sexta-feira, fevereiro 25, 2011

Moçambique: a pérola do Índico

Banhado pelo Oceano Índico, Moçambique situa-se na costa oriental de África. É um país com uma grande diversidade cultural, fortemente marcada pela passagem de Árabes, Indianos e Europeus. Pelas cidades do país, é possivel visitar várias catedrais, fortalezas e mesquitas que mostram a grande mistura de culturas.

Com um clima tropical e úmido, reservas naturais e belas praias de águas transparentes, Moçambique é conhecido pela sua comunidade acolhedora, havendo quem chame à cidade de Maputo, a "cidade dos sorrisos". 

O país está dividido em onze províncias. Desde o sul até ao norte, pode-se conhecer diferentes ambientes e ficar espantados com a magnitude e a beleza deste país!
Na ponta mais a sul, está a província de Maputo, onde se encontra a capital do país. A cidade de Maputo com as suas largas avenidas revestidas de acácias rubras e jacarandás lilazes, e os seus edificios imponentes, é sem dúvida um ponto de referência de Moçambique para o turismo urbano.  

Cidade de Maputo
Por toda a cidade, estão espalhados monumentos que merecem ser visitados. A Casa de Ferro desenhada por Gustavo Eiffel, o Jardim Botânico de Tunduru, a Fortaleza de Nossa Senhora da Conceição, o mercado central, a Sé Catedral, a Mesquita da Baixa e a Estação Central dos Caminhos de Ferro são alguns bons exemplos. 
Moçambique é um país com uma cultura marcante e um espírito artístico e criativo muito próprio! Assim na capital também há uma oferta variada de museus, teatros e lugares de lazer, como bares e discotecas, onde é possivel passar noites agradáveis.

Ilha de Inhaca
Ainda nesta província, existem várias praias que convidam ao descanso e à prática de desporto. Na ilha de Inhaca, riquíssima em recursos naturais, pode-se praticar mergulho e desfrutar das magníficas barreiras de coral.
Um outro lugar de rara beleza, somente acessível abrindo picadas e em veículo todo terreno, é a Ponta de Ouro, onde se vê praias de areias douradas quase desertas.

Praia de Bilene
Um pouco mais a norte, na província de Gaza, está a praia de Bilene junto à extensa lagoa de Uembje. Uma zona em que, para além dos vários desportos náuticos que se podem praticar, existem diversos caminhos que convidam para longas caminhadas. Em Gaza está situado o Parque Nacional de Limpopo cortado pelo rio com o mesmo nome, e onde se podem observar várias espécies no seu habitat natural.


Dugongo

Na província de Inhambane, o Arquipélago de Bazaruto é um local escolhido tanto por amantes de praia como da natureza bruta. No Parque Nacional de Bazaruto, pode-se avistar aves exóticas, recifes de corais e espécies marinhas protegidas como dugongos, golfinhos e tartarugas marinhas. 




Timbila
Anualmente, na praia de Zvala, há um festival de marimbeiros, exímios tocadores de timbila e poetas de ocasião. Um festival muito apreciado pelos Moçambicanos e pelos países vizinhos!




Parque Nacional da Gorongosa
Sofala, no centro do país, tem como capital a cidade da Beira.
Uma cidade, com vários monumentos com marcada influência portuguesa: a Catedral, a Casa Infante Sagres, a Casa de Portugal e a Casa dos Bicos, com um estilo moderno onde se realizam várias feiras e exposições.
No Parque Nacional da Gorongosa, com uma fauna variadíssima de animais de grande porte e aves, é possivel subir à serra da Gorongosa (1820m), uma oportunidade para admirar paisagens magníficas. Um outro ponto atractivo desta província é a Reserva de Búfalos de Marromeu.
Monte Binga
Manica encontra-se nas zonas mais elevadas do país. É aqui que nascem muitos dos rios que vão desaguar no Oceano Índico.
Esta provincia oferece locais sensacionais para caminhadas e escaladas nas muitas elevações, entre as quais o Monte Binga (2436 m), em Chimanimani, o ponto mais elevado de Moçambique, onde se situam as "montanhas dos espiritos", um local sagrado para os habitantes locais.
Em 
Chinhamapere, também considerado um local sagrado podem ser admiradas pinturas rupestres.


