terça-feira, abril 22, 2014

Instrumentos musicais - Timor Leste

Os instrumentos musicais usados em Timor dividem-se em três grupos, percussão, sopro e cordas, todos eles de construção artesanal, construídos em metal, madeira, bambu, chifre, entre outros materiais.

Revelam por vezes certas originalidades, caso dos gongues feitos a partir dos tampões das rodas das inúmeras viaturas abandonadas pelos japoneses após a segunda guerra mundial, caso também do lakadouk instrumento de cordas feito integralmente em bambu, inclusive as cordas.

O kakolo, instrumento de percussão em bambu, era usado em Timor não para a música, mas para espantar os pássaros das searas ou para enviar sinais codificados, introduzido na música pelo maestro timorense Simão Barreto, passou a fazer parte do universo musical timorense.

Babadok
O babadok, típico em Timor Leste, é um pequeno tambor, tocado pelas mulheres durante a dança tebedai em honra dos seus ancestrais.
É constituído por um corpo cónico de madeira, com cerca de 30 a 50 centímetros de comprimento e de cerca de 15 centímetros de diâmetro, percutido alternadamente com ambas as mãos. Este instrumento musical está presente na musica típica de Timor Leste que também é conhecida por "Música dos Gorilas Pretos". Nesta música conseguem perceber-se influências de outros géneros musicais inclusivamente da música ocidental fruto da colonização Portuguesa.

O dadir (também dadil, gong ou gon) é um círculo de metal de aproximadamente 25 centímetros de diâmetro, que é percutido com uma baqueta de madeira, de altura indefinida e sem possibilidade de afinação. À semelhança do babadok, é também um instrumento tocado pelos elementos femininos.

Karkeit é um instrumento usado para animar as pessoas durante a noite, sob a luz da lua. Este instrumento é utilizado quando o agricultor termina o seu trabalho, e também como um meio de atrair as mulheres. Para fazer o som, o karkeit é segurado entre os lábios e em uma de suas extremidades um fio é amarrado para ser jogado com as mãos. A língua é utilizada para ajustar as chaves e a respiração acompanha. Este instrumento é feito de ferro e bambu. Ouça o som do karkeit!

Variadas flautas, instrumentos de sopro em chifre de búfalo e conchas de búzios e guizos completam a gama de instrumentos musicais tradicionais.
Crianças e seus babadok
A música e a dança caminham de mãos dadas em Timor Leste, são um marco da cultura timorense. Fazem parte do seu repertório quatro géneros: tebe, tebedai, dansa e causaun.

Os timorenses fazem questão de passar todas estas musicas às gerações seguintes para que as tradições não se percam no tempo.

Dançarinas timorenses
A tebedai é comum a toda a ilha de Timor. Trata-se de um género exclusivamente ritmado onde as mulheres tocam dois instrumentos musicais primordiais:os babadok (um pequeno tambor) e os dadir (disco metálico).
Por vezes o tabedai feminino é acompanhado pelo bidu masculino, realizado por um ou mais homens, que se movem livremente à frente, ao lado ou atrás das mulheres erguendo as espadas, as surik, e emitindo gritos que fazem lembrar os guerreiros.



Bibliografia:

domingo, abril 20, 2014

O vírus da hepatite C

A hepatite C é uma doença infeciosa causada pelo vírus da hepatite C (HCV) e que afeta sobretudo o fígado. O vírus pode causar uma infeção aguda ou crónica. A infeção aguda é geralmente assintomática e é muito raramente associada a um risco de vida. Em cerca de 15 a 45% das pessoas, o vírus desaparece espontaneamente dentro de 6 meses sem qualquer tratamento. Os restantes 55 a 85% irão desenvolver uma infeção crónica de HCV. Daqueles com infeção crónica, o risco de cirrose do fígado é de 15 a 30% em 20 anos. 
A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que em todo o mundo sejam afetadas 130 a 150 milhões de pessoas.

Distribuição geográfica

A hepatite C é encontrada em todo mundo. As regiões mais afetadas são a Ásia Oriental e África do Norte e Central. A epidemia de hepatite C pode ser concentrada em determinadas populações de alto risco (por exemplo, entre as pessoas que usam drogas injetáveis) e/ou na população em geral. Existem várias estirpes do vírus HCV e a sua distribuição varia de acordo com a região.


