quinta-feira, junho 05, 2014

Quinta das Lágrimas - A história de D. Pedro e D. Inês de Castro

A fabulosa história de D. Inês de Castro e de D. Pedro  tem simultaneamente uma  base histórica e lendária,  persistência mítica que se tem mantido ao longo de todos estes séculos, mantendo a  sua ligação à Quinta das Lágrimas. D. Inês de Castro,  fidalga galega e descendente de família real por via bastarda, veio para Portugal na companhia de D.  Constança, noiva do Infante D.  Pedro, filho do Rei D. Afonso IV.

No entanto, foi por D. Inês que D. Pedro se apaixonou e rapidamente iniciaram uma relação sentimental. Quando D. Constança descobre o sucedido, tenta inviabilizar essa ligação, convidando  D. Inês de Castro para madrinha de um filho, o que naquela época a impedia de ter uma relação com o pai do seu sobrinho.

Entretanto D. Constança morre (deixando apenas um filho, o futuro Rei D.  Fernando) e só depois de D. Pedro enviuvar em 1348 ou 1349 é que o herdeiro do trono e a dama galega iniciaram um vida em comum “fazendo maridança”, segundo a expressão de Fernão Lopes, na Crónica de D. Pedro. O casal  assume assim a  sua relação e vai viver para o Palácio anexo ao Convento de Santa Clara, situado junto ao Rio Mondego e à Quinta das Lágrimas, que fora construído pela Rainha D. Isabel, Avó de D. Pedro, que viria a ser canonizada com o nome de Rainha Santa. Durante os anos que viveram em Coimbra, frequentaram os jardins e a mata contígua à Fonte dos Amores. Realmente, em 1326, a Rainha Santa tinha comprado aos Frades de Santa Cruz o direito à água que jorrava de duas nascentes ali situadas, para abastecer o Convento de Santa Clara que reconstruíra.

D. Inês de Castro tinha irmãos, os poderosos Castro, fidalgos que começaram a conspirar para convencer D. Pedro a considerar-se com direitos ao trono de Castela e Leão, o que mais tarde permitiria a um futuro filho de Pedro e Inês governar o poderoso reino ibérico. D. Afonso IV  (preocupando-se com a independência portuguesa)  reagiu mal contra tais ideias e os seus conselheiros facilmente o persuadiram a afastar o Príncipe herdeiro de D.  Inês. Perante a recusa deste em aceitar esse afastamento, e aproveitando uma ausência do Príncipe, planeou-se um julgamento em Montemor-o-Velho, que condenava D. Inês de Castro à morte. Assim sendo, a futura rainha de Portugal morreu em 7 de Janeiro de 1355, degolada, conforme convinha a uma pessoa da sua condição.

D. Pedro reagiu com violência à execução da sua amada e mãe de três dos seus filhos e iniciou um período de guerra civil contra o Rei, seu pai, que só terminou devido à intervenção mediadora da Rainha de Portugal, sua Mãe. Quando subiu ao trono pela morte de D. Afonso IV, em 1357, anunciou que tinha casado secretamente com D. Inês e que assim passava a ser Rainha de Portugal. Mandou então construir em Alcobaça túmulos para si e para ela, conduzindo os seus restos mortais do Convento de Santa Clara de Coimbra àquele Mosteiro, e exigindo que todas as classes (clero, nobreza e povo) lhe prestassem homenagem.

Conseguiu ainda que o Rei de Castela lhe entregasse dois dos três fidalgos que tinham aconselhado D. Afonso IV a condenar à morte D. Inês,  e arrancou pessoalmente o coração a ambos, abrindo o peito a um e as costas ao outro ainda em vida, dizendo que homens que haviam matado uma mulher inocente não podiam ter coração.

A base histórica do amor de D. Pedro e D. Inês de Castro e a presença de raras algas vermelhas na hoje denominada Fonte das Lágrimas, cedo levou as populações a localizar nesse sítio a morte da “linda Inês”, a “mísera e mesquinha que", ainda no dizer de Camões, "depois de morta foi rainha”.

Desde então a Quinta das Lágrimas – lugar histórico dos amores e lugar mítico da morte – tornou-se um lugar de peregrinação para todos os que ao longo dos séculos querem homenagear aqueles trágicos amores. A lenda passou a ter um lugar de culto e um local onde ainda hoje se pode sentir o romance.

Para ler o excerto d'Os Lusíadas sobre D.Inês de Castro siga o link:
http://www.passeiweb.com/na_ponta_lingua/livros/analises_completas/o/os_lusiadas_ines_de_castro

Bibliografia:
https://lusitanapaixao.wordpress.com/2010/02/22/

terça-feira, junho 03, 2014

Dia Internacional das Crianças Inocentes Vítimas de Agressão - 4 de Junho

Dia 4 de junho não é data para se comemorar.
Absolutamente, não.

