segunda-feira, novembro 07, 2011

“O Último Segredo”

O Último Segredo, um romance com 209 páginas será lançado em Luanda no dia 25 de novembro.

Esta é a terceira obra literária, do autor, Tazuary Nkleita mais conhecido como o jornalista José Soares Caetano, que além de trabalhar para o Escritório de Representação da OMS em Angola é também um dos pontos focais da rede ePORTUGUÊSe no país.

Seus romances anteriores são:
A Voz do Dibengo e a A Minha Pulseira de Ouro.

 Ao escrever O Último Segredo José Caetano teve a intenção de partilhar seus 36 anos de jornalismo e pleitear sua admissão como membro da União de Escritores Angolanos (UEA).

Neste livro, José Caetano entra na intimidade de uma família, espelhando o dia a dia dos angolanos e as diferenças entre os segredos da vida pública e da vida privada.

Ao longo da história, a mulher (Yianda Dibaia) vai mostrar que está farta dos mistérios do marido, (Tulu Dibaia) uma notável figura pública, e combina com as crianças para que obriguem o pai a revelar O Último Segredo à família.

Mas para saber mais, leia o livro!!!!


sexta-feira, novembro 04, 2011

José Paranaguá de Santana e o Programa de Cooperação Internacional em Saúde

O Dr. José Paranaguá de Santana é natural do estado do Piuaí no Brasil,  é médico formado pela Universidade de Brasília, onde também cursou Residência em Medicina Comunitária e Mestrado em Medicina Tropical.
Há vários anos trabalha para a Organização Pan Americana da Saúde no Brasil como consultor de recursos humanos em saúde.

É um grande defensor das políticas públicas de saúde em seu país e tem atuado na promoção da Cooperação Internacional, especialmente nos últimos anos, quando assumiu a coordenação do Programa de Cooperação Internacional em Saúde entre o Ministério da Saúde do Brasil, a Fundação Oswaldo Cruz e a Organização Pan Americana da Saúde (OPAS), Organização Mundial da saúde (OMS).

O QUE É O PROGRAMA DE COOPERAÇÃO INTERNACIONAL EM SAÚDE (TC 41)?
 
JPS: O TC 41 é uma associação virtuosa da cooperação internacional promovida pela OPAS/OMS com forte apoio do governo brasileiro. É um programa de fortalecimento da cooperação internacional do Brasil, criado há seis anos, com a função de potencializar iniciativas promovidas pela Organização, no que se chama de cooperação técnica entre países, com recursos que são próprios da Organização e também recursos doados pelo governo brasileiro para essa finalidade. Isto porque o país tem interesse de intensificar a cooperação que ele realiza a países que tem situações socioeconômicas parecidas com a nossa e que não dispõem das condições que acumulamos com a implantação do SUS, desenvolvimento de tecnologia assistencial, tecnologia gerencial, educacional e de integração ensino-serviço. Sem falar na forte base de desenvolvimento científico e tecnológico que o Brasil dispõe e a indústria, que está sendo mobilizada para incorporar inovações desse processo de desenvolvimento aos sistemas e serviços de saúde. Então é uma posição de solidariedade internacional do Brasil, que tem o objetivo claro de fortalecer o sistema das Nações Unidas. Esse termo de cooperação foi assinado há seis anos e está voltado para duas regiões de interesse prioritário do país, que também são de interessem para a OPAS/OMS, que são:  a  América do Sul e a África, particularmente os países de língua portuguesa.

Nesse sentido, como senhor vê  o papel da Rede ePORTUGUESe como promotora de sinergias entre esses países?
JPS: Este programa da OMS foi estabelecido com vistas a apoiar especialmente os países africanos de língua portuguesa que têm condições mais difíceis de acesso à documentação, literatura e instrumentos científicos. É por isso que a representação da OPAS/OMS no Brasil, junto com o Ministério da Saúde, tem colaborado com a Rede de forma que os produtos e textos de orientação técnicos sejam produzidos em número suficiente para serem disponibilizados para distribuição das Bibliotecas Azuis.