Transmissão

O vírus da hepatite C é um vírus de transmissão sanguínea. É mais comumente transmitido através de:
  • Uso de drogas injetáveis através da partilha de material de injeção;
  • Em instituições de saúde devido à reutilização ou esterilização inadequada de equipamentos médicos, especialmente seringas e agulhas;
  • Em alguns países, o HCV é transmitido através da transfusão de sangue não testado e hemoderivados;
  • O HCV também pode ser transmitido sexualmente, e pode ser transmitido de uma mãe infetada para o bebé. No entanto, estes modos de transmissão são menos comuns.
A hepatite C não é transmitida através do leite materno, água ou comida, ou por contato casual como abraçar, beijar e compartilhar alimentos ou bebidas de uma pessoa infetada.

Sintomas

O período de incubação para a hepatite C é de 2 semanas a 6 meses. Após a infeção inicial, cerca de 80% das pessoas não apresentam quaisquer sintomas. As pessoas sintomáticas podem apresentar febre, fadiga, diminuição do apetite, náuseas, vómitos, dores abdominais, urina escura, fezes de cor cinza, dor nas articulações e icterícia (branco dos olhos e pele amarelada).


Diagnóstico

Devido ao fato de que a infeção aguda pelo HCV é normalmente assintomática, o diagnóstico precoce da infeção é raro. Nas pessoas que desenvolvem a infeção crónica, esta pode permanecer sem diagnóstico, muitas vezes até sérios danos hepáticos se desenvolverem.

A infecção por HCV é diagnosticada em duas etapas :
  1. Deteção de pessoas que foram infetadas com o vírus através de um teste serológico que evidencia a presença de anticorpos anti-HCV no sangue da pessoa;
  2. Se o teste for positivo para anticorpos anti-HCV, é necessário efetuar um teste para detetar a presença de RNA (ácido ribonucleico) de HCV para confirmar a infeção por HCV crónica porque em cerca de 15-45 % das pessoas infetadas com HCV, o vírus desaparece espontaneamente devido a uma resposta imune forte sem necessidade de tratamento. Embora estas pessoas não estejam mais infetadas, ainda vão testar positivo para anticorpos anti-HCV.
Assim que uma pessoa é diagnosticada com hepatite C crónica, esta deve ter uma avaliação do grau de lesão hepática (fibrose e cirrose) ocorrido. Isto pode ser feito por biópsia do fígado ou por meio de uma variedade de testes não-invasivos. Também deve fazer um teste de laboratório para identificar o genótipo da estirpe de vírus da hepatite C. Existem seis genótipos do HCV que respondem de forma diferente ao tratamento e é possível uma pessoa ser infectada com mais do que um genótipo. O grau de lesão hepática e genótipo do vírus são utilizados para orientar decisões e gestão da doença de tratamento.

O diagnóstico precoce pode evitar problemas de saúde e evitar a transmissão do vírus.

Populações em maior risco de infeção pelo HCV incluem:
  • Pessoas que injetam drogas;
  • Recetores de produtos sanguíneos infetados ou procedimentos invasivos em unidades de cuidados de saúde com práticas de controle de infeção inadequadas;
  • Crianças nascidas de mães infetadas pelo HCV;
  • Pessoas com parceiros sexuais que estão infetados pelo HCV;
  • Pessoas infetadas com o HIV;
  • Pessoas que usaram drogas intranasais;
  • Pessoas que tiveram tatuagens ou piercings.

Tratamento

A hepatite C nem sempre necessita de tratamento pois a resposta imunológica em algumas pessoas é suficiente para combater a infeção. Quando o tratamento é necessário, o objetivo do tratamento da hepatite C é a cura. A taxa de cura depende de vários fatores, incluindo a estirpe do vírus e do tipo de tratamento dado. O diagnóstico adequado e cuidadoso é necessário antes de iniciar o tratamento para determinar a abordagem mais adequada para o paciente.

O tratamento padrão atual para a hepatite C é a terapia antiviral combinada com interferão e ribavirina, que são eficazes contra todos os genótipos do vírus da hepatite. Infelizmente , o interferão não é amplamente disponível a nível mundial e é mal tolerado em alguns pacientes. Isto significa que a gestão do tratamento é complexo , e muitos pacientes não terminam o seu tratamento. Apesar destas limitações, o interferão e ribavirina são tratamentos que salvam vidas.

Os avanços científicos levaram ao desenvolvimento de novas drogas anti-virais para a hepatite C que são muito mais eficazes, mais seguras e melhor toleradas do que as terapias existentes. Estas novas terapias, conhecidas como agentes anti-virais de ação direta (DAAs) simplificam o tratamento da hepatite C, diminuindo significativamente os requisitos de monitorização e aumentando as taxas de cura. Embora o custo de produção de DAAs é baixa, os preços iniciais estabelecidos pelas empresas são muito elevados e farão provavelmente com que o acesso a estas terapias seja difícil, até para países de alto rendimento.

