segunda-feira, agosto 15, 2011

As origens e evolução étnico-cultural dos PALOP (2) Guiné-Bissau

Na semana passada, começamos uma série para conhecer a enorme diversidade cultural e étnica dos Países Africanos de Lingua Oficial Portuguesa.Conhecemos Angola e Cabo Verde e hoje nos dedicamos à Guiné-Bissau, um país pequeno na costa ocidental da África cujas raizes nativas ainda são bastante fortes.

Mapa etnográfico da Guiné-Bissau (1950)
A Guiné-Bissau foi parte do Império Mali, localizado no noroeste da África, que teve seu apogeu durante os séculos XIII e XIV. Um dos três grandes Impérios Africanos que dominaram a região.

O primeiro foi o Império de Songhai que dominou a região do rio Níger. O segundo foi o Império de Gana que foi desaparecendo com a imposição dos berberes e muçulmanos até que em 1240, o rei do Mali, Sundiata Keita, os conquistou erguendo o Império de Mali, considerado o maior o maior de todos os impérios medievais africanos.
O Império teve seu apogeu no início do século XIV com o governo de Mansa Mussa, que converteu todo o Império para o Islamismo. Em sua peregrinação a Meca (como costume de um islã), Mansa Mussa fez-se acompanhar de cerca de 15 mil homens, 100 camelos e uma expressiva quantidade de ouro.
Nessa peregrinação ele trouxe para  o Mali vários mercadores e sábios que ajudaram na divulgação da religião islâmica. Aos poucos, a capital do Império passou a ser um grande centro comercial e um grande centro de estudos religiosos. O Império Mali controlava as rotas comerciais transaarianas da costa sul ao norte. Dentre os principais produtos comercializados estavam o ouro, o sal, o peixe, o cobre, escravos, couro de animais, nós de cola e cavalos.

Foi somente no século XIX que os portugueses assumiram pleno controle do território da Guiné-Bissau.

Este percurso histórico contribuiu para uma grande diversidade étnica, linguística, cultural e social na Guiné-Bissau, cujos principais grupos étnicos africanos são:
· Balante - representam aproximadamente 30% da população e são o maior grupo étnico da Guiné-Bissau, divididos em 4 sub-grupos. Estão concentrados na região central do país e são conhecidos como "aqueles que resistem". Os Balante migraram da região do Egito, Etiópia e Sudão para a Guiné-Bissau entre os séculos X e XIV, espalhando-se pelo território durante o século XIX, procurando escapar à expansão de outros reinos.
A sua organização social dificultou a colonização portuguesa.
Embora o Cristianismo e sobretudo o Islamismo sejam praticados, as crenças dos Balante são em grande parte animistas.
· Fulani - formam 20% da população e se encontram mais ao norte. Estão distribuídos por vários países como a Nigéria, o Mali, Camarões e o Senegal e são considerados o maior grupo nómade do mundo.
São descendentes de povos nómadas do norte de África e África sub-sahariana, tendo sido dos primeiros povos a converter-se ao Islamismo, estabelecendo-se com uma grande força religiosa, política e económica na África ocidental.
São hoje um grupo bastante heterogéneo devido à mistura e integração de outros povos ao longo do tempo.
· Manjacos (14%) - denominados entre si de manjaku, falam o Manjaku e habitam as ilhas de Pecixe e Jata e as margens dos rios Cacheu e Geba, na região centro e norte da Guiné-Bissau. Dedicam-se sobretudo à agricultura e as suas crenças são maioriariamente animistas, embora também existam muçulmanos e cristãos.
· Mandinka (13%) - são um dos maiores grupos étnicos africanos, com cerca de 11 milhões de pessoas. Maioritariamente muçulmanos, os Mandinka são originários do Império do Mali. Hoje habitam vários países de África Ocidental como a Guiné-Bissau, Gâmbia, Serra Leoa, Costa do Marfim, Senegal, Burkina Faso, etc. Durante os séculos XVI a XVIII aproximadamente um terço da população Mandinka foi enviada como escravos para as Américas, pelo que muitos afro-americanos nos EUA descendem dos Mandinka.
A aprendizagem entre os Mandinka é sobretudo feita através da tradição oral e de histórias, canções e provérbios, tendo os anciãos um papel importante enquanto líderes e transmissores de conhecimento.
Entre os Mandinka é comum as crianças receberem o nome de alguém importante na sua família.
 · Papel representam 7% da população e se encontram nas áreas costeiras. Devido à sua localização foram juntamente com os Manjacos, os Balanta e os Jola, muito afetados pela exploração européia de escravos nos séculos XV e XVI.

