terça-feira, novembro 30, 2010

Podemos Eliminar a Pobreza 2015 - compromisso

No ano 2000, 189 dirigentes do mundo comprometeram-se durante a Cúpula do Milénio da Organização das Nações Unidas (ONU) a cumprir os Objetivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM) até 2015.

http://www.objetivosdomilenio.org.br/
Este ano, 2010, depois do segundo acompanhamento realizado em Nova York em setembro, a ONU lançou a campanha mundial 'Podemos Eliminar a Pobreza', criada para dar mais atenção aos ODM e o que significaria se cada ponto pudesse ser alcançado. 

Tem havido grandes avanços nos últimos 10 anos quanto aos ODMs. Muito tem sido feito para garantir progresso na saúde da mulher e da criança, por exemplo.  Recentemente, a ONU obteu 40 milhões de dólares, o que poderá salvar a vida de mais de 16 milhões de mulheres e crianças nos próximos 5 anos. A Secretária Geral da Organização Mundial da Saúde (OMS) fez vários apelos mundialmente este ano, para criar concientização sobre este objetivo fundamental, e outros. Este ano também, a OMS lançou 'Até a Última Criança', um programa que prevê a erradicação da pólio.


Eliminação da Pobreza

A eliminação da pobreza engloba os 8 ODMs como um todo.  A ideia da campanha é envolver mais pessoas na realização dos ODM. O Centro Regional de Informação das Nações Unidas, em parceria com a Presidência Espanhola da União Europeia, organizou um concurso de anúncios 'Dá largas à tua criatividade contra a pobreza', no qual poderiam participar todos os cidadãos dos 48 países europeus.

Mais de 2.000 submissões foram feitas, de 34 países europeus. O vencedor da campanha foi anunciado no dia 20 de setembro ao fim de serem selecionados 30 finalistas. O vencedor foi Stéfan Einarsson de Reykjavik, da Islândia, com esta imagem:


Sua obra "Caros líderes ainda estamos à espera" convida os líderes mundiais a assumirem as suas promessas de acabar com a pobreza até 2015.

Todo as submissões foram extraordinárias, e o concurso em si obteu a sua meta: relembrar que a promessa de 2015 continua de pé, e temos que alcançá-la.

Entre aqui para ver as submissões dos finalistas da competição:

PODEMOS ELIMINAR A POBREZA

Mas a campanha não acaba por aqui.  Fique de olho nesta página (também acessível em português) para futuras informações de campanhas em que possa participar para ELIMINAR A POBREZA 2015.


sexta-feira, novembro 26, 2010

Filmes em lingua portuguesa - Nhá-Fala

Nhá-Fala


Os filmes em língua portuguesa têm recebido maior atenção internacional nos últimos tempos. Em novembro (2010), por exemplo, ocorreu em Londres, Reino Unido, o Festival de Filme Lusófono com o objetivo de comemorar os 35 anos de independência dos países africanos de língua portuguesa.

O Festival aconteceu na Universidade Queen Mary, em Londres, e mostrou trabalhos de Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe. Alguns diretores também deram palestras.

Um dos filmes de abertura foi Nhá-Fala (2002), do guineense Flora Gomes. Carregando um prémio do renomado Festival de Veneza, o filme é uma comédia musical cheia de alegria, humor e otimismo, onde a heroína Vita é interpretada por Fatou N’Daye. A trilha sonora é do lendário Manu Dibango.

A história é contemporânea e pretende construir uma ponte entre Europa e África, representando uma nova geração que respeita as tradições mas que quer viver no seu tempo.

"Em África diz-se que nada funciona. Quis mostrar qualquer coisa que mexesse, a música, e render homenagem a todos os músicos sobretudo a Manu Dibongo", declarou o diretor numa conferência de imprensa no Lido, em Lisboa. "Quis falar de uma África positiva, onde se morre mas também se ri", completou.

quarta-feira, novembro 24, 2010

Relatório "Cidades Ocultas"


Cidades Ocultas:
Desmascarando e superando as desigualdades de saúde nos espaços urbanos


O rápido crescimento da população urbana é um dos mais importantes problemas de saúde global do século XXI. Com isso em foco, a OMS e a UN-HABITAT lançaram neste mês um relatório sobre o tema, com o intuito de auxiliar os líderes municipais e planejadores urbanos a identificar as populações privadas de saúde e direcionar medidas para aprimorar sua condição.