Ainda há muito por fazer para garantir que este tratamento seja acessível a todos a nível global.
Prevenção
  • Prevenção primária
Não existe vacina para a hepatite C, portanto a prevenção da infeção pelo HCV depende da redução do risco de exposição ao vírus em ambientes de cuidados de saúde, nas populações de maior risco e através do contato sexual.

A lista a seguir fornece um exemplo limitado de intervenções de prevenção primária recomendados pela OMS :

  1. Higiene das mãos: incluindo a preparação pré-cirúrgica, a lavagem das mãos e uso de luvas;
  2. Manuseio e descarte adequado de resíduos;
  3. Limpeza segura dos equipamentos;
  4. Testes de sangue doado;
  5. Melhor acesso a sangue seguro;
  6. Formação de pessoal de saúde.
  • Prevenção secundária e terciária
Para as pessoas infetadas com o vírus da hepatite C, a OMS recomenda:

  1. Educação e aconselhamento sobre as opções para o cuidado e tratamento;
  2. Imunização com a vacina da hepatite A e B para evitar a co-infeção de vírus da hepatite para proteger o fígado;
  3. Tratamento médico precoce e adequado, incluindo a terapia antiviral se for o caso;
  4. Acompanhamento regular para o diagnóstico precoce de doença hepática crónica.
Tratamento: novas diretrizes

A OMS lançou novas diretrizes para o rastreio, atendimento e tratamento de pessoas com infecção por hepatite C em abril de 2014.

Estas são as primeiras orientações sobre o tratamento da hepatite C produzidos pela OMS e complementam a orientação existente sobre a prevenção da transmissão do vírus pelo sangue, incluindo HCV.

Destinam-se a decisores políticos, funcionários do governo, e outros que trabalham em países de baixo e médio rendimento e que estão a desenvolver programas de rastreio, atendimento e tratamento de pessoas com infeção pelo HCV. Estas diretrizes ajudarão a expandir os serviços de tratamento pois fornecem recomendações importantes nesta área e discutem também considerações para a sua implementação.

Para ler mais sobre estas novas diretrizes, clique aqui (em inglês).



Bibliografia:
http://www.who.int/campaigns/hepatitis-day/2013/en/
http://www.who.int/mediacentre/factsheets/fs164/en/

quinta-feira, abril 17, 2014

Páscoa

O nome que a Bíblia Hebraica usa para denominar "páscoa" é pesah. Com a palavra pesah o texto bíblico quer significar duas coisas:
o ritual ou celebração da primeira festa do antigo calendário bíblico (Ex 12.11,27,43,48);
a vítima do sacrifício, isto é, o cordeiro pascal (Ex 12.21; Dt 16.2,5-6).
Na Bíblia, o nome de uma pessoa ou instituição é sempre um dado importante para se conhecer o que eles são e o que representam. O nome não é um simples rótulo, uma etiqueta ou uma fachada publicitária, mas ele exprime a realidade do ser que o carrega e representa. Assim é o nome "páscoa".

A Páscoa Cristã celebra a ressurreição de Jesus Cristo. Depois de morrer na cruz, seu corpo foi colocado em um sepulcro, onde ali permaneceu por três dias, até sua ressurreição.
Muitos costumes ligados ao período pascal originam-se dos festivais pagãos da primavera. Outros vêm da celebração do Pessach, ou Passover, a Páscoa judaica, que é uma das mais importantes festas do calendário judaico, celebrada por 8 dias e onde é comemorado o êxodo dos israelitas do Egito, da escravidão para a liberdade. Um ritual de passagem, assim como a "passagem" de Cristo, da morte para a vida.

A festa da Páscoa celebrada pelos cristãos nos tempos pós-apostólicos era uma continuação da festa judia, mas não foi instituída por Cristo, nem estava relacionada com a Quaresma. A festa pagã em homenagem a deusa da primavera, Eostre, a rainha dos céus, era totalmente diferente daquela Páscoa; mesmo assim, a festa pagã conseguiu introduzir-se na apóstata religião ocidental sob a forma de páscoa, como parte da tentativa de adaptar as festas pagãs no seio da cristandade. 



