domingo, fevereiro 08, 2015

Você sabia que Portugal já teve relações diplomáticas cortadas com o Japão?

 É verdade!


Tudo começou em 1543 quando os portugueses, em época de expansão marítima, chegaram à ilha japonesa de Tanegasghima. Pode dizer-se que este foi o primeiro contato dos japoneses com o mundo ocidental.
Os portugueses eram chamados de “nanban” ou bárbaros do sul. Nome adequado já que estes novos visitantes chegaram de navio, vinham do sul e seu comportamento rude era considerado inapropriado pelos japoneses.

Até aquele momento, os japoneses negociavam somente com a China, mas navios piratas circulavam em grande número por aquelas águas e apresentavam um grande problema para o Japão, pois atacavam e roubavam grãos, seda, pólvora e escravos. Dessa forma, quando os portugueses chegaram com espingardas, os japoneses os receberam de braços abertos, pois as armas de fogo eram importantes para combater a pirataria. Os portugueses levavam também missionários jesuítas que começaram a pregar, converter e batizar budistas e confusionistas e carregavam ouro, prata e catanas (sabres japoneses) de volta à Portugal.


Estima-se que em 1596 havia 300.000 pessoas balizadas e convertidas ao cristianismo. Porém em 1587, o imperador ordenou os jesuítas a deixarem o Japão acusados de forçarem o população a se converter ao cristianismo, a vender escravos para a China e Coréia, a matar animais para comer e de destruírem templos budistas e prédios sagrados. O imperador irritado começou a crucificar monges e cristãos japoneses e seus métodos foram tão cruéis que ele foi apelidado de "regente assassino".


Na seqüência, uma série de governantes foi aumentando as restrições aos estrangeiros, provocando seus vizinhos e declarando guerras à China e Coréia. No século XVII, o Japão vivia uma política de isolamento que culminou com a proibição total de relações comerciais com o exterior.


Em 1639, os barcos portugueses foram impedidos de entrar nos portos japoneses e durante quase 3 séculos, não se registraram relações diplomáticas ou comerciais entre Portugal e o Japão.

A influencia de Portugal no Japão durante os 96 anos de relações comerciais e diplomáticas foi bastante intensa e podem ser sentidas até hoje. Os japoneses passaram a usar novas palavras como: pan (pão), koppu (copo), botan (botão), tabako (tabaco), shabon (sabão), tempura (tempero) entre outras. E os portugueses assimilaram outros termos, entre os quais: biombo (byoobu), catana (katana).


Também na culinária, há quem diga que bolos japoneses são parecidos com o pão-de-ló português, ou ate com o confeito.

No campo das ciências, o mercador Luís de Almeida, licenciado em medicina fundou a primeira creche (1556) e recolheu grande número de crianças desamparadas.

Em Ooita, Luís de Almeida fundou o primeiro hospital ocidental (1557), onde fazia operações cirúrgicas simples. Ele também estabeleceu um centro de farmácia onde ensinava medicina ocidental aos japoneses.

Mas um dos momentos de maior relevância na relação entre Portugal e Japão foi a viagem de 13 anos da "Missão japonesa Tenshô" para a Europa, que levou quatro jovens missionários japoneses a visitar Portugal, Espanha e a visitar o Papa Gregório XIII em Roma.

Por outro lado, a cerâmica, o origami (arte em papel), as miniaturas de plantas (bonsai), a cerimônia do chá as artes marciais são alguns exemplos da influencia japonesa no ocidente.

O retorno das relações diplomáticas com Portugal

Por volta da primeira metade de 1800, vários países intensificavam suas rotas comerciais.

O Japão vivia debaixo de uma dinastia enfraquecida e os samurais guerreiros tinham perdido o seu estatuto social. Quem dominava era a burguesia.

Em 1853, o presidente norte-americano Millard Filmore, interessado nas trocas comerciais com o Japão, decide assinar um acordo com o país. Logo à seguir, o Japão estabeleceu o comercio com a Grã Bretanga, Rússia, França e Holanda.

A assinatura de um tratado, por estes cinco países ficou conhecido como tratado das "Cinco Nações" (1858) e que dava o direito ao Japão de estabelecer uma representação diplomática com países europeus, alem de permitir a abertura de vários portos japoneses ao comercio externo.

Nesta altura, o Japão propôs negociar um tratado com Portugal que foi assinado em 3 de Agosto de 1869. O "Tratado de Paz, Amizade e Comércio entre Portugal e o Japão".