É um dia, isto sim, para refletirmos sobre algo terrível: a violência contra as crianças.

Dia Internacional das Crianças Vítimas Inocentes da Violência e Agressão foi criado pela ONU em 1982.
É preciso ficarmos atentos para o significado dessa agressão e nos questionarmos de que tipo de agressão, afinal, estamos falando. Com certeza, não seria só a agressão física, a mais comum e a mais dolorosa do ponto de vista biológico. Seria ela a mais absurda? Claro que não. Todos os tipos de agressão, sejam elas quais forem, trazem danos ao indivíduo, e, quando se trata de crianças, aí o problema se agrava.
Em uma sociedade, existem diversos níveis de agressão: corporal, psicológica, social, econômica, entre outros.
Engana-se quem imagina que só a rua pode oferecer experiências traumáticas para as crianças. Muitas vezes, as maiores ameaças ao bem-estar infantil estão dentro de casa, em forma de maus-tratos físicos ou negligência (outro tipo de agressão). Os episódios mais rotineiros são afogamento, espancamento, envenenamento, encarceramento, queimadura e abuso sexual.


A consequência da agressão contra as crianças é danosa, pois o cérebro infantil ainda está se programando. Uma criança que cresce num ambiente afetivo e protegido deve poder se dedicar a tarefas mentais mais sofisticadas, como pensar abstratamente. Se ela não sente medo, pode desenvolver uma postura mais solidária. Assim como acontece com os animais, o ser humano se programa para se proteger da violência, de ambientes assustadores. Diante de uma agressão, uma de suas primeiras conclusões é a de se tornar frio, perdendo a propriedade típica dos bebês de se colocar no lugar dos outros. Quando um bebê chora, outro que está perto chora junto. Até os dois anos, a criança costuma chorar quando vê outra sofrendo. Elas choram juntas. Depois dessa idade, ela chega perto do amiguinho e tenta consolá-lo.

Bibliografia:
http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/junho/dia-internacional-das-criancas-vitimas-de-agressao.php

domingo, junho 01, 2014

Património Mundial - Cabo Verde

Cidade Velha, Centro histórico de Ribeira Grande (2009)


Cidade Velha, centro histórico de Ribeira Grande foi a primeira cidade colonial europeia a ser construída nos trópicos, e marca um passo decisive na expansão europeia no final do século XV para a região Africana e Atlântica. Ribeira Grande tornou-se posteriormente, nos séculos XVI e XVII, um porto de escala importante na colonização e administração por portugueses. Foi um centro excecional no comércio marítimo internacional, incluindo nas rotas entre África e o Cabo, Brasil e as Caraíbas. Fornece uma perspectiva primitiva da visão geopolítica transcontinental. A localização insular, isolada mas próxima da costa africana faz com que seja uma plataforma essencial para o comércio de escravos no Atlântico. Ribeira Grande também foi excecional em termos de encontros interculturais donde germinou a sociedade criola. O vale da Ribeira Grande experimentou novas formas de agricultura colonial na fronteira entre climas temperados e tropicais, tornando-se numa plataforma de aclimatização e disseminação de várias espécies de plantas por todo o mundo.


Bibliografia:
http://whc.unesco.org/en/list/

quinta-feira, maio 29, 2014

Dia Mundial sem Tabaco - 31 de maio


O tabaco é responsável por 10% das mortes em adultos no mundo.

É necessário que todos os anos destaque-se os riscos para a saúde relacionados ao uso do tabaco e seus derivados.

É importante que se crie políticas eficazes na redução de seu consumo.


O uso do tabaco é responsável por quase 6 milhões de mortes todos os anos, dos quais mais de 600 mil são não fumadores (fumantes passivos).

A menos que façamos algo, em 2030 a epidemia irá matar mais de 8 milhões de pessoas por ano. 
Mais de 80% destas mortes evitáveis serão de pessoas vivendo em países de baixo e médio rendimento.

Para o Dia Mundial sem Tabaco 2014, OMS e os seus parceiros apelam aos países a aumentar o imposto do tabaco.

Reduza o consumo de tabaco
salve vidas

Na Convenção Quadro para Controle do Tabaco da OMS (WHO FCTC), países devem implementar imposto e política de preços em produtos de tabaco como forma de reduzir consumo de tabaco. Pesquisa mostra que impostos mais elevados são especialmente eficazes na redução do consumo de tabaco em grupo de rendimento mais baixo e ao prevenir os jovens de começar a fumar. Aumento de imposto que aumente o preço do tabaco por 10% diminui o consumo por 4% em países de rendimento elevado e até 8% em países de rendimento médio a baixo.