É certo que em inglês recebe o nome de Easter, derivado de Eostre, o que evidencia a verdadeira origem pagã da chamada páscoa cristã, que não coincide no tempo com a páscoa judia.” Ou seja, a versão moderna desta festa não tem origem bíblica, senão que se deriva do culto a Astarté, uma deusa caldéia (babilônica) conhecida com a “rainha dos céus”. Ela é mencionada por este mesmo nome na Bíblia, no livro de Jeremias 7:18 e 44:17-19,25.
A última ceia partilhada por Jesus Cristo e seus discípulos é narrada nos Evangelhos e é considerada, geralmente, um “sêder do pesach” – a refeição ritual que acompanha a festividade judaica. O Evangelho de João propõe uma cronologia distinta, ao situar a morte de Cristo por altura da hecatombe dos cordeiros do Pessach. Assim, a última ceia da qual participou Jesus Cristo (segundo o Evangelho de Lucas 22:16) teria ocorrido um pouco antes desta mesma festividade.

Na Páscoa pagã, é comum a prática de pintar ovos cozidos, decorando-os com desenhos e formas abstratas; em grande parte dos países ainda é um costume comum, embora que em outros, os ovos tenham sido substituídos por ovos de chocolate. A primavera, lebres e ovos pintados com runas eram os símbolos da fertilidade e renovação associados a deusa nórdica Gefjun.
A lebre era o símbolo de Gefjun. Suas sacerdotisas eram ditas capazes de prever o futuro observando as entranhas de uma lebre sacrificada. A versão “coelhinho da páscoa, que trazes pra mim?” é comercialmente mais interessante do que “Lebre de Eostre, o que suas entranhas trazem de sorte para mim?”, que é a versão original desta rima.



A lebre de Eostre pode ser vista na Lua cheia e, portanto, era naturalmente associada à Lua e às deusas lunares da fertilidade. 

Seus cultos pagãos foram absorvidos e misturados pelas comemorações judaico-cristãs, dando início a Páscoa comemorado na maior parte do mundo contemporâneo.


Bibliografia:
http://pt.wikipedia.org/wiki/P%C3%A1scoa
http://www.suapesquisa.com/historia_da_pascoa.htm
http://www.metodista.br/fateo/materiais-de-apoio/estudos-biblicos/um-estudo-sobre-a-origem-da-pascoa

terça-feira, abril 15, 2014

Instrumentos musicais - São Tomé e Príncipe

Puita
A música de São Tomé e Príncipe usa tambores de diferentes tamanhos e cada um possui o seu nome dado pela língua tradicional.

Léplica é o tambor de pequena dimensão que produz um som agudo. 

Tabaque é um tambor médio, semelhante ao bombo, cujo a pele é amarrada em vez de pregada.

Zás, Zambumba, Wembe ou Bombo é o tambor de maior dimensão, produz um som grave, a sua pele em vez de amarrada é pregada.

Muçumba ou Puíta é um tambor onde a mão é flexionada com um pau de bambo que está no seu interior. O som é obtido friccionando a haste com um pedaço de tecido molhado e pressionando a parte externa da puita com dedo, produzindo um som peculiar.
A puita é um instrumento característico que tem o mesmo nome de uma dança tipica tambem designada de puita

Um ritmo sensual, em que o tambor avança de forma frenética e obsessiva pela noite dentro.
Este ritual é executado em homenagem a um ente familiar que falece, mas também pode ser visto e apreciado em outras ocasiões, sendo um instrumento musical popular.

Viola, feita de madeira coberta com platéxe, é composta por quatro fios (mi, si, sol e ré) que tem como sonância grave e agudo.

Chocalho ou Banza é um instrumento feito de andala trançada em formato de um cestinho, sendo a base coberta de cabaça, no seu interior existe uma série de “bagos de salaconta” que permite produzir o som.

Kanza ou reco-reco é um instrumento de fricção feito de bança de palmeira.

Coneta de pô mamon (Corneta de pau de mamão), um instrumento de sopro, feito de um ramo de mamoeiro. Emite um som semelhante à trombeta.


Ferrinho é um instrumento constituído por um chapa de zinco e dois ferros que não ultrapassa 25 cm.


Bibliografia:






segunda-feira, abril 14, 2014

O cobre como barreira microbiana

As propriedades bactericidas do cobre são amplamente reconhecidas internacionalmente. 