Este ano, comemoram-se os 150 anos da assinatura deste Tratado com diversos acontecimentos nos dois paises.

Em Portugal, durante todo o ano de 2010 haverá eventos culturais, exposições, palestras, concertos, feiras e etc...



sexta-feira, fevereiro 06, 2015

6 de fevereiro: Dia Internacional de Tolerância Zero à Mutilação Genital Feminina - assista ao video

Nunca esqueça do dia 6 de fevereiro


A cada ano, o Dia Internacional de Tolerância Zero à Mutilação Genital Feminina, alerta e denuncia esta agressão à mulher e a menina que ocorre em todo o mundo mas sobretudo na África e no Médio Oriente.

Este flagelo afeta entre 100 a 140 milhões de mulheres e meninas, sobretudo entre os dois e 15 anos de idade, segundo dados da Organização Mundial da Saúde.

A mutilação genital feminina (MGF) consiste na remoção total ou parcial de parte dos órgãos sexuais femininos. 

Uma das práticas de maior gravidade chama-se infibulação, e consiste na costura dos lábios vaginais e do clitóris, deixando somente uma pequena abertura para a urina e a menstruação.

A mutilação genital feminina, que no séc. XIX chegou a ser praticada nos Estados Unidos e na Europa como forma de tratamento de problemas como a melancolia, a epilepsia, a masturbação ou a histeria, é hoje reconhecida internacionalmente como uma violação dos direitos humanos que não apresenta qualquer benefício de saúde.

A MGF acarreta conseqüências físicas e psicológicas graves a começar pelo sofrimento no momento do corte, no processo de cicatrização,  risco de infeções resultantes da utilização de instrumentos contaminados, tais como o HIV/SIDA, hepatite B e C e morte em muitos casos.

Há também o risco acrescido de incontinência urinária, infertilidade e dificuldade durante o parto. 

Certos tipos de mutilação necessitam ser abertos e novamente costurados de forma a permitir relações sexuais e no momento do parto.


Instrumentos utilizados para a práctica da
 mutilação  genital feminina no  Quénia:
facas, lâminas e um amuleto.
Assista a este vídeo contundente desta Guineense corajosa que resolveu falar abertamente sobre o que passou.




Para mais informação:


 

quarta-feira, fevereiro 04, 2015

O Vírus Ebola não é transmitido pelo ar




Leia mais em: http://www.who.int/csr/disease/ebola/en/ 

domingo, fevereiro 01, 2015

Como falar português - A versatilidade da Língua Portuguesa

O Português é só um, e fala-se em 8 países, mas cada país acrescentou um tempero especial atribuindo diferentes nomes e caracterisiticas a coisas iguais.

Frigorifico
Ficam aqui alguns exemplos de palavras diferentes no Brasil, em Moçambique em Angola e  em Portugal.

No Brasil, tiramos a cerveja da geladeira, em Portugal ela fica no frigorífico e em Moçambique fica na geleira.

Em Moçambique, vai-se para a praia com um coleman para as bebidas, em Portugal com a geleira e no Brasil com o isopor.

Portugal tem bué de coisas (uma palavra com origem em Angola).

No Brasil quando limpam a sua casa significa que os ladrões levaram tudo quanto tinha lá enquanto que, em Portugal, se você tem uma casa limpa significa que tem uma casa asseada e arrumada.

Vaidoso com seus músculos
Se um homem é musculado em Angola ele é kaenxe, em Moçambique será big e no Brasil será um homem sarado.

Em Angola, o novato é o candengue, mas se você for novato em Portugal será o caloiro e se atravessar o oceano Atlântico para o Brasil será calouro.

Em Moçambique há maningue animação (proveniente do inglês many) e, no Brasil, dependendo, pode ter um monte de gente como pode ser chato pra caramba.

De bicileta em terreno
Africano.

Em Angola, a bicicleta do Brasil é a ginga, em Portugal a bicla e em Moçambique a burra.

No Brasil, amarram-se os cadarços. Já em Portugal e em Moçambique ata-se o atacador.

Em Portugal, vai-se ficando na fila e perdendo a bicha. No Brasil, é melhor ficar na fila e em Moçambique é bicha e fila, com direito ao verbo bichar.

Machimbombo
Em Portugal, apanha-se o autocarro, em Moçambique o Machimbombo e, no Brasil, ônibus.

Em Moçambique, toma-se o mata-bicho, no Brasil se toma o café da manhã e em Portugal temos direito a um pequeno-almoço.

