quinta-feira, maio 05, 2011

Medicina popular

Desde a antiguidade e mesmo antes disso, a sabedoria do povo era essencial para se transmitir o conhecimento de uma geração à outra.
Os mais velhos mereciam respeito e consideração e eram mestres cercados de aprendizes querendo saber mais sobre o universo, sobre as estrelas, sobre o curso dos rios, sobre agricultura, sobre a cosntrução de casas, sobre a caça....

Com a saúde não era diferente. A incompreensão sobre os males que afetavam os povos sempre foi um assunto envolvido em mistério e mesmo magia.

Os curandeiros eram magos, que tinham o poder sobre a vida e a morte. Falavam com os Deuses em segredo e por isso eram temidos. Ninguém ousava desafia-los pois poderiam ser amaldiçoados com uma doença, febre, mazela ou mesmo a morte.

Com o passar dos anos e o maior conhecimento sobre o corpo, a ciência e a medicina, a etiologia das doenças foi sendo melhor compreendida e muitas práticas tradicionais foram sendo abandonadas.
No entanto,  a sabedoria popular ainda é evidente em muitas partes do mundo. O uso de plantas, ervas e rezas continua sendo praticada em muitos lugares e os curandeiros e as rezadeiras seguem sendo respeitados e temidos.

Hoje a medicina tradicional é respeitada e estudada. Pode ser definida como "o total de conhecimento técnico e procedimentos baseado nas teorias, crenças e as experiências indígenas de diferentes culturas, sejam ou não explicáveis pela ciência, usados para a manutenção da saúde, como também para a prevenção, diagnóstico e tratamento de doenças físicas e mentais."
Grandes exemplos vêm do norte do Brasil graças à grande população indígena que ainda habita este local e à enorme biodiversidade das plantas amazónicas.

Exemplos:

O leite de amapá doce, uma espécie de látex, retirado do tronco da árvore, é utilizado como tratamento de doenças respiratórias. 

azeite de andiroba pode ser usado para as dores nas costas.
As mulheres índias dizem que a iapacani regulariza o ciclo menstrual e acaba com a esteridade.
Os banhos-de-cheiro são muito conhecidos. Podem ter uma mistura de ervas cheirosas como a oriza e a pataqueira, raízes fortes, cascas perfumadas e cipós excitantes. Acredita-se que estes banhos tenham um poder mágico de trazer felicidade e atrair coisas boas e sorte.

A medicina tradicional também utiliza muitos animais. Para tratar o sarampo pode-se tomar caldo de lagartixa....  
Para as cólicas do intestino há quem use chá de barata.
Você tomaria?


Bibliografia: Felipe, C., Manzo, M., O grande livro do folclore, Editora Leitura 2ª edição, 2000

quarta-feira, maio 04, 2011

sexta-feira, abril 29, 2011

25 de abril: Dia Mundial da Malária

A malária...
                 ... já ameaçou a Europa e a América do Norte há 60 anos atrás
                 ... pode regressar devido às mudanças climatícas
                 ... é endémica em 106 países da ÁfricaÁsia e América Latina
                 ... em 2009 foi responsável por 781 milhões de mortes
                 ... a cada 45 segundo mata uma criança?
             


 
O tema de 2011 "Alcançando Progresso e Impacto" ressalta os esforços da comunidade internacional para reduzir a zero o número de mortes causados pela malária até 2015.
Convida a comunidade a partilhar do progresso e impacto das medidas tomadas até hoje para a prevenção e tratamento da malária de forma a encorajar ações e investimentos futuros contra esta doença.

Reduzir o impacto da malária é fundamental para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento do Milénio.
Não envolve somente o combate à doença, mas também a promoção dos direitos à saúde das mulheres e crianças, acesso à educação e a redução da probreza extrema.
A malária além de ser uma causa de morte e de doença em si, provoca também um grande  absenteismo no trabalho e escola contribuindo diretamente para o atraso no desenvolvimento de qualquer sociedade.
Medidas simples para o controle da malária podem salvar milhões de vidas.
Redes tratadas com inseticida de longa duração,
Plverização de inseticida nas casas,
Testes de diagnóstico eficazes e
Farmacoterapia antimalária.

Estes esforços atuais de controle contribuiram para salvar 736 700 vidas de crianças em 34 países da África entre 2010 e os primeiros meses de 2011.
Sete dos oito países da CPLP têm casos de malária. Isso deve ser uma preocupação para os tomadores de decisão e profissionais de saúde, assim como da própria população.
 

quarta-feira, abril 27, 2011

segunda-feira, abril 25, 2011

23 de Abril: Dia mundial do livro e dos direitos autorais

O dia mundial do livro e dos direitos autorais foi criado em 1995 durante a XXVIII Conferência Geral da UNESCO para promover a leitura, publicação de livros e a proteção de direitos autorais.