Estudos e artigos publicados demonstraram nitidamente que algumas das espécies mais tóxicas de bactérias, fungos e vírus não sobrevivem em contato com o cobre. Ou seja, o metal conhecido pela sua grande aplicabilidade, usado em larga escala para a produção de produtos como fios elétricos, tubos industriais, material hidráulico e tantas outras, também detém uma excelente propriedade antimicrobiana agindo, em poucos minutos, com eficácia, na eliminação ou inatividade de bactérias, fungos e vírus.
Um fator crítico responsável pelas propriedades antimicrobianas do cobre é a habilidade deste metal em aceitar ou doar facilmente os seus electrões (ou seja, o cobre tem uma alta oxidação catalítica e um alto potencial de redução). Esta propriedade química permite que os iões de cobre alterem as proteínas dentro das células dos micróbios para que as proteínas já não possam realizar suas funções normais. Os cientistas também observaram que o cobre é responsável por inibir o transporte eletrónico nas interações da parede celular, ligando o DNA e desordenando as estruturas helicoidais. Através destes mecanismos e outros, o cobre deixa inativos muitos tipos de bactérias, fungos e vírus.

limpeza de superfícies de cobre
Apenas para ilustrar a enorme contribuição que o cobre antimicrobiano pode dar na melhoria da qualidade de vida das populações, vale citar dois diferentes tipos de bactérias que transmitem doenças muito comuns e que podem ser evitadas :

 Actinomucor elegans, origina a sinusite; 
 Tubercle bacillus, a tuberculose. 
Isto sem mencionar outras inúmeras infecções, algumas de elevada fatalidade, que podem proliferar pelo simples contato nos ambientes hospitalares.


Outra preocupação que relaciona os cuidados com a saúde e os edifícios modernos, é a exposição a microorganismos tóxicos. Assim surge a grande necessidade de melhorar as condições higiénicas dos sistemas de ar condicionado, ventilação e aquecimento, os quais podem causar 60% das enfermidades nos edifícios. Um exemplo, deste perigo: foi demonstrado que as palhetas constituídas de outros metais dos sistemas de ar condicionado, ventilação e calefação são fonte importante de populações microbianas. 
Mais uma vez, o cobre antimicrobiano surge como a alternativa mais apropriada em substituição aos materiais biologicamente inertes nos tubos do trocador de calor, nas palhetas, nos filtros e nos ductos. O cobre apresenta-se como meio efetivo quanto a custos para controlar o aumento de bactérias e fungos que se desenvolvem nestes sistemas. Nos hospitais, por exemplo, para as pessoas imunocomprometidas, a exposição a potentes microorganismos provenientes dos sistemas de ar condicionado, ventilação e calefação pode ser fatal, causando infecções severas, e comprometendo o estado de saúde já debilitado dos pacientes.

Diante de tantas evidências científicas, inúmeros países da América do Norte, do Sul e da Europa estabeleceram políticas e ações de incentivo ao uso deste precioso metal nas superfícies de contato de edifícios, sobretudo os que sediam os serviços de saúde, as clínicas e hospitais públicos e privados, a fim de evitar a transmissão e a disseminação de um universo de bactérias.
Embora os benefícios sejam muitos em todas as aplicações citadas, da comprovada a eficácia do cobre antimicrobiano em eliminar, em até duas horas, bactérias presentes nas superfícies como corrimões, maçanetas, móveis e utensílios hospitalares, barras de aparelhos de fisioterapia, ainda há uma enorme resistência na adoção do material. Mesmo diante de resultados alcançados em muitos países, ainda existem muitas reservas, e solicitações de comprovações do êxito. A indústria de mobiliário hospitalar, por sua vez, resiste em propor novas linhas de produtos empregando o cobre alegando não haver demanda consistente por parte dos hospitais. 


cobre em superfícies
Outro argumento é o custo do cobre, uma dificuldade inicial pelo valor agregado que o metal possui. Porém, já foi demonstrado que nestes casos o retorno sobre o investimento é muito rápido, levando em conta principalmente a redução de despesas decorrentes da minimização de índices de infecção hospitalar e de transmissão de doenças. Os valores que deixarão de ser investidos com essa redução são muito expressivos.

Existem mais de 300 ligas de cobre Antimicrobial já registradas na agência de proteção ambiental norte americana (EPA), com diferentes tipos de cobre que contribuem sensivelmente para a drástica diminuição de proliferação de algumas enfermidades. O exemplo dos demais países poderá servir de inspiração.


Confira as propriedades do cobre neste Vídeo:


quinta-feira, abril 10, 2014

Instrumentos Musicais - Portugal


Guitarra Portuguesa

A guitarra portuguesa, tal como o próprio nome indica, é um dos instrumentos mais caracteristicos de Portugal.

