento principal da Guiné-Bissau), feijão, banana, mandioca e hortaliças mas também incorpora uma grande lista de receitas à base dos frutos do mar.

Tieboudienne, um guisado de peixe, servido com arroz e legumes cozidos, embora típico do Senegal também é muito popular por aqui.

Dizem que as ostras da Guiné-Bissau são as maiores do mundo.....



Moçambique

A comida em Moçambqiue tem muitas influências indianas e chinesas. O caril, por exemplo, é muito usado em toda a parte do país.


A base da alimentação moçambicana é o milho, que é usado priciplamente para fazer ushwa, uma massa que acompanha quase todos os pratos, mas também é fermentado para fazer cerveja.

Moçambique, como os outros países africanos situados na costa, utiliza muito o mar para a base de sua comida. Quem nunca ouviu falar no camarão gigante de Moçambique? A lagosta, e o carangueijo, são só alguns do frutos de mar exportados para o ocidente.

Portugal

Bacalhau.  Quando pensa em "comer" e "Portugal", certamente pensa-se primeiramente no bacalhau.

Existem mais de mil receitas de bacalhau, as mais famoses incluem, Bacalhau à Gomes de Sá, Bacalhau à Brás, e Bacalhau com Natas.

O bacalhau também é a comida tipica na véspera de Natal.

Sem falar nos pasteis de bacalhau (bolinhos de bacalhau) que são muito populares e pode-se comer em qualquer época do ano! (foto)


Lembre-se o bacalhau não é servido como os outros peixes, pois em vez de ser acompanhado com vinho branco, é o vinho tinto que aparece na mesa! 

E quem pode resistir aos doces portugueses???? Pasteis de nata, barriguinha de freira, ovos moles do aveiro e tantos outros.

São Tomé e Príncipe


O período de colonização teve um grande impacto na gastronomia são-tomense. A influência de Portugal é notável no uso de especiarias mas é o oceano atlântico a maior fonte da alimentação deste arquipélago.

O clima tropical é propício para os legumes e as frutas e a banana é muito usada nas receitas de São Tomé e Príncipe especialmente acompanhando os pratos de peixe. A mandioca, como nos outros países africanos, também é muito usada.


Sooa é um prato muito popular que incorpora o camarão, peixe, tomate, manjerico e jindugo, um vegetal típico de São Tomé.

Timor-Leste

A culinária timorense, vem duma combinação de muitas influências diferentes; portuguesa, chinesa, indiana, africana. Mesmo assim, os pratos que se encontram em Timor-Leste continuam a ter uma identidade própria.

A influência asiática é inegável e o curil é um prato muito popular, que acompanha várias carnes e legumes. Outros exemplos são o Kadaka, Manu Salar, Pisang Goreng, Tukir de Cabrito e Vau-Tan.

O arroz, coco, amendoim e piri-piri são essenciais em quase todos os pratos e normalmente acompanham cabrito, a carne preferida dos timorenses, ou então peixe seco. Sem esquecer das folhas de papaya, o milho e a mandioca que constituem também uma marca especial na comida do país.


E agora, você está com fome????