As Bibliotecas Azuis são muito requisitadas na África pois a informatização ainda é lenta e cara. Como a OPAS Brasil pode colaborar mais?
JPS: Acredito que já temos colaborado bastante à medida que procuramos fazer com que os manuais técnicos tenham uma cota para doação aos países de língua portuguesa. Mas acho que é possível intensificar essa negociação junto ao Ministério da Saúde, de forma a ampliar o número de exemplares e reeditar manuais que ainda não estejam no acervo das Bibliotecas Azuis. Fora isso, creio que possamos estimular uma ampliação da comunicação via internet, usando os recursos úteis da informação científica veiculada nas Bibliotecas Virtuais de Saúde.

Considerando que as regiões da OMS foram criadas para aumentar a participação da OMS nos países da região, como você vê a colaboração entre PAHO, AFRO e HQ?
JPS: As regiões da OMS de fato têm cumprido seu papel, entretanto, para que elas possam desempenhá-lo de forma mais eficaz, a comunicação entre as representações de países deveria funcionar de forma mais ágil e direta, tanto dentro da região quanto  entre países de outras regiões. Eu cito como exemplo a Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ), que é uma instituição fortemente ligada ao TC 41. Ela tem diversos projetos que são desenvolvidos em vários países. Se não tivermos agilidade de acompanharmos a FIOCRUZ nos seus relacionamentos com instituições de países africanos, nós vamos perder oportunidades de sermos protagonistas nessa cooperação, que precisa ser mais ágil e direta.

Considerando que o Brasil desponta como um dos grandes países colaboradores, como ele pode influenciar a saúde global no mundo de hoje?
JPS:  Essa é uma constatação diante da reconhecida liderança que tem-se observado na posição do Brasil no contexto internacional que, nas últimas 4 décadas, tem evoluído de uma posição modesta do ponto de vista prático nas Relações Internacionais, para um protagonismo cada vez mais evidente. Isso não acontece só na saúde mas no âmbito geral da diplomacia. O Brasil tem uma acumulação em saúde pública no campo da pesquisa, do ensino e desenvolvimento de novas tecnologias que é muito avançada para um país no hemisfério Sul.  O conhecimento do Brasil no campo das Ciências das Saúde juntamente com a política adotada pelos últimos governos federais de aumentar o financiamento na cooperação externa, da uma posição muito evidente para o Brasil nesse campo. E isso traz reflexos expressivos para a representação da OPAS/OMS no Brasil. Há 6 anos a participação da Organização no Brasil era pequena no campo da cooperação Internacional mas hoje a OPAS/OMS Brasil está mudando o seu perfil se transformando num ponto de apoio de colaboração e fortalecimento das relações com países.

Foi nesse contexto que foi criado o Núcleo de Estudos de Bioética e Diplomacia em Saúde (NETHIS)?
JPS: O projeto de criação  de um núcleo de estudos sobre bioética e diplomacia faz parte de uma das bases do tripé que constitui a estrutura programática do TC 41, que é o fortalecimento da capacidade nacional para a cooperação internacional. O Brasil tem larga experiência de desenvolvimento na área da saúde, fortalecido pela implantação do SUS, só que tem uma experiência relativamente pequena de cooperação internacional  organizada, sistemática e que obedeça a critérios e parâmetros próprios das Relações Internacionais. Então, esse esforço de qualificar as instituições nacionais e seus quadros técnicos com a capacidade de lidar com as relações internacionais no campo da saúde e fazer cooperação técnica internacional é um esforço que está sendo feito em várias instituições brasileiras. Por isso, o NETHIS que tem como um dos objetivos cooperar com os países africanos e com os da América Latina nesse campo, na regulação ética, das políticas de saúde, pesquisa com seres humanos, alocação de recursos, ou seja, tudo aquilo que está na carta de fundação das Nações Unidas e da própria OMS, que é assegurar a saúde como direito fundamental do homem.

O portal do NETHIS pode ser acessado aqui: http://www.bioeticaediplomacia.org/

quarta-feira, novembro 02, 2011

Trick or Treating

Ir de casa em casa vestido de bruxa ou outros personagens de filmes de horror tem sido uma tradição popular do dia 31 de outubro, ou como é mais conhecido, Dia das bruxas por mais de 100 anos em diversos países.

Mas você sabe a origem deste ritual?
O Halloween ou dia das Bruxas tem suas raízes na era pré cristã, mais precisamente no festival celta SAMHAIN que comemorava-se no dia 31 de outubro.

Os celtas viveram há mais de 2000 anos no que chamamos hoje de Irlanda, outras partes da Inglaterra e França.