O dia foi escolhido pois tanto Miguel de Cervantes quanto  William Shakespeare faleceram no dia 23 de abril.

É um dia para lembrar o prazer da leitura e incentivar a população a dar uma atenção especial ao livro.
Desde sempre, o Homem tem necessidade de se expressar e registrar fatos de seu quotidiano.
Os homens das cavernas deixaram-nos desenhos de suas casas, dos animais que os rodeavam, de suas caçadas gravados em pedra.
E por isso hoje, podemos saber como era sua vida.

Com o passar do tempo, novas técnicas foram surgindo como o papiro, o papel e, mais recentemente, a forma eletrónica de se expressar que possibilita a existência de livros online ou mesmo em pequenos aparelhos que levamos de um lado a outro.
E surgem novas questões que não estavam presentes há poucos anos atrás, como os livros impressos vs livros eletrónicos. A questão da preservação do meio ambiente e das árvores assim como os direitos autorais. 

As bibliotecas azuis em português são a prova da importância do livro tradicional. Contendo informação sobre variadas áreas em saúde como doenças infecciosas, saúde materna, saúde infantil, vacinas, SIDA, malária, manuais de gestão e saúde pública, entre outros.

Esta coleção tem mais de 180 livros e desde 2006  já até hoje já foram distribuídas mais de 134 biblotecas pelos 5 países africanos de língua oficial portuguesa (PALOP) como Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe.

Esta iniciativa está associada ao programa ePORTUGUESe da Organização Mundial de Saúde.

 
Para saber mais:
http://eportuguese.blogspot.com/

sexta-feira, abril 22, 2011

Como se calcula a data da Páscoa?

Parece mentira, mas até hoje não existe um consenso sobre a data em que se deve celebrar a Páscoa que já passou por quatro grandes fases ou estágios.

Primeiro estágio
A primeira grande discussão para determinar uma data para a Páscoa aconteceu por volta de 190 dC. Até esta data, e segundo a tradição antiga, celebrava-se a Páscoa no décimo quarto dia do primeiro mês do calendário judeu. Neste dia dever-se-ia sacrificar um cordeiro para celebrar a festa da "passach" ou provedora da vida. Este dia marcava o final do jejum, não importando o dia da semana, pois estava relacionado com o calendário lunar.
Porém, este não era o costume nas igrejas do resto do mundo que por tradição apostólica, o jejum deveria terminar no dia da ressurreição de Jesus.
Por volta de 195 dC, o Papa Vítor I queria excomungar todos os quartodecimanos, transformando a diferença de práticas em uma controvérsia completa.

Segundo estágio
A segunda fase desta controvérsia sobre a data da Páscoa foi durante o primeiro Concílio de Niceia, realizado em 325 dC. Considerando que o grande festival da Páscoa deveria ser sempre celebrado no domingo e não obrigatoriamente coincindir com uma fase da lua que pudesse ocorrer em qualquer dia da semana, surgiu uma nova disputa sobre como determinar qual o domingo da Páscoa.
Os cristãos siríacos sempre observaram o seu festival de Páscoa no domingo seguinte à celebração judaica do "passach". Por outro lado, em Alexandria e no resto do Império Romano, os cristãos calculavam a data da Páscoa por si mesmos, sem prestar atenção nos outros. Desta forma, a data da Páscoa num lugar nem sempre coincidia com a data de outro.
Os alexandrianos, por seu lado, aceitavam como princípio que o domingo de Páscoa deveria necessariamente ocorrer após o equinócio da primavera. http://eportuguese.blogspot.com/2011/03/voce-sabe-o-que-e-equinocio.html

Terceiro estágio
Os missionários romanos chegando na Britânia encontrram os cristãos britânicos e os missionários irlandeses, que evangelizaram os ingleses aderindo a um sistema de computação da data da Páscoa que diferia do que era usado no mundo mediterrâneo.
Este sistema britânico-irlandes fixava a Páscoa no domingo que estivesse no período de sete dias entre o décimo-quarto e o vigésimo dia do mês lunar, de acordo com um ciclo de 84 anos. Mas esta diferença no cômputo levava a uma discrepância com o método alexandrino.
Aos poucos, este ciclo de 84 anos (chamado de latercus) cedeu ao cômputo alexandrino que foi finalmente adotado na Irlanda e no norte das ilhas britânicas no final do século VIII dC.

Quarto estágio
Após a promulgação do calendário gregoriano em 1582, a cristandade ocidental passou a seguir um método diferente de computar a data da Páscoa do que até então era aceito. A maior parte das igrejas ortodoxas continuaram a seguir a prática antiga alexandrina, e esta diferença permanece até hoje, a despeito de diversas tentativas de alcançar um método comum.
Em 1997, o Conselho Mundial de Igrejas propôs uma reforma do método, na qual a Páscoa seria definida como o primeiro domingo após a primeira lua cheia astrônimica posterior ao equinócio da primavera.
A reforma seria implementada a partir de 2001, uma vez que naquele as datas da Páscoa no ocidente e no oriente coincidiram. Porém, até hoje ela ainda não foi implementada.