Este instrumento musical difere um pouco consoante a cidade onde surgiu (Porto, Coimbra ou Lisboa).

A característica que mais as distingue é a forma voluta na parte superior da guitarra. 


Enquanto a guitarra de Lisboa apresenta embutidos em madrepérola, a de Coimbra é muito mais modesta pois a sua tradição está ligada aos estudantes que não possuem dinheiro para grandes ornamentos (elementos decorativos).


A guitarra portuguesa é o instrumento sonante no Fado Coimbra, uma música tipica da Monumental Serenata, altura em que os estudantes se despendem da sua vida académica.


O adufe é um instrumento proveniente da região da Beira Baixa em Portugal. 
Adufe
É tradicionalmente feito e tocado pelas mulheres: as adufeiras. Ele é quadrangular e é feito a partir da pele dos animais da região. 
O facto de serem zonas ricas em pastorícia contribui para o grande número de adufes saídos das mãos habilidosas das mulheres da Beira InteriorAntigamente era vulgar as pessoas juntarem-se em casa umas das outras ou no largo do pelourinho daquele lugar e tocarem adufe ao despique. 

Bibliografia:

terça-feira, abril 08, 2014

Febre do vírus do Ébola

O vírus do Ébola causa a doença do vírus do Ébola (EVD, anteriormente conhecida como febre hemorrágica do Ébola) nos seres humanos.
Os surtos de EVD têm uma taxa de letalidade que chega aos 90% e atualmente, não existe tratamento nem vacina específica para tratar pessoas ou animais.

O Ébola apareceu, pela primeira vez, em 1976, em 2 surtos simultâneos, em Nzara, no Sudão, e em Yambuku, na República Democrática do Congo. Este último ocorreu numa aldeia situada perto do rio Ébola, que deu o nome à doença.
Neste momento, ocorre um surto na Guiné, com 127 casos, até ao dia 1 de Abril, tendo ocorrido já 83 mortes.


O género Ebolavirus é 1 de 3 membros da família Filoviridae (filovírus), juntamente com o género Marburgvirus e o género Cuevavirus. O género Ebolavirus compreende 5 espécies distintas:
1 Bundibugyo ebolavirus (BDBV)
2 Zaire ebolavirus (EBOV)
3 Reston ebolavirus (RESTV)
4 Sudan ebolavirus (SUDV)
5 Taï Forest ebolavirus (TAFV).

As espécies BDBV, EBOV e SUDV têm estado associadas a grandes surtos de EVD na África, mas não a RESTV e a TAFV. Os surtos do Ébola ocorrem, principalmente, em aldeias remotas da África Central e Ocidental, nas proximidades das florestas tropicais húmidas.
A espécie RESTV, encontrada nas Filipinas e na República Popular da China, pode infectar os humanos, mas até à data não foi notificada qualquer doença ou morte em humanos por ela provocada.

vírus do Ébola

Transmissão
O Ébola é introduzido na população humana através do contato direto (através da pele gretada ou membranas mucosas) com sangue, secreções, órgãos ou outros fluidos corporais de animais infetados. Em África, a infecção tem sido documentada através do contacto com chimpanzés, gorilas, morcegos frugívoros, macacos, antílopes das florestas e porcos-espinhos infectados e encontrados com doença ou mortos na floresta tropical húmida.
O Ébola dissemina-se na comunidade através da transmissão entre humanos e a infecção resulta do contacto directo com o sangue, secreções, orgãos ou outros fluidos corporais de pessoas infectadas e contacto indirecto com ambientes contaminados com esses fluidos. Os funerais, em que os enlutados têm contacto directo com o corpo da pessoa falecida podem também ter o seu papel na transmissão do Ébola. Os homens que recuperaram da doença podem ainda transmitir o vírus através do sémen, até 7 semanas após a recuperação da doença.
Os profissionais de saúde são frequentemente infectados, quando tratam doentes com EVD suspeita ou confirmada. Isso ocorre através do contacto directo com os doentes, nos casos em que as precauções de controlo das infecções não são devidamente respeitadas.
Entre os trabalhadores em contacto com macacos ou porcos infectados com Reston ebolavirus, têm sido documentadas várias infecções em pessoas clinicamente assintomáticas. 
Contudo, a única evidência disponível encontra-se em machos adultos saudáveis. Seria prematuro extrapolar os efeitos do vírus sobre a saúde para todos os grupos populacionais, tais como as pessoas imunocomprometidas, pessoas com condições médicas subjacentes, mulheres grávidas e crianças. São necessários mais estudos sobre o RESTV, antes de se poderem retirar conclusões definitivas sobre a patogenicidade e a virulência deste vírus em humanos.