Relatório disponível em PDF em inglês


Cidades Ocultas revela as desigualdades urbanas de saúde que são resultados das circunstâncias em que as pessoas crescem, vivem, trabalham e envelhecem, e os sistemas de saúde aos quais elas tem acesso.

Enquanto geralmente diz-se que os moradores de cidades são mais saudáveis do que seus conterrâneos rurais, pouco se sabe sobre as diferenças de saúde que existem dentro dessas áreas urbanas.

O relatório baseia-se em uma nova análise que olha além das médias da cidade, ou além das informações comuns de cidades, para identificar bolsões escondidos de doenças e privações sociais.

Os esforços passados focavam principalmente em dados medianos e em diferenças entre municípios. A nova abordagem combina dados demográficos com a nova análise para desmistificar a ideia de que todos os moradores urbanos tem acesso igual à saúde.

Estas descobertas permitem aos líderes municipais e formuladores de políticas perceberem as tendências e compreender as diferenças tanto entre quanto dentro das cidades - inclusive dentre bairros.

"O futuro do nosso mundo urbano ainda tem que ser descoberto, mas ele vem tanto com um preço quanto com uma promessa. Até que ponto nós pagaremos esse preço, ao invés de cumprir a promessa, está em nossas mãos."


Extratos traduzidos do inglês de http://www.hiddencities.org/


segunda-feira, novembro 22, 2010

"Cabo Verde, Terra do Amor" - Um CD de Música para o Programa Alimentar Mundial

Segundo CD "Cabo Verde, Terra do Amor", com letras de Cesaria Evora, cantora caboverdiana e embaixadora do progama do Programa Alimentar Mundial (PAM) - Contra a Fome.

 Depois do sucesso do primeiro volume que foi lançado em 2009, outros artistas
aceitaram o convite do italiano Alberto Zeppieri, criador e produtor do projeto musical, para fazer uma contribuição significativa para um evento que é também um encontro de culturas e artistas unidos por uma causa comum: apoiar a crianças Africanas através dos programas de música do Programa Alimentar Mundial (PAM).

O CD faz parte do programa de merenda escolar do PAM, que tem sido muito ativo no continente Africano. Artistas do mundo inteiro já participaram neste programa de música, com grandes nomes como Christina Aguilera. Este segundo volume, inclui a música de artistas italianos como também canções da russo-caboverdiana Solange Cesarnova e a cantora caboverdiana, Lura.

Cesaria Evora, tem participado muito nos projetos do PAM. Em 2003, produziu um vídeo para a organização, o mesmo ano que também fora nomeada embaixadora do projeto Contra a Fome.


Para ouvir algumas das músicas deste CD,
siga este link.


 Link para o site PAM (em italiano)


sexta-feira, novembro 19, 2010

Kilombo, ochilombo, quilombolas

Quem são os Quilombolas?


Para certos povos Bantus de Angola, "kilombo" ou "ochilombo" era o local de repouso de povos nômades e de comerciantes.

E o que o Brasil tem a ver com isso?

Na época da escravidão no Brasil, a palavra QUILOMBO era usada para nomear as comunidades de escravos que se rebelavam, fugiam e se escondiam do restante da população.

Mas o que pouca gente sabe é que essas comunidades não eram compostas apenas por escravos fugidos. Havia também uma minoria de portugueses marginalizados, negros livres, indígenas e outras pessoas que se sentiam oprimidas pela colonização portuguesa.

O que caracterizava o quilombo não era o isolamento e a fuga, mas sim a resistência ao regime vigente e a possibilidade de ter autonomia.

Quilombo era, portanto, um movimento de transição da condição de escravo para a de camponês livre.

Quilombo dos Palmares

Quilombo dos Palmares
Este foi o maior quilombo do Brasil. Criado entre o fim do século XVI e início do século XVII, situava-se entre montanhas e precipícios onde hoje é o Estado do Alagoas (nordeste do Brasil). Este Quilombo foi a mais conhecida comunidade quilombola da história brasileira.

O Quilombo dos Palmares tornou-se um símbolo forte e poderoso de luta e resistência na então Capitania de Pernambuco.

No início da colonização portuguesa, 20 mil escravos trabalhavam nos engenhos de açúcar da Capitania de Pernambuco. Já na metade do século XVII, esta população escrava beirava as 50 mil pessoas.