Outro povos e grupos étnicos do país incluem:
· Bassari - falam o-niyan como língua e as suas crenças são predominantemente animistas. Os Bassari são próximos dos Fula.
· Jola - entre esta etnia é comum a poligamia e as relações familiares são bastante fortes assim como os casamentos arranjados entre as famílias. Suas crenças são maioritariamente islamistas, ainda que mantenham muitas das crenças tradicionais africanas.
 Embora não exista formalmente um sistema social de divisão de castas, os Jola ~se agrupam em diversos clãs, com nomes específicos. Sobrevivem basicamente da agricultura, especialmente a cultura de arroz, e há uma separação entre as tarefas atribuídas aos homens e às mulheres.
· Mankanya - falam o Mankanya e são sobretudo Católicos, embora mantenham as suas crenças animistas.

 · Bijagó fazem parte de arquipélago com 88 ilhas ao largo da costa da Guiné-Bissau. A maioria das ilhas é desabitada e a população fala maioritariamente o Bijagó e pratica religiões animistas. São profundamente crentes e dedicam cerca de cem dias por ano a rituais religiosos. O arquipélago conta com ampla autonomia administrativa. 
A ilha de Orango, a mais distante do continente tem uma sociedade matriarcal onde as mulheres escolhem os maridos ao cozinhar-lhes um prato (tradicionalmente peixe) que, sendo aceite e comido pelo pretendido, se torna o selo da união.

A Guiné-Bissau possui também uma população minoritária mulata originária de Cabo Verde.








Direito das Mulheres - você conhece?

sexta-feira, agosto 12, 2011

De onde vem o dia dos pais?

Fonte da imagem

Todo feliz, usando a camisa social que ganhou dos filhos, com as golas dobradas para não sujar, o paizão faz churrasco para a família que senta-se à mesa, rindo e lembrando histórias em comum. Aqueles que moram longe se atualizam das novidades um do outro e aqueles que moram perto mas não se vêem muito combinam de tomar um café juntos na próxima semana. Além de comemorar a vida do pai, aquela é uma oportunidade de fortalecer e renovar os laços familiares, que o tempo e as rotinas separadas de cada um tornaram mais tênues.
Essa é uma cena que provavelmente muitos de nós já vivemos em vários anos no Dia dos Pais. Mas será que muitos também já pararam para pensar na origem desse dia especial?

Demos uma volta pela Internet para tentar descobrir. Se tiver ocasião, de repente esse é um bom assunto para se falar na mesa de almoço nesse domingo especial.
As Origens
A primeira homenagem ao pai da qual se tem registro foi feita na antiga Babilônia. Há mais de quatro mil anos, um rapaz esculpiu um "cartão" para o pai, desejando sorte, saúde e uma longa vida.  

Mas muitos séculos se passaram antes que as homenagens ao pai virassem evento oficial. Muitas fontes na Internet dizem que o Dia dos Pais, como ocasião especial, foi comemorado pela primeira vez nos Estados Unidos, em 19 de junho de 1910. A data era próxima do aniversário de William Jackson Smart, um veterano de Guerra Civil que criou seis filhos sozinho depois que a esposa morreu no último parto.

Uma das filhas de William, Sonora Louise Dodd, pediu à igreja local para criar um dia para homenagear a coragem e dedicação do pai dela e dos pais em geral. Ela pensava que como as mães tinham um dia assim, os pais também deveriam ter, e a igreja concordou. Os anos se passaram e o Dia dos Pais gradualmente transformou-se de uma pequena comemoração na cidade de Sonora -- Spokane, Washington -- em um evento nacional e depois mundial.