Em Portugal fala-se ao telemóvel, no Brasil e em Moçambique pede-se o número do celular.
Menina com tranças no cabelo

No Brasil e em Portugal as meninas usam tranças no cabelo já em Angola usam gingidu.

Brasil e Portugal sofrem de uma ressaca e em Moçambique é a babalaza que é chata.

Em Moçambique, tem xidzakuas, no Brasil uns cachaceiros e em Portugal uns simples bêbedos.

Dinheiro
Em Portugal o dinheiro pode ser chamado de pilim ou massa, em Moçambique de taco e em Angola de kumbu, mas se passarmos para o Brasil o dinheiro muda de gênero e passar a ser a grana.


No Brasil, se o chamarem para beber com alguns amigos em casa há uma reuniãozinha
Em Moçambique, há uma banga ou um social e em Portugal é apenas uma festa em casa.

Se está "aflito", utilize a privada, mas só no Brasil, porque se estiver aflito em Portugal ou em Moçambique é melhor utilizar a sanita.

Se não consegue algo diga "não consigo", mas só se for brasileiro e português, porque o moçambicano desconsegue.

No Brasil, encontra-se um banheiro à beira da estrada. Em Moçambique e em Portugal é mesmo necessário ir à casa de banho.

As cuecas femininas são atraentes, mas só em Portugal, porque no Brasil e em Moçambique mulher só usa calcinha. Cuecas são para os homens.

Preservativo

Atenção ao Durex: no Brasil é fita-cola, mas em Portugal é preservativo! Em Moçambique preservativo só com Jeito.


Em Portugal, põe-se o doce no pão, no Brasil a geléia na bolacha e em Moçambique nada melhor do que djam com pão de sura.

O português e o brasileiro ficam "sem nada para fazer", já o Moçambicano fica desprogramado.

No Brasil é chiclete, em Portugal é pastilha elástica e em Moçambique é chuinga.

Estes são mais alguns exemplos das diferenças, mas existem muito mais expressões caracteristicas de cada pais. Tente descobrir e conhecer o "toque de mágica" que cada país deu ao seu português...

Bibliografia:


http://macabi.no.comunidades.net/index.php?pagina=1630266250http://macabi.no.comunidades.net/index.php?pagina=1630266250


quarta-feira, janeiro 28, 2015

30 de janeiro - Dia da Saudade

Saudade é muito mais que uma palavra. 

Sentida no presente remete-nos para um passado que foi e para um futuro que nunca será. Podemos considerá-la como uma palavra abstrata carregada de uma complexidade de sentimentos como tristeza, melancolia, angústia, desespero, tédio, nostalgia, esperança. Pode evocar memórias de realidades e pessoas que perdemos e que se perderam em nós. "É a dor de quem encontrou e nunca mais encontrará, de quem sentiu e nunca mais voltará a sentir".

Fonte da imagem

De acordo com um artigo do The Times The special words that are somehow lost in translation"
Saudade é uma das dez palavras que não são de língua inglesa, de mais difícil tradução. Todas as tentativas de tradução da mesma para outras línguas não conseguem definir, nem mesmo atingir o verdadeiro sentimento/significado de Saudade.

A Saudade pode ser considerada uma marca cultural daqueles que falam a língua portuguesa. Tem estado presente desde a época dos Descobrimentos e do Brasil colonial como expressão de solidão, de esperança, da melancolia causada pela lembrança e por memórias passadas encontrando-se associada à imensidão do mar.

Na literatura e na música em língua portuguesa, a temática Saudade é frequente. Através da cultura é possível expressar a intensidade do sentir Saudade. Podemos sentir, ler e ouvir a Saudade e o que transparece dela em muitos poetas e músicos da língua portuguesa. Alguns poemas de Conceição Lima, Vasco Cabral, Alda Lara, Mia Couto, Fernando Pessoa, Padre Jorge de Barros Duarte, Teixeira de Pascoaes, entre outros, tem na sua essência a Saudade.