Entre 1630 e 1650, a invasão holandesa no Brasil desencadeou uma guerra com os portugueses que fragilizou o controle dos escravos. Com isso, muitos puderam fugir de seus engenhos e formar diversos quilombos espalhados pelo nordeste brasileiro.

O Quilombo dos Palmares foi criado como uma espécie de confederação, unindo 9 quilombos localizados na mesma região. Estima-se que, em 1640, possuía cerca de 6 mil habitantes divididos em 9 aldeias, sendo que em 1670 foram contadas mais de 2 mil casas. Alguns ainda acreditam que a população de Palmares chegou a 20 mil pessoas em 1690.

Palmares contra o exército
A localização estratégica da comunidade facilitava o ataque a engenhos e povoações, com a finalidade de conseguir mantimentos e incentivar a fuga de outros escravos. Assim, sua população foi crescendo cada vez mais.

A prosperidade e capacidade de organização desse imenso quilombo representou uma enorme ameaça à ordem escravocrata da época. Ao longo de um século, os palmarinos resistiram à repressão das autoridades coloniais, derrotando cerca de 30 expedições.

A própria Coroa portuguesa tentou por muitas vezes negociar com estes quilombolas, que não cederam até a comunidade ser finalmente aniquilada por um exército de 6 mil homens em 1694. Essa longa guerra foi a maior rebelião contra a escravidão na América portuguesa.

Liderarada pelo bandeirante Domingos Jorge Velho, a expedição contra Palmares levou 45 dias para derrubar a primeira e principal aldeia, Macaco, matando 400 pessoas e capturando outras 500.

Zumbi dos Palmares
Dentre os que conseguiram fugir estava Zumbi, então líder do quilombo. Nascido em Palmares como homem livre, foi capturado aos 6 anos e vendido para um padre. Em 1670, já adolescente, escapou e retornou ao quilombo. 

Após a morte de seu tio e líder palmarino Ganga Zumba, tornou-se o chefe da comunidade. Como líder, Zumbi nunca aceitou nenhuma das tentativas portuguesa de acordo, acreditando que esta resistência estaria protegendo os interesses do seu povo quilombola.

Porém, em 20 de novembro de 1695 - 1 ano após a destruição do Quilombo dos Palmares - ele foi capturado e executado, e sua cabeça foi exposta em praça pública na cidade de Porto Calvo, Alagoas (nordeste do país), para desencorajar futuras rebeliões.

Apesar de destruído, Palmares seguiu a existir como símbolo de perigo à elite pernambucana. Por isso, os capitães-do-mato, homens livres que capturavam escravos fugidos, foram se tornando cada vez mais comuns.

O aumento da violência contra os escravos não impediu que outros quilombos surgissem, como foi o caso do Quilombo do Castainho. Fundada em Pernambuco por um grupo de negros que conseguiu fugir da guerra em Palmares, a comunidade ainda existe e hoje é composta de 206 famílias.

Quilombolas não foram, eles ainda são...

Mestiço, de Cândido
Portinari (1934)
Poucos sabem que as comunidades quilombolas existem até hoje, após 122 anos do fim da escravidão.

Atualmente, os quilombolas são uma mistura de negros, indígenas e brancos, dos quais muitos são cafuzos (mestiços de origem negra e indígena). Os quilombos atuais vivem à base da agricultura. Em Castainho, por exemplo, cultiva-se mandioca, milho, feijão e hortaliças.

Os quilombos passaram a ser foco de políticas públicas com a Constituição Federal do Brasil de 1988, que lhes garantiu o direito à propriedade definitiva das terras quilombolas.

Após muita discussão, em 2003 a legislação federal estabeleceu que a determinação de uma comunidade como quilombola advém do auto-reconhecimento (o Estado do Pará foi pioneiro nesse entendimento, ainda em 1999).

Hoje em dia, existem mais de 2.000 comunidades quilombolas no Brasil, em praticamente todos os estados. Só no Maranhão, elas somam 527, enquanto em Pernambuco, 120. Aos poucos, essas populações tem conseguido adquirir seus direitos, apesar de muito ainda precisar ser alcançado.

O Dia Nacional da Consciência Negra

Para promover a reflexão sobre a inserção do negro na sociedade brasileira, em 1960 o governo federal escolheu o dia 20 de novembro como o Dia Nacional da Consciência Negra.