Eles acreditavam que os mortos retornavam à terra no dia do SAMHAIN. Neste dia, as pessoas se reuniam em torno de fogueiras, oferecer sacrifícios e homenagear os entes falecidos.

Durante algumas destas celebrações as pessoas se fantasiavam com roupas feitas de peles de animais para afugentar os visitantes “fantasmas”. Grandes banquetes eram preparados e deixados como oferta fora das casas,com o intuito de aplacar os espiritos indesejaveis.

Séculos mais tarde, as pessoas passaram a vestir-se como fantasmas, demônios e outras criaturas “do outro mundo” realizando travessuras para elas mesmas comerem as iguarias deixadas nas portas das casas.


Este costume, conhecido como DISFARCE vem desde à idade média e foi passado de geração a geração e hoje é conhecido como “Trick or Treating”.

Hoje pode-se escolher que o seu visitante realize uma brincadeira "trick" ou senão você pode lhes ofertar uma prenda “treat”.

Mais tarde, por volta do século IX, o cristianismo já havia se espalhado por quase toda a Europa e gradualmente os rituais pagãos foram se misturando aos novos rituais da Igreaja católica.

No ano 1000, a igreja designou o dia 02 de novembro como Dia de Finados, um momento para homenagear os mortos.

As celebrações deste dia pareciam muito com o antigo ritual SAMHAIN onde as pessoas mais pobres visitavam as famílias mais ricas para receber bolos chamados de “bolo das almas” em troca de uma promessa de rezar pelas almas dos parentes falecidos. Mais tarde esta prática foi pouco a pouco passado às crianças que iam de porta em porta pedindo pequenos presentes, comida, dinheiro ou prendas.

segunda-feira, outubro 31, 2011

31 de outubro - Dia do Saci

Lenda do Saci

No Brasil, quem não conhece o Saci?
O Saci-Pererê é um dos personagens mais conhecidos do folclore brasileiro.
Sua lenda provavelmente originou-se das tribos Tupi Guarani no sul do Brasil. No começo era retratado como um "curumim" endiabrado de cor morena, duas pernas e um rabo típico.
Mas durante o período de colonização portuguesa, o Saci transformou-se com a influência da cultura africana.
Tornou-se um negrinho, perdeu uma perna num luta de capoeira, ganhou um cachimbo e um gorro vermelho, mas continuou sapeca e brincalhão.
Aliás, a principal característica do Saci é a travessura. Ele se diverte com os animais e pessoas e sendo muito moleque, acaba causando diversos transtornos como esconder objetos, queimar a comida, emitir ruídos e assustar bois e cavalos no pasto.
Você já viu cavalos a relinchar e galopar desabaladamente no pasto durante a noite?
Pois é... Há quem diga que é feito do Saci, para se divertir e também assustar. Ele pode até cavalgar, dando nós e fazendo tranças na crina dos cavalos.
E dizem que seu gorro tem poderem mágicos que o fazem desaparecer na forma de um corrupio de vento, sempre que entra numa enrascada e volta a aparecer quando lhe convém, assustando e surpreendendo quem quiser.
Dizem que um bando de Sacis costuma se reunir durante a noite escura, sem que ninguém os veja, para planejarem as travessuras que vão fazer no dia seguinte.
Pelo menos, está é a lenda que se contava na época da escravidão, onde as amas assustavam as crianças com as mais terríveis histórias sobre as travessuras do Saci.
Há quem acredite que o Saci nasce em brotos de bambus, onde vivem por sete anos.
Mas cuidado!
Não espreite os espaços ocos do bambu para vê-lo, porque espertinho como ele é, pode soprar uma brasa de cachimbo e cegar os mais curiosos. Depois disso, vivem mais setenta e sete anos atentando a vida das pessoas e animais, depois morrem e viram um cogumelo venenoso ou uma orelha de pau.
Mas, como o Saci vive nas matas, ele conhece todas as ervas da floresta, e sabe os efeitos da fabricação de chás e medicamentos feitos com plantas.
Só ele controla e guarda os segredos e todos estes conhecimentos. Aqueles que penetram nas florestas em busca destas ervas, devem, pedir sua autorização, caso contrário, serão vítimas de suas travessuras.
O Saci desperta sentimentos diferentes nas pessoas.
Segundo contam, como o Saci se esconde nos redemoinhos de vento, pode-se captura-lo jogando uma peneira sobre os redemoinhos. Depois de capturado, deve-se retirar o seu capuz para garantir sua obediência e então prende-lo numa garrafa.
Mas também há quem diga que quem conseguir tirar-lhe o capuz, é recompensado com a realização de um desejo. Ou que para apanha-lo deve atirar um rosário sobre o redemoinho de vento.
O fato é que a lenda do Saci é conhecida em todas as regiões do Brasil e pode até sofrer algumas modificações. Em alguns lugares, acredita-se que o Saci tenha as mãos furadas no centro, e que sua maior diversão é jogar uma brasa para o alto para que esta atravesse os furos. Noutros lugares dizem que ele faz isso com uma moeda.
Para fugir do Saci, o melhor é atravessar um riacho ou então colocar cordas com nós em seu caminho, para que ele pare para os desatar, deixando a pessoa escapar.
Em Portugal, há quem o conheça como o Fradinho da Mão Furada ou também Pesadelo.
Sabe o que ele faz?
Entra sorrateiramente à noite pelo buraco da fechadura da porta do quarto de dormir e coloca-se em cima das pessoas causando os mais terríveis pesadelos. Só quando a pessoa acorda, é que ele vai embora.
O Pesadelo é o Diabo que vem com uma carapuça e com uma mão muito pesada.
Ao dormir de barriga para cima, o pesadelo põe a mão no peito da pessoa e não a deixa gritar. Se alguém consegue retirar-lhe a carapuça, ele foge para o telhado.