Para além disso, aumentar impostos especiais de consumo é considerado a medida mais eficaz de reduzir o consumo de tabaco. O Relatório Mundial da Saúde 2010 indica que um aumento de 50% no imposto especial de consumo pode gerar cerca de 1,4 bilhões de USD em fundos adicionais em 22 países de baixo rendimento. Se distribuídos para área da saúde, o fundo para a saúde nesses países pode aumentar até 50%.

Objetivos

O objetivo final do Dia Mundial sem Tabaco é a de contribuir para proteger as gerações presentes e futuras não só das consequências devastadoras para a saúde do tabaco, mas também do flagelo social, ambiental e económico do consumo do tabaco e exposição ao fumo do tabaco.


Bibliografia:

http://www.who.int/campaigns/no-tobacco-day/2014/event/en/


terça-feira, maio 27, 2014

28 de Maio - Dia Internacional da Luta pela Saúde da Mulher

O dia 28 de Maio marca o Dia Internacional de Luta pela Saúde da Mulher e o Dia Nacional de Redução da Mortalidade Materna.


Todos os anos, aproximadamente 10 milhões de mulheres sofrem de sequelas ou incapacidade severa devido a complicações resultantes da gravidez. Estas complicações severas que põe em risco a vida das mulheres se não forem devidamente tratadas e a tempo, são chamados de morbilidade materna severa.
Apesar de o número exato ser desconhecido, é estimado que por cada morte materna, 20 mulheres sofrem uma complicação severa, próxima de morte. O estudo global da OMS “Ir além das intervenções essenciais para reduzir a mortalidade materna” mostra que o número de mulheres com morbilidade severa nos diferentes hospitais na Américas varia de 3 casos por morte materna a 38 casos. Estes últimos quqase duplicam a proporção global esperada.

O estudo da morbilidade materna é possível porque apesar do número de casos ser pequeno, é mais frequente que as mortes maternas. Profissionais estão mais dispostos a analisar processos com final positivo, e as mulheres que sobrevivem são testemunhas qualificadas a contar os eventos e as experiências que podem ser aprendidas de modo a prevenir o mesmo tipo de situações no futuro.

No dia 28 de Maio de 1987, o Dia Internacional de Luta pela Saúde da Mulher foi estabelecido de modo a lembrar e a chamar a atenção para as várias causas de doença e morte que afetam as mulheres.
Em 2014, o motto deste dia “Nem doença nem morte: Reduzir morbilidade severa por gravidezes saudáveis” é desenhado para chamar a atenção dos governos na redução da mortalidade materna e intensificar as ações de modo a que nenhuma mulhere volte a sofrer complicações severas que resultam em problemas para toda a vida.

Bibliografia:
http://www.unfpa.org.br/novo/index.php/noticias/releases/100-dia-28-de-maio-tem-mobilizacao-nacional-pela-saude-da-mulher-e-reducao-da-morte-materna
http://www.paho.org/clap/index.php?option=com_content&view=article&id=214%3Adia-internacional-de-accion-para-la-salud-de-las-mujeres-2014&catid=797%3Acampanas&lang=en

domingo, maio 25, 2014

Rede ePORTUGUÊSe e reunião das delegações dos países de língua portuguesa durante a Assembleia Mundial da Saúde 2014

Como todos os anos, a rede ePORTUGUÊSe organizou uma sessão paralela com as delegações dos países de língua portuguesa para discutir a colaboração entre os 8 países.


A colaboração e cooperação Sul-Sul foram recentemente introduzidas no programa de trabalho da OMS, tendo sido incorporadas como parte do orçamento regular – passo considerado essencial para a sustentabilidade.





Paulo Macedo
Ministro da Saúde
 de Portugal

O Ministro da Saúde de Portugal disse considerar a rede útil e que deve continuar a apoiar objetivos mais específicos e consistentes. Sublinha a relevância que seu país atribui à CPLP. Expressou o desejo de Portugal participar no APPS.

O Ministro de Timor-Leste referiu-se à comemoração dos 12 anos da independência de seu país, processo que contou com apoio decisivo dos países da CPLP. A cooperação Sul-Sul é importante porque abre portas entre países em desenvolvimento e permite parcerias em áreas de interesse comum.

Dr. Shams Syed e Dr. Marco Vitória apresentaram o programa da Parceria Africana para a Segurança do Paciente e as Novas Diretrizes da OMS para o uso de Antiretrovirais, respetivamente, seguido de comentários sobre o lançamento de publicações sobre a história da tuberculose.