No campo musical podemos ver a influência da Saudade no Fado, na Bossa Nova e na Morna. As quatro músicas que se seguem conseguem expressar e captar a beleza da palavra Saudade:



Madredeus - Ao longe o Mar 


 João Gilberto e Tom Jobim - Chega de Saudade (Tom Jobim (Música) e Vinicius de Morais (Letra))


Cesária Évora – Sodade

«É a esta sensação-sentimento de ardermos no tempo sem nele
nos consumirmos que propriamente chamamos “Saudade”»
Eduardo Lourenço


Fontes:

domingo, janeiro 25, 2015

Guiné-Bissau: um país com memórias, história e belas paisagens

A Guiné-Bissau é um dos oito países de lingua portuguesa no mundo.
Situado na costa ocidental do continente africano é um país que tem ainda inumeras ilhas e ilheus a pouca distância de sua costa.
Extende-se por uma área de 36.125 km² e tem cerca de 1,646,000 habitantes (Estatística Global em Saúde 2008). O país está dividido em oito regiões e um sector autónomo, a sua capital é a cidade de Bissau.
Seu ponto mais alto está a apenas 300 metros acima do nível do mar, com magnificas savanas no interior e uma planície pantanosa no litoral.

Explorada pela primeira vez pelo português Álvaro Fernandes em 1446, foi colonizada por Portugal até o ano de sua independência em 1974.
Possui um clima quente e úmido com uma temperatura média anual de 27° C. O período chuvoso e o período de seca modifica-se conforme os ventos quentes vindos do deserto do Saara.

A Guiné Bissau pode ser considerado como um país bastante diversificado culturamente devido as suas mais de 20 etnias, estruturas sociais e costumes distintos.

Sua economia é baseada na agricultura e pesca. O país exporta peixe e mariscos, mas principalmente amendoim, castanha-de-caju e arroz. Há quem diga que não existem ostras maiores e mais saborosas do que as encontradas na costa da Guiné Bissau.

quarta-feira, janeiro 21, 2015

Mudanças Climáticas: uma oportundiade para Saúde Pública - Ações


Foto: Sharmila Sousa,
estagiária Rede ePORTUGUÊSe
OMS
Primeira: os líderes do setor saúde devem acompanhar de perto os negociadores da área do clima para confrontrar as mudanças climáticas. Durante muito tempo, as discussões políticas sobre clima e saúde têm sido muito dispersas. 

Devemos posicionar a saúde como um pilar central no debate sobre o clima, ao invés de deixá-la como uma agenda auxiliar.


Foto: arquivo Rede ePORTUGUÊSe/WHO
Segunda: os sistemas de saúde devem estar mais bem preparados às mudanças climáticas, particularmente nos países em desenvolvimento. 

Hospitais e centros de saúde devem ser reforçados para suportar fortes chuvas, ondas de carlos e outros eventos climáticos extremos. Além disso, devemos garantir que serviços de saneamento básico e oferta de água continuem a funcionar mesmo em condições de enchentes e secas.

Hospital inundado no Reino Unido
Terceira: sistemas de vigilância para doenças infecciosas críticas em situações climáticas específicas como malária, dengue e cólera devem ser fortalecidas. 

Os países devem fazer melhor uso das informações de aviso precoce para predizer o início, a intensidade e a duração de epidemias. Tais predições permitem que oficiais de saúde pré-posicionem medicamentos e vacinas, os quais podem reduzir o número de mortes.
Distribuição de medicamentos em Bombaim, Índia


Dia Mundial Sem Carro (22 de setembro)
Quarta: devemos maximizar os benefícios da atenuação dos efeitos nocivos à saúde das mudanças climáticas, além daqueles provenientes de uma vida saudável. 

A redução das emissões de poluentes climáticos de vida curta, como carbono negro e metano deve desacelerar a taxa de aquecimento globar, enquanto também auxiliará a salvar aproximadamente 2,5 milhões de vias por ano. Transporte urbano de baixa emissão de carbono - sustentável, tais como bicicleta ou caminhadas como alternativa ao uso dos carros - pode levar a reduções dramáticas em doenças cardíacas, AVC (acidente vascular cerebral), câncer de mama e outras doenças.


Créditos Climáticos
Quinta: o setor saúde deve diminuir seus próprios créditos climáticos (controlados segundo o Protocolo de Quioto). Os hospitais, da forma como eles funcionam hoje, são empresas com elevado uso de energia que contribuem susbtancialmente para as mudanças climáticas. Para reduzir o seu impacto ambiental, hospitais devem adotar medidas básicas tais como redução do lixo tóxico, uso de reagentes químicos seguros e aquisição de produtos ambientalmente corretos.







Fontes:
http://www.who.int/mediacentre/commentaries/climate-change/en/
http://www.who.int/globalchange/mediacentre/events/climate-health-conference/en/
http://www.iisd.ca/who/hcc/