"Cabeça do Velho"
  A 5 km de Chimoio a capital da região, é possivel ver "Cabeça do Velho", uma íncrivel e natural formação rochosa que asemelha-se aoperfil de um ancião.





Tete, província priviligiada onde a natureza e o engenho humano estão lado a lado. Entre as construções do homem temos a gigantesca barragem de Cahora Bassa, a 2ª maior de África e a 5ª do mundo, e a ponte suspensa sobre o rio Zambeze, que liga a cidade de Tete ao centro carbonífero de Moatize.
Duas construções majestosas!
A contrastar, temos os rápidos e quedas de água do rio Zambeze, belezas naturais sensacionais.

Barragem de Cahora Bassa
Ponte suspensa sobre o rio Zambeze
Na província da Zambésia nota-se a mudança da vegetação à medida que a altitude aumenta. Nas zonas mais elevadas do Gurué, predomina a vegetação rasteira e verdejante de plantações do chá. Na orla costeira, junto ao rio dos Bons Sinais, assim designado por Vasco da Gama que encontrou aí a certeza de estar na rota  certa para a Índia, ergue-se a bonita cidade de Quelimane, onde é possivel visitar a Catedral Velha, a igreja de Nossa Senhora do Livramento e a Mesquita de Quelimane.

Um local magnífico da província, são as "Fontes Quentes" junto das vilas de Morrumbala, Lugela e Gilé, cujas águas brotam do solo a temperaturas elevadas.
Fortaleza de S. Sebastião

Em Nampula, a norte do país, está a ilha de Moçambique, considerada património cultural da humanidade. Com edifícios de pedra de coral, o Museu de Arte-Sacra, a Capela de estilo Manuelino, a Fortaleza de S. Sebastião, o Palácio de São Paulo, o monumento a Luís de Camões que aqui viveu dois anos e escreveu parte dos Lusíadas, o templo Hindu são vestígios da passagem de vários povos e culturas ao longo dos séculos. Um grande motivo para visitar esta fantástica ilha.



Lago de Niassa

Niassa, é a maior província de Moçambique, onde ainda se podem encontrar áreas cobertas de selva natural. O lago Niassa, é o terceiro maior de África. As praias de areia branca e águas transparentes proporcionam a paz necessária para esuqecer a turbulência da vida quotidiana.
Ao anoitecer pode-se admirar sobre o Lago um pôr de sol africano de excepcional beleza. A reserva do Niassa, possui uma variedade de animais de grande porte, nomeadamente elefantes, leões, leopardos, búfalos, cudos, antílopes.

Arquipélago das Quirimbas

Cabo Delgado, com o centro urbano em Pemba, uma cidade histórica situada na baía com o mesmo nome é considerada a terceira maior baía do mundo. A norte desta província encontra-se o arquipélago das Quirimbas famoso pelas suas belíssimas praias de areias brancas e o Parque Nacional das Quirimbas, com tartarugas marinhas, golfinhos, dugongos, elefantes, leopardos entre outros.


Moçambique é um país com um vasto e variado património, com uma marcada influência de vários povos que formaram sua gente e sua cultura. Muito ficou por descrever, mas esta pequena amostra deste grande e magnífico país, desperta a curiosidade de conhecer mais! 



quarta-feira, fevereiro 23, 2011

Saúde em língua portuguesa - A evolução das Bibliotecas Azuis

Como parte da rede ePORTUGUÊSe, as Bibliotecas Azuis foram criadas para compensar a carência de informação em saúde em português, especialmente em zonas rurais ou distantes dos grandes centros urbanos.

A criação das Bibliotecas Azuis veio atender uma longa 
demanda dos profissionais de saúde dos países de língua portuguesa em África, que a muito tempo vinham solicitando a OMS que investisse em informação em saúde neste idioma, considerando que o português é a terceira língua mais falada na África.