Distribuição geográfica de surtos de febre hemorrágica do Ébola e morcegos da família Pteropodidae
Sinais e sintomas
O EVD é uma doença viral aguda grave, muitas vezes caracterizada por início súbito de febre, fraqueza acentuada, dores musculares, dores de cabeça e dores de garganta. Estes sintomas são seguidos por vómitos, diarreia, erupção cutânea, funções renal e hepática diminuídas e, em alguns casos, hemorragias internas e externas. Os resultados laboratoriais incluem baixa contagem de leucócitos e de plaquetas, assim como aumento das enzimas hepáticas.
O período de incubação, isto é, o intervalo de tempo desde a infecção com o vírus até ao início dos sintomas, é de 2 a 21 dias.

Diagnóstico
Outras doenças que devem ser excluídas, antes de se poder fazer um diagnóstico de EVD, são: paludismo, febre tifóide, shigelose, cólera, leptospirose, peste, ricketsiose, febre recorrente, meningite, hepatite e outras febres hemorrágicas virais.
As infecções pelo vírus do Ébola podem ser definitivamente diagnosticadas num laboratório, através de vários tipos de testes:
ensaio de imunoabsorção enzimática (ELISA)
testes de detecção de antigénios
teste de neutralização do soro
ensaio de reacção em cadeia da polimerase via transcriptase reversa (RT  PCR) 
isolamento do vírus por cultura de células.
As amostras colhidas nos doentes constituem um grande risco biológico, devendo os testes realizar-se em condições de contenção biológica máximas.

fonte de imagem
Prevenção e tratamento
Não existe vacina para o EVD. Estão a ser testadas várias vacinas, mas não há nenhuma disponível para uso clínico.
Os doentes graves requerem cuidados médicos intensivos. Os doentes ficam frequentemente desidratados e necessitam de rehidratação oral com soluções que contenham electrólitos ou com fluidos intravenosos.
Não existe um tratamento específico, embora estejam a ser avaliadas novas terapêuticas medicamentosas.

Hospedeiro natural do vírus do Ébola
Em África, os morcegos frugívoros, particularmente a espécie dos géneros Hypsignathus monstrosus, Epomops franqueti e Myonycteris torquata, são considerados possíveis hospedeiros naturais do vírus do Ébola. Consequentemente, a distribuição geográfica dos vírus do Ébola pode coincidir com as variedades de morcegos frugívoros.

Vírus do Ébola em animais
Embora os primatas não humanos tenham sido uma fonte de infecção para os seres humanos, não são considerados como o reservatório, mas antes um hospedeiro acidental como os seres humanos. Desde 1994, têm-se observado surtos de Ébola causados pelas espécies EBOV e TAFV em chimpanzés e gorilas.
O RESTV tem causado graves surtos de EVD em macacos do género Macaca (Macaca fascicularis) criados nas Flipinas e detectado em macacos importados.
Desde 2008, têm sido detectados vírus RESTV durante vários surtos de doença mortal em suínos, nas Filipinas e na China. Têm sido notificadas infeções assintomáticas em suínos e inoculações experimentais têm demonstrado que o RESTV não pode causar doença nesses animais.

Prevenção
Controlar o Ebola Reston em animais domésticos
Não existe vacina para animais contra o RESTV. A limpeza e a desinfecção de rotina das criações de porcos ou macacos (com hipoclorito de sódio ou outros detergentes) deverão bastar para desactivar o vírus.
Se houver suspeita de um surto, as instalações devem ser imediatamente colocadas em quarentena. O abate dos animais infectados, com supervisão atenta do enterramento ou da incineração das carcaças, pode ser necessário para reduzir o risco de transmissão animal-a-humano. A restrição ou a proibição da deslocação de animais de criações infectadas para outras zonas poderá reduzir a  propagação da doença.
Uma vez que os surtos de RESTV em porcos e macacos precederam as infecções nos humanos, a criação de um sistema activo de vigilância da saúde animal, para a detecção de novos casos, é essencial para alertar rapidamente as autoridades de saúde pública veterinária e humana.
Reduzir o risco de infecção das pessoas pelo Ébola 
Na ausência de um tratamento eficaz e de uma vacina para seres humanos, a única forma de reduzir as infecções e a morte em humanos é sensibilizar as pessoas para os factores de risco da infecção pelo Ébola e para as medidas de protecção que se podem tomar.