Outros Sacis
É possível que já tenha ouvido falar sobre mais do que uma espécie de Saci tais como o Pererê, o Trique e o Saçurá.
E o Caipora? Há quem diga que é o Pai de Saci!
No mato, quando se ouve um “trique” é sinal que deve andar por perto um Saci trique, um menino moreninho e muito brincalhão.
O Saci saçurá é um menino negrinho de olhos vermelhos.
Matinta Perêra
Uns dizem que é o Saci-pererê na forma de uma ave cheia de mistério com um assobio confuso, para que ninguém saiba de onde vem. Outros dizem que é também o Saci-pererê na forma de uma velha vestida de preto, com parte do rosto coberto. Conta-se que prefere sair nas noites escuras, sem lua e que quando vê uma pessoa sozinha, assobia ou grita, e cujo som lembra a expressão: "Matinta Perêra".

Hoje me dia, existe até o dia do Saci.
Com o objetivo de valorizar mais o folclore nacional, diminuindo a influência do Halloween no Brasil, foi criado o Dia do Saci no dia 31 de outubro.

quarta-feira, outubro 26, 2011

Direitos Humanos das Pessoas com Deficiência


Os direitos humanos das pessoas com deficiência têm sido muito discutidos ao longo dos últimos anos, sobretudo no que diz respeito à consideração das necessidades especiais no planejamento econômico e social, e à igualdade de oportunidades.

Um passo importante foi dado pela ONU (Organização das Nações Unidas) a 3 de dezembro de 1982 com a elaboração do Programa de Ação Mundial para as Pessoas com Deficiência, que refere:

"A igualdade de oportunidades é o processo mediante o qual o sistema geral da sociedade - o meio físico e cultural, a habitação, o transporte, os serviços sociais e de saúde, as oportunidades de educação e de trabalho, a vida cultural e social, inclusive as instalações esportivas e de lazer - torna-se acessível a todos".

A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) também se tem envolvido na discussão deste tema. Desta forma, a CPLP realiza de 25 a 27 de Outubro o Seminário de debate de Direitos Humanos das Pessoas com Deficiência no âmbito dos Países de Língua Portuguesa, cujo objetivo é estabelecer uma agenda para cooperação e divulgação entre os países.

Para mais informações sobre o seminário, acesse:
http://www.direitoshumanos.gov.br/2011/10/24-out-2011-seminario-debate-direitos-humanos-das-pessoas-com-deficiencia-no-ambito-dos-paises-de-lingua-portuguesa

domingo, outubro 23, 2011

Rio - Patrimônio Mundial - categoria paisagem cultural

Este vídeo foi criado para ser apresentado na etapa de avaliação técnica do Dossiê de Candidatura a Patrimônio Mundial apresentado pelo Governo Brasileiro à Unesco que deverá ser julgado em 2012.
Vamos torcer!

quarta-feira, outubro 19, 2011

Determinantes Sociais da Saúde: reunindo-se para combater as inequidades

Começa hoje, dia 19 de outubro a Conferência Mundial sobre os Determinantes Sociais da Saúde (DSS) promovida pela Organização Mundial da Saúde e o Governo do Brasil para discutir as iniquidades em saúde e possíveis intervenções para combatê-las.