As Bibliotecas Azuis foram criadas através de uma parceira entre a rede ePORTUGUÊSe e a divisão de Publicações da OMS (WHO press) que em parceria com o Ministério da Saúde do Brasil e o Alto Comissariado da Saúde de Portugal puderam desenvolver esta mini-biblioteca com mais de 180 livros, documentos e manuais para serem utilizados pelos profissionais de saúde.

Desde a sua criação em 2006 já foram enviadas 132 Bibliotecas Azuis para os PALOP

Abaixo estão a distribuição das Bibliotecas Azuis por país

 Em 2010, a rede ePORTUGUÊSe, com a ajuda dos pontos focais nos países, realizou uma avaliação do uso das Bibliotecas Azuis em cada um dos países.
Foram contactados os gestores das BA, que tiveram a oportunidade de relatar a realidade local de suas instituições, assim como fazer sugestões e solicitações. Este contato direto com os responsáveis pelas Bibliotecas Azuis foi um enorme aprendizado para toda a equipe. Por exemplo: O Dr. Pedro L. Morais da Delegacia de saúde da Ilha Brava em Cabo Verde disse:
"A ilha Brava é a mais isolada do país e há muita dificuldade de acesso à informação. Por isso, a Biblioteca Azul é muito importante. Pensamos inclusive em complementar a coleção com outros livros com o intuito de ampliar a biblioteca. A ideia é que se faça um trabalho com o Liceu, que fica próximo à Delegacia de Saúde. Muitas vezes, os estudantes pedem apoio para fazer os trabalhos, por exemplo, sobre AIDS. Então, a Biblioteca Azul poderia ser útil para a comunidade em geral, sobretudo para os alunos do Liceu”.

Com isso percebeu-se que as Bibliotecas Azuis não são utilizadas somente pelos profissionais de saúde, mas elas são também úteis para as escolas e comunidades da região. E com a maior divulgação de seu conteúdo, espera-se que estas mini-bibliotecas possam influir positivamente para melhorar a saúde das populações que elas servem.

No entanto, cada Biblioteca precisa de um responsável que dedique algumas horas por dia para organizar os livros, divulgar o seu conteúdo, estimular a pesquisa em sua unidade e tenha sempre em dia a lista de livros emprestados e controle o seu retorno.
É um trabalho que exige dedicação e conhecimento e neste momento, a rede ePORTUGUÊSe está oferecendo um curso de capacitação para gestores desta bibliotecas com o intuito de ajudá-los a realizar melhor o seu trabalho.
No dia 24 de Fevereiro, será realizada a primeira oficina de treinamento para os gestores da Guiné-Bissau que será realizado na sede do recém inaugurado Instituto Nacional de Saúde Pública (INASA), uma instituição parceira da rede ePORTUGUÊSe.

Para 2011, já estão programados o envio de 12 Bibliotecas Azuis para Moçambique, 6 para Angola e 8 para Timor Leste, estas dentro do acordo de cooperação com a Comissão Europeia.


O Relatório completo de avaliação do uso das BAs nos países africanos de língua oficial portuguesa (PALOP) pode ser visto em: 
cspace.eportuguese.org/tiki-download_file.php?fileId=493


Mais Informação:

segunda-feira, fevereiro 21, 2011

Paula Rego: uma pintora portuguesa contadora de histórias



 Inspirada por contos de fadas e recordações da sua infância, pela literatura clássica e moderna e pela realidade politica e social, Paula Rego cria uma hipnotizante e apaixonante obra que explora as lutas entre mulheres e homens, pais e filhos e entre o poder e a fraqueza.
Peter Pan:Boys and Pirates
Fighting,1992

Paula leva para os seus desenhos, as memórias da infância em Portugal. Os contos e histórias contadas pelas tias e avós enquanto criança serviram-lhe de inspiração para a sua fértil imaginação. Exemplo disso são os quadros Hey diddle diddle,1989 e Peter Pan: Boys and Pirates Fighting, 1992.