Páscoa em diversos idiomas


Afrikaans
Paasfees

Francês
Pâques

Norueguês
Påske
Albanês
Pashkët

Grego
Πάσχα (Pascha)

Persa
Pas`h
Alemão
Paisken

Hebreuפסחא (Pascha)

Polonês
Pascha
Amharic
Fasika

Holandês
Pasen or paasfeest

Português
Páscoa
Árabeعيد الفصح (Aīd ul-Figh)

Islandês
Pákar

Romeno
Paşte
Azeri Pasxa
Fish

Indonesio
Paskah

Russo
Пасха (Paskha)
Berber
tafaska (nowadays it is the name of the Muslim "Festival of sacrifice")

Irlandês
Cáisc

Escosses Gaelic
Casca
Catalão
Pasqua

Italiano
Pasqua

Espanhol
Pascua
Dinamarquês
Påke

Japonês
Seidai Pasuha, "Holy and Great Pascha", used by Eastern Orthodox members

Sueco
Påsk
Esperanto
Pasko

Latin
Pascha or Festa Paschalia

Filipino
Pasko ng Muling Pagkabuhay (literally "the Pasch of the Resurrection")
Faroese
Pákir (plural, no singular exists)

Malayalamപെശഹ (Pæsacha/Pæsaha)

Turco
Paskalya
Finlandês
Pääsiänen

Northern Ndebele
Pasika

Galês
Pasg




segunda-feira, abril 18, 2011

Rendas de Bilros


É impossível ficar indiferente a estas rendas com este trabalhado tão típico e com uma beleza magnífica.

Mas sabe o que são Rendas de Bilros?
Ou melhor, você sabe o que são Bilros?

A Renda de Bilros é produzida pelo cruzamento sucessivo ou entremeado de fios têxteis, executado sobre o pique e com a ajuda de alfinetes e dos bilros.

O pique é um cartão, normalmente pintado da cor açafrão para facilitar a visão por parte da rendilheira, onde se decalcou um desenho, feito por especialistas. A origem do desenho está na criatividade da autora, que por vezes recorre à estilização de objetos naturais como as flores e animais.
Os fios são manuseados por meio de pequenas peças de madeira torneada que têm o nome de bilros, daí a origem do nome das rendas.
O bilro, numa das extremidades, tem forma de pêra alongada ou de esfera. Na outra extremidade é enrolada a linha, que vai sendo usada à medida que o trabalho avança.
Os bilros são manejados aos pares pela rendilheira que imprime um movimento rotativo e alternado a cada um, orientando-se pelos alfinetes. O número de bilros utilizado varia conforme a complexidade do desenho.
  As rendas de bilro mais famosas eram as de Milão e de Bruges, utilizadas para adornar paramentos eclesiásticos, trajes das cortes europeias e vestidos de noivas.
 
Em Portugal as rendas flamengas estiveram muito em voga no tempo de D.João V (1689 - 1750).

Esta forma de artesanato espalhou-se de Portugal continental, até  ao arquipélago da Madeira e aos Açores, e foi através das mulheres portuguesas que chegou ao Brasil, onde é praticada, principalmente no Nordeste.

A sua origem não é consensual

Há quem acredite que surgiu do bordado, mas a diferença entre o bordado e a renda é evidente.
No bordado faz-se a aplicação de um ornamento feito no tecido com uma agulha, enquanto que a renda resulta do entrelaçamento de fios, numa urdidura que se desenvolve com a forma de desenho, sem ter um fundo de tecido.
Admite-se que os Fenícios possam ter sido agentes divulgadores das rendas, através das suas trocas comerciais, ao longo da costa marítima.
Outra corrente afirma que tiveram origem no oriente (China ou Índia), tendo chegado a Portugal através da Itália no século XV.

Atualmente, há uma escola em Vila do Conde, ao norte de Portugal  onde se assegura a continuidade desta prática artesanal, e o “Museu das Rendas” em Vila do Conde que nos dá a oportunidade de conhecer os aspectos históricos da renda de bilros, a técnica de trabalho e os instrumentos utilizados.

Em Peniche, no centro de Portugal, a renda de bilros destaca-se de todas as outras produzidas no país. O processo de urdidura em que as rendeiras de Peniche trabalham com as palmas das mãos voltadas para cima.
E na renda de Peniche não se distingue o direito do avesso.

Hoje em dia, as Rendas de Bilro ainda se usam, com diversas aplicações em peças de vestuário, adereços, como brincos e colares e paninhos.


Para ter noção do trabalho e da destreza das mãos de uma rendilheira experiente, veja o vídeo!!