A Ministra de saúde de Cabo Verde reiterou a importância de concatenação entre a rede ePORTUGUÊSe e as prioridades identificadas pelos ministros da saúde da CPLP. Avaliou que, com isso, a iniciativa da OMS ganharia maior ancoragem. Sugeriu que, no quadro da renovação do Memorando, fique clara a relação entre as instituições.

quinta-feira, maio 22, 2014

Saúde dos Adolescentes

Depressão é a principal causa de doença e incapacidade para rapazes e raparigas entre 10 e 19 anos, Segundo relatório da OMS. As três causas mais comuns de mortes de adolescents no mundo são: ferimentos de acidentes de viação, HIV/SIDA e suicídio. Em 2012, uma estimativa de 1,3 milhões de adolescents

São precisas ações no sentido de reforçar a capacidade de resposta às necessidades de saúde mental e física dos adolescentes. Estes assuntos incluem tabaco, álcool, uso de drogas, HIV, ferimentos, saúde mental, nutrição, saúde sexual e reprodutiva e violência.

“O mundo não tem prestado atenção à saúde dos adolescentes,” diz Dra. Flavia Bustreo, Diretor-Geral Assistente para a Saúde da Família, Mulher e Criança, OMS.

Ferimentos de acidente de viação como maior causa de morte
Globalmente, ferimentos resultantes de acidentes de viação são a causa número um das mortes entre adolescentes, e a causa número dois de doença e incapacidade. Rapazes são afetados de forma desproporcional, apresentando 3 vezes mais em número de mortes. Aumentando o acesso a transporte público seguro pode reduzir, reenforçando regulamentos de segurança nas estradas, estabelecer uma escala de privilégios para os condutores ao longo do tempo, permitindo reduzir alguns riscos.


Problemas de saúde mental são um grande fardo.
Globalmente, depressão é a causa número um de doença e incapacidade nesta faixa etária, e suicídio é a 3ª causa mais frequente de morte. Alguns estudos mostram que metade das pessoas que desenvolvem distúrbios mentais tem os seus primeiros sintomas por volta dos 14 anos. Se adolescentes com problemas de saúde mental têm o tratamento necessário, isto pode prevenir mortes e evitar sofrimento ao longo da vida.


Decréscimo nas mortes relacionadas com gravidez e parto
Mortes devido a complicações durante a gravidez e o parto entre adolescentes desceram siginificativamente desde 2000, particularmente em locais onde a mortalidade materna é mais alta. Nas Regiões do Sudeste Asiático, do Mediterrâneo Oriental e da África a mortalidade materna diminui significativamente, no entanto, continua como a segunda causa mais frequente de morte para raparigas entre 15 e 19 anos, logo a seguir ao suicídio.

Mortes devido ao HIV
Estimativas sugerem que o número de casos de mortes relacionadas com HIV entre adolescentes está a aumentar. O aumento é predominante na Região Africana, numa altura em que estes casos estão a diminuir noutras populações.

Outras doenças infeciosas continuam a ser das maiores causas de morte
Graças a vacinação na infância, mortes e incapacidade em adolescentes devido a sarampo desceu acentuadamente – 90% na Região Africana entre 2000 e 2012. No entanto, doenças infeciosad comuns que incidem mais sobre crianças jovens continuam a matar adolescentes. Por exemplo, diarreia e infeções do trato respiratório inferior encontram-se entre segundo e quarto lugar nas causas de morte na faixa entre 10 e 14 anos. Em conjunto com meningite, estas condições somam 18% das mortes nesta faixa etária, o que pouco mudou desde 2000 em que correspondiam a 19%.

Novos dados no comportamentos sanitários dos adolescentes
Novos dados de país onde foram feitos inquéritos mostram que menos de um em cada quatro adolescentes faz exercício físico suficiente (A OMS recomenda pelo menos uma hora de exercício moderado a vigoroso por dia), e em alguns países, um em cada três são obesos.
Apesar disso, alguns comportamentos de risco tem vindo a diminuir, como a taxa de fumadores entre jovens adolescentes, que descresceu nos países de todos os níveis de rendimento.

Período crítico na prevenção de doenças crónicas
Adolescência é um período importante para erguer os pilares da saúde na vida adulta. Muitos comportamentos e condições relacionados com a saúde subjacentes às doenças não transmissíveis começam ou são reforçados durante este período de vida.
“Se não controlado, problemas de saúde e comportamentos que começam durante a adolescência – como o tabaco, a dieta e padrão de exercícios, excesso de peso e obesidade – têm um sério impacto na saúde e desenvolvimento de adolescentes hoje, e potencialmente efeitos devastadores na sua saúde como adultos amanhã,” diz Jane Ferguson, cientista do Departamento de Saúde Materna, Neonatal, da Criança e dos Adolescentes. “Ao mesmo tempo, não devemos desleixar nos esforços para promover e salvaguardar a saúde sexual e reprodutiva dos adolescentes, incluindo HIV.”


O relatório destaca a necessidade de melhorar os dados e informação sobre a saúde dos adolescente e os programas que a focalizam.

Bibliografia:
http://www.who.int/mediacentre/news/releases/2014/focus-adolescent-health/en/