        Imaginemos duas crianças nascidas no mesmo dia de 2000 na África do Sul. Tameka é negra, nascida em uma família pobre na zona rural. Sua mãe não tem educação formal. Pieter, por sua vez, é branco, nascido de uma família rica, da Cidade do Cabo. Sua mãe completou a formação universitária em um prestigiosa instituição de ensino sul-africana.
       No dia do seu nascimento, os dois bebês não carregavam nenhuma responsabilidade pela sua situação: sua etnia e gênero, rendimento financeiro,  nível de escolaridade dos pais, localização rural ou urbana da casa. Ainda assim, estas variáveis irão exercer uma influencia maciça na vida em que irão levar.
      A probabilidade que Tameka morra no primeiro ano de vida é de 7.2% enquanto que a probabilidade que Pieter morra no primeiro ano de vida é de 3%. 

Imagina-se que a saúde de Tameka ao nascimento era mais frágil, devido à má-nutrição de sua mãe ao longo da gestação. Enquanto Pieter pode esperar viver até completar 68 anos, a expectativa de vida de Tameka é de apenas 50 anos.


        Podemos concluir que as oportunidades que essas duas crianças tem de atingir seu máximo potencial humano é vastamente diferente mesmo antes de nascerem, por fatores para os quais estas duas crianças não tem a menor responsabilidade.
       Vamos imaginar que, mesmo contra todas as adversidades, Tameka chegue aos 25 anos e tenha uma grande ideia para um negócio, digamos uma inovação que permita um aumento na produção de agricultura. Ela teria uma dificuldade muito maior de conseguir empréstimos a juros razoáveis. Já Pieter, tendo uma idéia igualmente inovadora  (digamos, o desenho de um novo software) obteria crédito muito mais facilmente, tanto por possuir diploma universitário mas também provavelmente pelos seus contatos e influências.
        Por mais abismais que sejam, as diferenças entre as condições de vida de Pieter e Tameka não são tão expressivas quanto as disparidades entre as performances média dos sul-africanos e de cidadãos de países desenvolvidos.

 Vamos colocar mais uma peça na mesa: Sven, um menino nascido na mesma data, no seio de uma família de classe média na Suécia. Suas chances de morrer ao longo do primeiro ano de vida é ínfima (0.3%) e ele pode esperar viver até os 80 anos de vida – 12 anos a mais do que Pieter e mais de 30 anos a mais do que Tameka.
Ele provavelmente completará 11.4 anos de estudo – 5 anos a mais do que a média sul-africana. As diferenças na escolaridade também se expressam qualitativamente: na oitava série, Sven pode esperar obter uma nota de 500 num teste internacional de matemática, enquanto a média de uma criança freqüentadora de escolas sul-africanas é de 264 pontos.
                  Adaptado de "World Development Report", World Bank, 2006
       


As disparidades na trajetória dessas três crianças encontram suas raízes em fatores que independem da vontade individual e que estão presentes desde o nascimento: etnia, nacionalidade, gênero e, principalmente, classe sócio-econômica. Esse caso fictício, porém tão plausível, exemplifica como o estrato social ao qual um indivíduo pertence irá condicionar o seu acesso a oportunidades e recursos, refletindo-se na sua capacidade de conduzir uma vida saudável e frutífera.
       A relação entre o ambiente social e suas consequências na saúde é explicada pelos Determinantes Sociais da Saúde (DSS): um grupo de condições de vida às quais os indivíduos estão submetidos e que influenciam decisivamente o seu estado de saúde e bem-estar.
A posição socioeconômica determina o acesso à riqueza, poder, bens, serviços e conhecimento. Esses fatores estabelecem as condições materiais a qual uma pessoa será submetida. Essas circunstâncias de vida - tais como moradia, transporte, condições de trabalho e lazer, alimentação, acesso a serviços de saúde e educação - irão determinar o grau de vulnerabilidade desse indivíduo ao adoecimento, bem como a sua capacidade de restabelecer e manter a sua saúde.

Com isso em mente, foi convocada pela OMS a Conferência Mundial sobre os DSS.


Mais informações: http://cmdss2011.org/site/