No Dia Mundial de Luta contra a Malária 2015, a Organização
Mundial de Saúde está destacando a importância para o compromisso de um mundo
livre de Malária. O tema, definido pela parceria “Roll Back Malaria”, é “Investir
no futuro: Vamos derrotar a Malária”.
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| FOTO - OMS |
Isso reflete os ambiciosos objetivos e metas fixadas nas
estratégias pós-2015, apresentadas na Assembléia Mundial da Saúde, em maio. Quatro
países ficaram livres da malária na última década e o plano estabelece a meta
de eliminação da doença, a partir de mais de 35 países em 2030.
Enquanto enormes ganhos na luta contra a malária têm sido realizados
nos últimos anos, a doença ainda tem um impacto devastador sobre a saúde das
pessoas em todo o mundo, principalmente na África, onde mata quase meio milhão
de crianças menores de 5 anos todos os anos.
Ferramentas eficazes para prevenir e tratar a malária já
existem, mas é necessário maiores investimentos para torná-los disponíveis a pessoas
que necessitam e também, para combater a emergente resistência a inseticidas.
Mas, o que é a Malária?
Malária é uma
doença potencialmente fatal causada por parasitas transmitida a pessoas através
da picada de mosquitos infectados. No entanto, esta doença é curável e evitável!
Cerca de 3,4
bilhões de pessoas estão em risco de contrair malária, de entre os quais 1,2
bilhões apresentam risco elevado.
Em 2012,
estima-se que tenham ocorrido entre 473 000 a 789 000 mortes provocadas por malaria,
maioritariamente crianças africanas.
Em 2013, 97 países
continuam a ter transmissão de malária.
Viajantes
não-imunes de zonas sem malária são particularmente vulneráveis à doença quando
infectados.
A malária é
causada por parasitas Plasmodium sp. Os parasitas são transmitidos
através da picada do mosquito Anopheles, os vetores da malária, que atacam
principalmente na madrugada e no crepúsculo.
Existem quatro
espécies que podem causar malária em humanos:
- Plasmodium
falciparum
- Plasmodium
vivax
- Plasmodium
malariae
- Plasmodium
ovale
Plasmodium
falciparum and Plasmodium
vivax são so mais comuns. Plasmodium falciparum é o mais letal.
Mais
recentemente, têm havido alguns casos de malária em humanos com Plasmodium
knowlesi – uma espécie que causava malária em macacos e ocorrem em algumas
áreas florestais do Sudeste Asiático.
Transmissão
A malária é transmitida
exclusivamente através da picada dos mosquitos Anopheles. A intensidade da
transmissão depende de fatores relacionados com o parasita, o vetor, o
hospedeiro e o ambiente.
Existe cerca de 20
espécies diferentes de Anopheles que são importantes neste âmbito. Todos os vetores
mordem de noite. Os mosquitos Anopheles procriam na água e cada espécie tem as suas
condições preferenciais. Alguns preferem águas superficiais como poças e campos
de arroz. Maior intesidade é observada em locais onde a longevidade do mosquito
é maior (o parasita tem tempo para completar o desenvolvimento no interior do
mosquiro). A grande longevidade e o forte hábito para picar humanos dos vetores
africanos é uma das razões pelas quais cerca de 90% das mortes provocadas por
malária ocorrem na África.

A transmissão também
depende das condições climáticas como padrão de precipitação, temperatura e
humidade, que podem afetar a sobrevivência e o número de mosquitos.
Em muitos
lugares, a transmissão é sazonal, ocorrendo um pico durante a época das chuvas.
Epidemias de malária podem ocorrer quando o clima e outras condições favorecem
a transmissão numa região onde as pessoas têm imunidade baixa ou nula contra a
malária.
Sintomas
A malária é uma
doença febril aguda. Num indivíduo não-imune, os sintomas aparecem sete dias ou
mais (geralmente 10-15 dias) após a picada do mosquito infectante.