Para mais informações sobre as comunidades quilombolas, acesse o site da Comissão Pró-Índio de São Paulo.



quarta-feira, novembro 17, 2010

domingo, novembro 14, 2010

Dia Mundial do DIabetes

Hoje, 14 de Novembro de 2010, é com imenso prazer que me junto ao resto do mundo na comemoração do Dia Mundial da Diabetes, subordinado ao tema “Educação e Prevenção da Diabetes”, que é o principal foco de acção para o período 2009–2013. Neste dia, a OMS envolve as pessoas numa campanha mundial centrada na advocacia, sensibilização e prevenção efectiva e no controlo da diabetes.

A diabetes é uma doença crónica grave, debilitante e onerosa, que impõe exigências para toda a vida às pessoas que vivem com a doença e às suas famílias. Calcula-se que cerca de 220 milhões de pessoas em tudo o mundo sofram de diabetes e que, até 2030, este número venha a mais do que duplicar, caso não sejam efectuadas intervenções eficazes. A doença, que se julgava ser rara e não documentada na África rural, surgiu nas últimas décadas como uma das principais doenças não transmissíveis na África Subsariana.

Na África Subsariana, as tendências actuais sugerem que a prevalência da diabetes deverá aumentar e contribuir para 6% do total da mortalidade em 2010. Se a tendência actual continuar, a África Subsariana irá registar um aumento de 98%, de 12,1 milhões de casos em 2010 para 23,9 milhões de casos em 2030. Os inquéritos realizados recentemente na Região Africana da OMS indicam que a prevalência da diabetes entre adultos com idades compreendidas entre os 25 e os 64 anos varia de 3% a 14,5%.


As mortes devidas à diabetes ocorrem em pessoas com idades entre os 20 e os 39 anos, a população mais economicamente produtiva. Os custos económicos directos da diabetes em termos de cuidados médicos e perda de recursos humanos em África é substancial, o que, por sua vez, são agravados pelo fardo elevado das consequências da diabetes, tais como as complicações neurológicas e vasculares, perturbações visuais, doenças cardíacas, AVC e insuficiência renal, a par de outras doenças crónicas.

Uma percentagem elevada de casos de diabetes continua por diagnosticar e muitos casos são diagnosticados tardiamente, normalmente após as complicações associadas se tornarem evidentes. Para além disso, um número significativo de diabéticos em África não tem acesso a tratamento adequado e a medicamentos para a doença, sobretudo insulina, conduzindo ao aparecimento de complicações evitáveis.

Devemos continuar a consolidar os ganhos já conquistados em termos da sensibilização da diabetes aos níveis local e regional, e reforçar as acções individuais e na comunidade através da capacitação para a prevenção da doença e das suas múltiplas complicações.

É possível inverter a actual tendência da diabetes na Região, caso os ministérios da saúde e as comunidades trabalhem em conjunto para a redução dos factores de risco da doença, nomeadamente: obesidade, inactividade física, baixo consumo de fruta e vegetais e aumento do consumo de alimentos ricos em gordura e energia. A Estratégia Regional da OMS para a Prevenção e Controlo da Diabetes e o recente Apelo das Maurícias para a Acção são instrumentos que servem de apoio a esta inversão. Estes instrumentos identificam estratégias e compromissos-chave que são urgentemente necessários de modo a planear e implementar programas nacionais de prevenção e controlo da diabetes e ajudar a reduzir o fardo desta doença em África.

Lanço um apelo a todos os governos africanos para que formulem e implementem programas de prevenção e controlo e planos de acção cabais e integrados da diabetes, incluindo a prevenção dos factores de risco, melhorem a qualidade dos cuidados e ajam sobre os determinantes estruturais que influenciam os resultados na saúde.

Incentivamos as autoridades locais, assim como os líderes de saúde local, a fazerem uso de todos os meios de comunicação adequados para aumentar a sensibilização para a diabetes e capacitar as comunidades para a prevenção e cuidados.

Apelo a todos os diabéticos, pessoas em maior risco de desenvolver diabetes e ao público em geral para que aumentem os seus conhecimentos sobre a doença e melhorem a gestão e a prevenção das complicações concomitantes.

É preciso acelerar o ritmo da nossa intervenção para que possamos agir sobre o fardo crescente da diabetes. Vamos dominar a diabetes. Este é o momento para fazermos tudo o que estiver ao nosso alcance.

Muito obrigado

Luis Gomes Sambo
Diretor Regional para a África