Em 1916, o presidente americano Calvin Coolidge foi à Spokane e discursou em comemoração do Dia dos Pais.
Cinquenta anos depois, Lyndon Johnson declararia, em proclamação presidencial, o terceiro domingo de junho como o Dia dos Pais nos EUA.
Essa data é a mais usada entre as dezenas de países que comemoram o Dia dos Pais, enquanto alguns escolheram outras datas de importância simbólica, principalmente religiosa. 
Imagem do site http://www.fotosimagens.net/dia-dos-pais.html

Dia dos Pais no Mundo

No Brasil, o publicitário Sylvio Bhering é tido como o importador da idéia do Dia dos Pais,  comemorado-o pela primeira vez em 14 de agosto de 1953. Na época, a imprensa do país organizou um concurso onde o pai mais jovem, o pai mais velho e o pai com mais filhos seriam homenageados publicamente. Ganharam um pai de 16 anos, um de 98 anos e um com 31 filhos.

O primeiro Dia dos Pais no Brasil coincidiu com o Dia de São Joaquim, padroeiro da família, e é agora oficialmente comemorado todo ano no segundo domingo de agosto (época do Dia dos Pais também em Samoa e em Taiwan).

Portugal, Itália, Espanha e países africanos de língua oficial portuguesa seguem a tradição católica mais à risca, tendo o Dia dos Pais em 19 de março, Dia de São José, o pai de criação de Jesus Cristo.
Em 2009 em Angola, o Dia dos Pais chegou a ser festejado pelo Ministério da Família e Promoção da Mulher, com o intuito de promover os direitos e deveres dos pais diante dos filhos e homenagear os que se sobressaem no papel. 
Já a Alemanha comemora o Dia dos Pais no Dia da Ascenção de Cristo que é feriado nacional, quarenta dias depois da Páscoa. É costume nesse dia realizarem-se passeios pelas florestas entre grupos de homens de diferentes gerações, regados à muita cerveja e comidas típicas.  

Na Argentina, Paraguai, Perú, Reino Unido e Canadá, o Dia dos Pais é comemorado no terceiro domingo de junho, como nos EUA.
É tradição na Argentina e Paraguai dar presentes ao pai e ter reuniões de família. Porém, no Reino Unido e Canadá não se faz muita festa nessa data, não sendo costume reunir-se com a família.
No Perú também não é uma data especial.

No primeiro domingo de setembro comemora-se o Dia dos Pais na Austrália, com o concurso de Pai do Ano reunindo algumas comunidades locais.

É também nessa época que o povo do Nepal homenageia a figura paterna, realizando cerimônia com os pais ainda vivos e indo a templos para honrar o deus Shiva e aos pais que já morreram. 
A Rússia é o país que comemora o Dia dos Pais mais cedo no ano (23 de fevereiro, que é também "dia do defensor da pátria") enquanto a Bulgária é a que o comemora mais tarde, um dia depois do natal.
Leia agora um poema do Dia dos Pais publicado no blog Vivências Contadas, sobre Moçambique:

Um Pai em Moçambique, por CSD

Aqui não foi Dia do Pai.

Pai, aqui, é ser diferente.
Pai, aqui, é estar ausente.
Pai, aqui, é ser senhor

O Dia do Pai não se celebra.
Não há necessidade
Pai é sempre
Sem tempo nem idade.

Mas os filhos gerados
A cargo delas estão
Vagueiam pela cidade
Para ganhar o tostão.

O Pai aparece já tarde
Sem tempo para ouvir
Os filhos vão para a cama
E ele vai dormir.

Pai é todos os dias,
Pai devia ser coração
Pai não é só presença
Pai é admiração.


Fontes:
Blog, Foi Desse Jeito Que Eu Ouvi Dizer: http://silnunesprof.blogspot.com/
Blog, Vivências Contadas:




quarta-feira, agosto 10, 2011

As mulheres e dois jeitos de mudar o mundo

Imagem do site GrupoEscolar.com
No ano 2000, os 191 países membros das Nações Unidas  assinaram a Declaração do Milênio: um compromisso para enfrentar a pobreza e falta de oportunidades e melhorar a saúde da população mundial.