Paula nasceu em Lisboa em 1935, no seio de uma família próspera de classe média. Seu pai foi um engenheiro “amável e liberal” como a artista o classifica, levou-a a ver óperas e filmes da Disney. Estes filmes serviram de inspiração para o Dancing Ostriches,1995 ou Swallows the Poisoned Apple,1995.  Sua mãe incutiu-lhe o gosto pelas roupas e trajes que também marcaram muito os seus quadros.  
Swallows the Poisoned Apple
1995
Aos 17 anos de idade, em 1952, Paula foi para Londres estudar no Slade School of Fine Arts onde conhece Victor Willing com quem se casou mais tarde. Também pintor, Victor desenvolveu esclerose múltipla alguns anos mais tarde e como reação à doença do marido, Paula fez a série "Menina e Cão" em 1996 na qual um cão doente é cuidado por uma menina que o alimenta, barbea e lhe dá a medicação revelando uma linha ténue entre cuidar e ferir, amor e dependência, desejo, frustração e raiva. Em muitos de seus trabalhos, as personagens tomam  a forma de animais para efeitos metafóricos e de sátira.


 Sem título, 1986 pertencentes à série Girl and Dog


The Family, 1988

A doença do marido também inspirou o quadro "A Família" em 1988 que se tornou uma de suas obras mais popularizadas e aplaudidas. Victor morreu neste mesmo ano e chegou a descrever os temas da obra de Paula como sendo repletos de  “domínio e rebelião, sufoco e revolta”. Na verdade, Paula afirmou que o seu trabalho era uma subversão das hierarquias e pretendia “virar as coisas do avesso e perturbar a ordem estabelecida”. 



De acordo com o crítico de arte Robert Hughes, Paula Rego é "a pintora viva que melhor expressa as experiências das mulheres".


Sem títtulo,  pertencente
à serie Aborto

Em 1998, em resposta direta ao referendo sobre o aborto em Portugal, Paula retratou uma série de imagens de mulheres submetidas a abortos clandestinos numa crítica explicitamente política.

Vivendo em Londres desde 1975, Paula Rego tem seu estúdio em Kentish Town onde manequins, roupas e trajes vitorianos, bonecos, fantoches, caixas com inúmeros adereços caracterízam o seu espaço de trabalho.
" Pintar é mágico. Estar no meu estúdio é como estar dentro do meu próprio teatro" afirma a artista.

Paula Rego também se inspira em obras literárias de Jane Eyre e Eça de Queiroz.

Estúdio de Paula Rego em Kentish  Town, Londres
Paula Rego recebeu diversos doutoramentos "honoris causa" atribuidos por diversas Universidades do Reino Unido e mais recentemente pela Universidade de Lisboa.  

Casa das Histórias


O seu trabalho pode ser visto em várias instituições públicas um pouco por todo o Mundo como o British Museum; Fundação Gulbenkian em Lisboa; The Metropolitan Museum of Art em Nova Iorque e o Tate Galery em Londres.


Em Setembro de 2009 foi inaugurado em Cascais um museu ao qual Paula Rego deu o nome de Casa das Histórias. Este museu fica perto do local onde Paula viveu a sua infância e acolhe mais de 300 impressões, desenhos e pinturas suas assim como obras do seu marido Victor Willing.
Paula Rego continua a ir para o estúdio quase todos os dias para criar e “pintar as suas histórias” e diz: “ Estou à espera para ver o que virá a seguir.”

E nós também...

Para mais informações:



sexta-feira, fevereiro 18, 2011

Guiné-Bissau: uma viagem ao encontro da natureza

Com uma comunidade acolhedora e hospitaleira, um património cultural rico e uma natureza bruta num estado de conservação excepcional, este é sem dúvida um país com muito por explorar!

Guiné-Bissau
 Apesar da sua reduzida área, Guiné-Bissau é um país da costa ocidental de África com uma diversidade paisagística espantosa! Desde o interior formado por savanas até ao litoral com os vastos mangais, várias zonas do país são consideradas reservas naturais. Por todo o território se pode encontrar uma variedade de ecossistemas com uma  magnífica fauna e flora, sendo possível encontrar espécies únicas!  