Em África, durante os surtos de EVD, as mensagens educativas de saúde pública deverão incidir sobre vários factores:
Reduzir o risco de transmissão animal-para-humano no contato com morcegos frugívoros ou macacos infectados e o consumo da sua carne crua. Os animais devem ser manipulados usando luvas e outro vestuário apropriado de protecção. Os produtos animais (sangue e carne) devem ser muito bem cozinhados, antes de serem consumidos.
Reduzir o risco de transmissão entre humanos na comunidade que deriva do contato direto ou próximo com doentes infetados, particularmente com os seus fluidos corporais. O contacto físico íntimo com doentes de Ébola deve ser evitado. Devem usar-se luvas e equipamento apropriado de proteção pessoal, quando se cuida de doentes em casa. É obrigatório lavar as mãos regularmente, depois  de se visitar doentes no hospital, assim como depois de cuidar de doentes em casa.
As comunidades afectadas pelo Ébola devem informar a população sobre a natureza da doença e sobre as medidas de contenção do surto, incluindo o enterro dos mortos. As pessoas que morreram com o Ébola devem ser enterradas com rapidez e segurança.

Para o RESTV, as mensagens educativas de saúde pública devem incidir sobre a redução do risco de transmissão suíno-a-humano, como resultado de práticas não seguras de criação e abate de animais e do consumo de risco de sangue fresco, leite cru ou tecidos animais. Devem usar-se luvas e outro vestuário de protecção apropriado na manipulação de animais doentes ou dos seus tecidos, assim como no seu abate. Nas regiões em que foi notificado o RESTV em suínos, todos os produtos animais (sangue, carne e leite) devem ser muito bem cozinhados, antes de serem consumidos.

Controlar a infecção nas unidades de cuidados de saúde 
A transmissão entre humanos do vírus do Ébola está associado, sobretudo, ao contato direto ou indireto com o sangue e os fluidos corporais. A transmissão aos agentes de saúde tem sido notificada, quando não são adoptadas medidas apropriadas de controlo da infecção.
Nem sempre é possível identificar com rapidez os doentes com EBV, porque os sintomas iniciais poderão não ser específicos. Por essa razão, é importante que os agentes  de saúde apliquem as precauções padrão de forma consistente com todos os doentes, independentemente do seu diagnóstico, em todas as práticas de trabalho e em todos os momentos. Essas precauções incluem a higiene básica das mãos, a higiene respiratória, o uso de equipamento de protecção pessoal (contra o risco de salpicos ou outro contacto com materiais infectados), práticas seguras de injecção e práticas seguras de enterramento.

Os agentes de saúde que cuidam dos doentes com infeção suspeita ou confirmada pelo vírus do Ébola devem aplicar, além das precauções padrão, outras medidas de controlo da infecção, para evitar eventual exposição ao sangue ou fluidos corporais do doente e o contacto directo não protegido com um ambiente possivelmente contaminado. Quando em contato próximo (no raio de 1 metro) com doentes com EBV, os agentes de saúde devem proteger o rosto, usando uma viseira facial, uma máscara médica e óculos de protecção, uma bata limpa, não estéril, de manga comprida, e luvas (luvas esterilizadas para alguns procedimentos).
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A OMS disponibiliza técnicos e documentação para apoiar a investigação e o controlo da doença.
As recomendações para controlo da infecção e prestação de cuidados aos doentes com suspeita ou confirmação de febre hemorrágica do Ébola são apresentadas em: Recomendações provisórias para controlo da infecção e cuidados aos doentes com suspeita ou confirmação de febre hemorrágica do Filovírus (Ébola, Marburgo), Março de 2008.
A OMS criou um memorando sobre as precauções padrão nos cuidados de saúde (em actualização). As precauções padrão destinam-se a reduzir o risco de transmissão de agentes patogénicos transmitidos pelo sangue e outros. Quando universalmente aplicadas, as precauções ajudam a prevenir, em grande parte, a transmissão por exposição ao sangue e fluidos corporais.
As precauções padrão são recomendadas nos cuidados e tratamento de todos os doentes, independentemente do seu estado infeccioso aparente ou confirmado, e incluem o nível básico do controlo de infecções: higiene das mãos, uso de equipamento de protecção pessoal, para evitar o contacto directo com o sangue e fluidos corporais, prevenção das picadas de agulhas e ferimentos causados por outros objetos cortantes e um conjunto de medidas de controlo ambiental.

Para mais informações, consulte (em inglês) : http://www.who.int/csr/disease/ebola/en/