É um esforço a ser cumprido até 2015 através de oito metas que ficaram conhecidas como os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio. Estas oito metas visam combater a fome e a pobreza extrema, a mortalidade materna, AIDS, desigualdades sociais e de gênero e o analfabetismo.

O reconhecimento da importância da mulher no desenvolvimento social é ressaltado em duas metas. (No final do post encontra-se uma lista de todos os objetivos do milênio.)

Objetivo 3:
Promover a igualdade entre
os sexos e a autonomia das mulheres

Objetivo 5:
Melhorar a saúde materna


A desigualdade entre os sexos começa no início da vida. Em muitos locais o nascimento de um menino é mais valorizado que o nascimento de uma menina. A mentalidade é que o filho cresce e ajuda os pais enquanto que as filhas trazem despesas. Na Ásia, meninas são abandonadas ao nascer e muitas vezes largadas à propria sorte. A adoção de meninas vindas do oriente é mais frequente, pois meninas são mais facilmente abandonadas em orfanatos.

Há locais em que o acesso à educação básica é mais valorizada para os meninos do que para as meninas. Espera-se que as meninas ajudem com os afazeres da casa e muitas vezes são forçadas a um casamento em tenra idade.

Um dos objetivos principais das Nações Unidas é promover a igualdade no ensino desde o básico até a universidade, até o ano 2015. O maior desafio é na África Subsaariana.

Em 2005, cinco anos depois de serem criadas as metas do milênio, aproximadamente dois terços dos países em desenvolvimento já haviam alcançado a paridade entre os sexos no que concerne a eduaçação básica.

A maior parte dos oito países de língua oficial portuguesa vem alcançando grandes progressos na igualdade de acesso ao ensino básico. Essa meta, junto com a percentagem de mulheres no parlamento nacional dos países, é um indicador de sucesso no Objetivo 3.

Brasil, Cabo Verde, Portugal e São Tomé e Príncipe têm mesmo mais meninas do que meninos cursando o ensino secundário. Moçambique ainda precisa melhorar o acesso de meninas ao ensino superior (tendo somente 0,49 meninas para cada menino cursando o nível superior), mas curiosamente é o país que tem a maior percentagem de mulheres em mandato parlamentar (39,2% do total) entre os oito.

Enquanto isso, o Brasil tem a menor percentagem de mulheres no parlamento nacional (8,6% do total), apesar de ter elegido pela primeira vez uma mulher para a Presidencia da República. Curiosamente tem a maior taxa de mulheres no ensino superior (1,29 mulheres para cada homem).

Segundo os dados oficiais da ONU, o progresso dos paises de língua portuguesa para o Objetivo 3 é:

Angola: Próximo de alcançar a paridade educacional nos níveis primário e secundário. Em 20 anos, mais do que dobrou a porcentagem de mulheres no parlamento.

- Para cada menino cursando o ensino primário, há 0,81 meninas (2008).
- No ensino secundário há 0,83 meninas na escola para cada menino (2002).
- No ensino superior há 0,65 mulheres cursando uma universidade para cada homem (2002).
- O número de mulheres no parlamento nacional aumentou de 14,5% em 1990 para 38,6% mulheres (2011).

Brasil: Paridade educacional quase alcançada pois ainda há menos meninas cursando o ensino prímário do que meninos. Apesar de ter quase dobrado o número de mulheres no parlamento em 20 anos, ainda é o país com menor representatividade de mulheres no governo.

- Para cada menino cursando o ensino primário, há 0,93 meninas (2008).
- No ensino secundário há 1,11 meninas na escola para cada menino (2008).
- No ensino superior há 1,29 mulheres cursando uma universidade para cada menino (2007).
- O número de mulheres no parlamento nacional aumentou de 5,3% em 1990 para 8,6% mulheres (2011).

Cabo Verde: Paridade educacional quase alcançada pois ainda há menos meninas cursando o ensino prímário do que meninos. Progresso na porcentagem de mulheres no parlamento em 20 anos.