O país estende-se por uma área de baixa altitude, estando o pico mais alto a 300 metros do nível do mar. A costa muito recortada e os inúmeros rios e reentrâncias tornam o transporte fluvial corrente e prático.


O clima é tropical havendo apenas duas estações no ano: a época seca de novembro a abril, e a de chuvas, de maio a outubro. 
Bissau
Bissau, a capital, é uma cidade com uma atmosfera encantadora e vários pontos de interesse. Vale a pena visitar o Museu Nacional e o Centro Artístico Juvenil, onde se preparam os jovens artistas do país.

Ainda hoje é possível ver o estilo colonial no antigo bairro português caracterizado pelas ruas sinuosas com as casas típicas da época.

Não se pode perder a Fortaleza d’Amura, o Palácio Presidencial, a Catedral e o monumento Pidjiguiti na capital. AH! não se esqueça dos mercados da cidade: o Central e o de Bandim, onde se encontram comida e artesanato típicos do país.

Uma das maiores manifestações culturais é o carnaval guineense com características únicas! 

Carnaval Guineense
Forte de Cacheu
No norte do país encontra-se Cacheu, uma tranquila vila na costa, atravessada pelo Rio Cacheu, um dos muitos rios que cortam a Guiné-Bissau. Local calmo e agradável onde é possivel visitar um importante forte do século XVI.
Próximo desta vila encontra-se o Parque Natural dos Tarrafes do Rio Cacheu, a área protegida com melhor acesso. 

 Parque Natural dos Tarrafes do Rio Cacheu


Aqui é possível encontrar o maior bloco contínuo de mangue de toda a África Ocidental, cerca de 70% do parque está coberto por este ecossistema costeiro de transição entre o ambiente terrestre e marinho. Os flamingos e os papagaios predominam neste parque.



Bafatá



Bafatá, é a segunda maior cidade da Guiné Bissau e fica na margem de um outro grande rio, o Rio Gêba. Uma cidade surpreendentemente tranquila onde predominam os edifícios e casas coloniais.



Parque Natural das Lagoas da Cufada

 No centro do país, perto da cidade de Buba, está o Parque Natural das Lagoas da Cufada. Esta é a maior lagoa de água doce do país, que se estende por quase noventa mil hectares e um local importante de acolhimento de aves europeias durante o inverno.
 
Parque Nacional das Florestas de Cantanhez



Mais a sul, junto à fronteira com a Guiné-Conacri encontra-se o Parque Nacional das Florestas de Cantanhez, uma floresta com árvores de grande porte e um habitat para diversas espécies e onde é possivel encontrar populações de chimpazés. Este parque é uma das mais recentes áreas protegidas do país.


Parque Nacional de Orango

A Guiné-Bissau é constituída por uma parte continental e outra insular. Na zona insular está o Arquipélago de Bijagós, constituído por mais de 80 ilhas. Internacionalmente conhecido, mas não muito explorado pelos turistas, este arquipélago foi classificado pela UNESCO como Reserva Mundial da Biosfera.
A
s suas ilhas são exemplo de natureza bruta de uma beleza divinal! Muitas não estão habitadas, havendo locais considerados sagrados, onde as comunidades realizam cerimónias. Neste arquipélago encontra-se ao sul o Parque Nacional de Orango  e a sudeste o Parque Nacional Marinho João Vieira-Poilão. Para além das aves marinhas, predominam várias espécies de mamíferos aquáticos como: hipopótamos, crocodilos, tartarugas e golfinhos. 


Ainda ao norte, existe a Área Marinha Protegida das ilhas Formosa, Nago e Chediã.
Área Marinha Protegida das ilhas Formosa, Nago e Cheidã

O acesso ao arquipélago pode ser feito a partir de Bissau em canoas públicas, um meio de transporte muito frequente em todo o país, ou através do Expresso Bijagós, um antigo cacilheiro lisboeta, que sai à sexta-feira e regressa ao domingo à capital.
Praia de Bruce nos Bijagós


Neste país é ainda possível encontrar praias de beleza rara. No continente temos o exemplo a norte, junto à fronteira com o Senegal, da praia Varela.

Entre as atividades a praticar neste paraíso tropical, destacam-se a pesca e caça desportivas e os desportos náuticos.
  


Um país com um património natural indiscutivelmente deslumbrante e paradísiaco, pouco explorado pelos turistas, mas sem dúvida à altura de uma grande aventura! 

mais informações em:

quarta-feira, fevereiro 16, 2011

Egas Moniz, o português que recebeu um Prémio Nobel



Mais de sessenta anos após ter sido agraciado com o Prémio Nobel de Medicina em 1949, Egas Moniz continua a ser uma lenda da Neurologia. 



António Caetano de Abreu Freire nasceu em Avanca, Estarreja em Portugal, a 29 de Novembro de 1874.
O seu sobrenome foi alterado para Egas Moniz pelo padrinho, em honra ao aio do primeiro rei português, D. Afonso Henriques, e suposto antepassado da família.
António formou-se na Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra em 1899, onde doutorou-se e depois tornou-se professor catedrático.
No entanto, foi na França que aperfeiçou seus conhecimentos trabalhando com grandes neurologistas da época nas Universidades de Bordeux e Paris.

Sua personalidade forte e determinada e o seu grande dom para a oratória marcaram a sua carreira, não só como professor e investigador, mas também como político. Desde os tempos de estudante que nutria uma atividade política intensa, tendo exercido cargos de Deputado no parlamento português, ministro das Relações Exteriores da Primeira República e Embaixador em Espanha. 

Quando em 1919 abandonou a vida política, passou a dedicar-se inteiramente à neurologia na Faculdade de Medicina de Lisboa, e começou a desenvolver as técnicas de angiografia cerebral e lobotomia.

Ao dar visibilidade às artérias do cérebro através da injeção intravascular de uma substância opaca ao Raio X,  abriu as portas para localizar neoplasias, aneurismas, hemorragias e outras mal-formações no cérebro humano, que mudou o paradigma do diagnóstico, cirurgias e tratamento das doenças neurológicas. 
O desenvolvimento da angiografia cerebral trouxe-lhe respeito e reconhecimento de toda comunidade científica internacional, e duas indicações ao Prêmio Nobel.

Após a angiografia cerebral, Egaz Moniz continuou a investigar mais e mais os problemas mentais. Em 1936, desenvolveu a técnica conhecida como leucotomia ou lobotomia que ele usava para tratar doenças mentais, epilepsia e até dores de cabeça crónicas. O processo consistia numa incisão nas fibras nervosas que ligam o lobo frontal a outras regiões do cérebro, praticada através de oríficios feitos no crânio, daí resultando, em teoria, o fim do comportamento anormal do paciente. Esta intervenção cirúrgica valeu-lhe o Prémio Nobel de Medicina em 1949, partilhado com Walter Rudolf Hess.

Ao longo do tempo, a lobotomia foi muito contestada, pois apesar de diminuir os sintomas das doenças em alguns pacientes, provocava também alterações no comportamento das pessoas, tornando os pacientes mais apáticos. A partir dos anos 60 foi praticamente abandonada coincidindo com a descoberta de novos psicofarmcos que passaram a ser o tratamento de escolha para as doenças mentais.

Em 1939, Egaz Moniz foi atingido por um tiro, disparado por um paciente, e permaneceu na cadeira de rodas até sua morte em 1955.

António Egaz Moniz será sempre lembrado como um grande impulsionador de técnicas determinantes da imagiologia e da psicocirurgia.


Com mais de 300 títulos da sua autoria ou com a sua colaboração, Egas Moniz foi sem dúvida uma personalidade que marcou positivamente a história da medicina portuguesa. 
O seu artigo sobre a lobotomia é o mais citado dos artigos portugueses da primeira metade do século XX.



Mais informações:
http://cvc.instituto-camoes.pt/ciencia/p12.html
http://museuegasmoniz.cm-estarreja.pt/