- Para cada menino cursando o ensino primário, há 0,93 meninas (2009).
- No ensino secundário há 1,18 meninas na escola para cada menino (2009).
- No ensino superior há 1,27 mulheres cursando uma universidade para cada homem (2009).
- O número de mulheres no parlamento nacional aumentou de 12% em 1990 para 18,1% mulheres (2011).

Guiné-Bissau: Paridade educacional não alcançada. Porcentagem de mulheres no parlamento baixou pela metade em 20 anos.

- Para cada menino cursando o ensino primário, há 0,67 meninas (2000).
- No ensino secundário há 0,55 meninas na escola para cada menino (2000).
- No ensino superior há 0,18 mulheres cursando uma universidade para cada homem (2001).
- O número de mulheres no parlamento nacional diminuiu de 20% em 1990 para 10% mulheres (2011).

Moçambique: Próximo de alcançar a paridade educacional no nível primário mas não no superior. No entanto, mais do que dobrou a porcentagem de mulheres no parlamento em 20 anos.

- Para cada menino cursando o ensino primário, há 0,90 meninas (2009).
- No ensino secundário há 0,79 meninas na escola para cada menino (2009).
- No ensino superior há 0,49 mulheres cursando uma universidade para cada homem (2005).
- O número de mulheres no parlamento nacional aumentou de 5,7% em 1990 para 39,2% mulheres (2011).

Portugal: Paridade educacional praticamente alcançada no ensino primário, já alcançada em níveis mais altos. Porcentagem de mulheres no parlamento quase quatro vezes maior em 20 anos.

- Para cada menino cursando o ensino primário, há 0,97 meninas (2009).
- No ensino secundário há 1,04 meninas na escola para cada menino (2009).
- No ensino superior há 1,19 mulheres cursando uma universidade para cada homem (2009).
- O número de mulheres no parlamento nacional aumentou de 7,6% em 1990 para 27,4% mulheres (2011).

São Tomé e Príncipe: Paridade educacional já alcançada no ensino primário e secundário. Progresso na porcentagem de mulheres no parlamento em 20 anos.

- Para cada menino cursando o ensino primário, há 1,01 meninas (2009).
- No ensino secundário há 1,12 meninas na escola para cada menino (2009).
- No ensino superior há 0,93 mulheres cursando uma universidade para cada homem (2009).
- O número de mulheres no parlamento nacional aumentou de 11,8% em 1990 para 18,2% mulheres (2011).

Timor Leste: Paridade educacional já praticamente alcançada, exceto no ensino superior. Há aumento na porcentagem de mulheres no parlamento na última decada (desde a restauração da independência).

- Para cada menino cursando o ensino primário, há 0,95 meninas (2009).
- No ensino secundário há 1 menina na escola para cada menino (2005).
- No ensino superior há 0,71 mulheres cursando uma universidade para cada homem (2009).
- O número de mulheres no parlamento nacional aumentou de 26,1% em 2003 para 29,2% mulheres (2011).


Fonte:
Indicadores dos Objetivos do Milênio: http://mdgs.un.org/unsd/mdg/Data.aspx

segunda-feira, agosto 08, 2011

As origens e evolução étnico-cultural dos PALOP - Angola e Cabo Verde

Como já dissemos antes, a África apresenta uma enorme diversidade cultural e étnica, não só entre países, mas também dentro de cada país.
Neste continente em que a dança e a canção são importantes formas de comunicação e em que as expressões culturais nativas, apesar de se verem misturadas a culturas de outros povos (nativos ou não), continuam fortes e enraizadas tão profundamente que nem a forte presença colonial europeia apagou. 
A rede ePORTUGUÊSe resolveu conhecer um pouco mais a fundo os grupos étnicos que caracterizam os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP). Começamos hoje por Angola e Cabo Verde e na próxima segunda-feira, falaremos dos grupos étnicos da Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe.

Com certeza, cada um de nós se reconhecerá um pouco.......
Ao longo dos séculos, a África foi recebendo migrantes de outras partes do mundo que aí se estabeleceram, como os Árabes e os Europeus que se infiltraram um pouco por toda a África desde o século XVII, altura em que começaram a chegar também migrantes do sul asiático.
Nos PALOP habitam, ainda hoje, numerosas tribos e grupos étnicos distintos que, com suas próprias crenças e expressões culturais, refletem uma enorme miscigenação que foi moldando a cultura de cada país.
Angola, populada desde muito cedo, era originalmente habitada pelos povos Sam ou Khm que, com a chegada e domínio dos Bantu, foram forçados a deslocarem-se para a região do deserto de Namibe, no sul do país.

Os Bantus constituem um grupo etnolinguístico que se localiza principalmente na África subsaariana com mais de 400 subgrupos diferentes. A unidade deste grupo, contudo, se traduz pela unidade da língua, uma vez que essas centenas de subgrupos têm como língua materna uma língua da família banta.

Expansão dos povos Bantu

Atualmente, a população angolana é majoritariamente composta pelo povo Bantu, que se subdivide em diversos grupos etno-linguísticos, tais como: 
·  Ovimbundu - originários da região de Benguela (costa sudoeste de Angola), eram tradicionalmente comerciantes, agricultores e pastores, economicamente superiores a outras tribos. A sua cultura foi bastante afectada pela colonialização e pelo contacto com os portugueses. Representam 37% da população angolana.
·  Kimbundu (25%) - também chamados Mbundu, falam o Kimbundu, a terceira língua mais falada em Angola, falada por 1/3 da população. Têm origem no reino Mbundu, estabelecido por volta de 1400, cujo chefe, Ngola, deu o nome ao país. Vivem hoje sobretudo na região de Luanda e províncias de Bengo, Cuanza Sul e Norte e Malange (noroeste e centro norte). Embora tenham perdido uma parte da sua cultura tradicional durante o período de colonização, mantêm até hoje os seus valores e estruturas centrais enquanto comunidade matriarcal.
·  Bakongo (13%) - presentes também no Congo, os povos Kongo chegaram a Angola no século XIII, desenvolvendo-se de forma próspera e organizada até à chegada dos portugueses. A religião católica abriu então caminho entre os Bakongo, através dos missionários,  mas prevalecem, até hoje, suas crenças tradicionais baseadas principalmente no profetismo e messianismo, com importantes repercussões na organização política e social do povo, cujas tribos se encontram fragmentadas de acordo com a sua linhagem.

Não é à toa que são falados 42 idiomas em Angola, com 6 línguas oficiais: Português, Kikongo, Kimbundu, Mbunda, Chokwe e Oshiwambo.
Rainha Nzinga com o governador português em Luanda em 1657.

Cabo Verde, devido à sua localização junto à costa da África Ocidental, era um ponto de paragem obrigatória para os navios que se dirigiam à América do Sul, pelo que se transformou, durante o período da colonização portuguesa, num importante centro de comércio e porto de reabastecimento.

O arquipélago recebia os escravos negros, que se foram misturando com os portugueses, dando origem a uma população mestiça.

Em todos os seus aspectos, a cultura de Cabo Verde caracteriza-se por uma miscigenação de elementos europeus e africanos. Não se trata de um somatório de duas culturas, convivendo lado a lado, mas sim, um terceiro produto, totalmente novo. Hoje em dia, a população de Cabo Verde é maioritariamente Criola (71%).

Os Europeus constituem apenas 1% da população e esta mistura é hoje evidente nas tradições orais e musicais de Cabo Verde. A população inclui outros povos nativos, que representam cerca de 28%.
Após a independência, uma grande parte da população cabo-verdiana deixou o país em busca de melhores oportunidades de trabalho. Hoje, a diáspora é 3 vezes maior do que a população do país.
A língua oficial é o português mas a língua nacional e falada pelo povo é o criolo caboverdiano (criol, kriolu). Cada uma das dez ilhas de Cabo Verde tem um criolo diferente. O criolo está oficialmente em processo de normatização e criação de uma forma escrita, visto que era somente um idioma falado. Hoje, discute-se a possibilidade do criolo tornar-se a segunda língua oficial do país.



Fontes:

 


National African Language Resource Center - http://www.nalrc.wisc.edu/
The Africa Guide - http://www.africaguide.com/
Encyclopaedia Britannica - http://www.britannica.com/
Countries and their Cultures - http://www.everyculture.com/
U.S. Department of State - http://www.state.gov/

sexta-feira, agosto 05, 2011

O sumiço das mães

No vídeo abaixo, a Turma da Mônica mostra um pouco do que seria um mundo sem mães e a importância de lutar por elas:



quarta-feira, agosto 03, 2011

Lampião, o Rei do Cangaço

Versos de Gonçalo Ferreira da Silva, do cordel

"Lampião - O Capitão do Cangaço":

O século passado estava
dando sinais de cansaço,
José e Maria presos
por matrimonial laço
em breve seriam pais
do grande rei do cangaço.
No dia quatro de junho
de noventa e oito, a pino
estava o Sol, e Maria
dava à luz um menino
que receberia o nome
singular de Virgulino.

No dia 28 de julho completou-se 73 anos do falecimento de Virgulino Ferreira da Silva, o famoso cangaceiro brasileiro Lampião.

Virgulino nasceu no estado de Pernambuco em 1898, sendo o terceiro de muitos filhos de José Ferreira da Silva e Maria Lopes.
O sustento da família vinha do criatório e da roça onde trabalhavam seu pai e seus irmãos mais velhos.
Virgulino e seu irmão Livino se encarregavam de transportar mercadorias no lombo de uma tropa de burros. Os trajetos variavam muito, o que ajudou-lhe a ter um conhecimento dos caminhos do sertão que seria valioso para o cangaceiro Lampião anos depois.

Lampião foi um dos bandidos mais temidos e procurados da época. Ele liderou um movimento social no nordeste do Brasil chamado cangaço.

Ao contrário do que muita gente pensa ele não foi o primeiro cangaceiro, mas sem dúvida nenhuma foi o mais importante de todos.

Segundo os historiadores houve duas formas de cangaço:
Grupos de homens armados que eram sustentados por seus patrões, na maioria donos de terras ou políticos, que os utilizavam para a defesa de suas terras. Estes moravam nas propriedades onde trabalhavam e eram subordinados aos seus patrões.

O outro grupo era formado por homens armados, liderados por um chefe. Mantinham-se em bandos, errantes, sem endereço fixo, e sem se ligar permanentemente a nenhum chefe político ou família.
Estes viviam em constante luta com a polícia, até serem mortos ou presos.
Os cangaceiros conheciam muito bem a caatinga (principal tipo de vegetação do nordeste do Brasil) o que facilitava a fuga das autoridades.

Lampião, também denominado o "Senhor do Sertão" ou "Rei do Cangaço," era um cangaceiro livre. Atuou durante as décadas de 1920 e 1930. Percorreu sete estados da região causando grandes transtornos à economia do interior.

Seu nome e seus feitos chegavam a todos os cantos do país e até ao exterior, o que lhe fez de objeto de reportagens da imprensa internacional.

Em 1930, casou-se com Maria Bonita, que foi a primeira mulher a participar do cangaço. Virgulino, tinha em torno de 50 pessoas no seu grupo, conhecidos como jagunços, e era procurado por mais de 4 000 soldados em vários estados brasileiros.

Ele se tornou amigo de coronéis e grandes fazendeiros, que lhe forneciam abrigo e apoio material em troca de nunca serem assaltados por seu grupo.

Os jagunços invadiam e assaltavam, apropriavam-se de terras, roubavam joias e animais. Sua vestimenta era basicamente de couro, adereços coloridos e chapéus característicos.

Como a ousadia e o destemor de Lampião estavam presentes em noticiários do país inteiro, as autoridades se sentiam publicamente desafiadas. Sua captura ou morte passou a ser uma questão de honra.

Em 1938, Lampião foi morto numa emboscada. Sua cabeça foi decapitada e exposta à população como trunfo e vitória da policia contra a bandidagem.

O movimento dos cangaceiros continuou através de seu seguidor, Corisco, que se dedicou a vingar a morte de Lampião.
Porém em 1940 o cangaço chegou ao fim, com a morte de Corisco.

Lampião é odiado e idolatrado com igual intensidade, e tem sua imagem viva no imáginario popular mesmo depois de 70 anos de sua morte.

Ele teve grande influência nas artes, música, pintura, literatura e cinema do Brasil.