Os primeiros
sintomas são:
- Febre
- Dor de cabeça
- Calafrios e vômitos
As crianças com
malária grave desenvolvem frequentemente um ou mais dos seguintes sintomas:
anemia grave, dificuldade respiratória devido a acidose metabólica, ou malária
cerebral. Em adultos, o envolvimento de múltiplos órgãos também é frequente. Em
áreas endêmicas da malária, as pessoas podem desenvolver imunidade parcial,
permitindo que as infecções assintomáticas ocorram.
Grupos de risco
- Crianças de tenra
idade em áreas de transmissão sustentada que ainda não desenvolveram imunidade
a formas severas da doença;
- Mulheres grávidas
não-imunes ou semi-imunes. A Malária causa uma taxa elevada de aborto e pode
levar a morte materna, e pode causar perda de peso ao nascimento, principalmente na
primeira ou segunda gravidez;
- Mulheres grávidas
semi-imunes infetadas com HIV em áreas de transmissão sustentada. Durante a
gravidez, mulheres infectadas com malária têm maior probabilidade de passar a
infecção por HIV para os fetos;
- Indivíduos com
SIDA ou HIV positivo;
- Viajantes de
áreas não endémicas, por ausência de imunidade;
Família e amigos que
visitem indivíduos que residem em áreas endémicas, por ausência de imunidade.
Diagnóstico e
tratamento
O diagnóstico
precoce e tratamento da malária reduz a severidade da doença e previne mortes. Contribui
também para reduzir a transmissão.
A melhor terapia
disponível para malária por P. falciparum é a terapia combinada com
artemisinina (ACT).
A OMS recomenda
que todos os casos suspeitos sejam confirmados usando um teste de diagnóstico
rápido ou ao microscópio antes da administração do tratamento. Os resultados da
confirmação podem estar disponível em menos de 15 minutos. Tratamento baseado
somente em sintomas deve ser realizado apenas quando não existem meios de
diagnóstico.
Para recomendações mais detalhadas por favor consulte as
Diretrizes da OMS.
Para ver formas parasitárias, consulte a página do CDC:
http://www.cdc.gov/dpdx/malaria/gallery.html
Prevenção
O controle de
vetores é a principal forma de reduzir a transmissão da malária a nível
comunitário.
Para indivíduos,
proteção pessoal contra picadas de mosquitos é a primeira linha de defesa na
prevenção da malária.
Podem ser usadas
redes mosquiteiras tratadas com inseticidas (ITNs). A forma preferencial são as
redes com inseticidas duradouros. Outra forma de reduzir a transmissão é usar spray residual de inseticidas. Spray no interior pode ser eficaz entre 3 a
6 meses dependendo do inseticida e do tipo de superfície. DDT pode ser eficaz
até 12 meses em alguns casos. Novos inseticidas estão também a ser
desenvolvidos.
Para viajantes, a
malária pode ser também prevenida através de quimioprofilaxia, que suprime as
fases hematológicas da malária. Para além disso, a OMS recomenda tratamento
preventivo intermitente com SP para mulheres grávidas e crianças de tenra idade
em áreas de elevada transmissão.
Resistência a
inseticidas
Grande parte do
sucesso no controle da malária deve-se ao controle de vetores. No entanto, este
é muito dependente do uso de piretróides, que é a única classe atualmente
recomendada para uso em redes mosquiteiras. Recentemente, resistência a
piretróides começaram a surgir em vários países. Em algumas regiões,
resistência às 4 classes de inseticidas usados para a saúde pública foram
detetadas. Felizmente, a resistência está apenas associada a redução da
eficácia, e a maioria continua a ser uma ferramenta altamente eficaz para quase
todos os quadros.
Em países da África subsaariana e na Índia, caracterizados por elevados níveis de
transmissão da malária e com relatos difundidos de casos de resistência a
inseticidas, a preocupação foca-se no desenvolvimento de inseticidas
alternativos.
A detecção de
resistências deve ser a parte essencial dos esforços nacionais para o controle da
malária. A escolha do inseticida deve ser sempre baseada em dados
locais mais recentes sobre a suscetibilidade dos vetores.
Vigilância
Os sistemas de
vigilância da malária detectam apenas cerca de 14% do estimado número de casos
globais. Melhores sistemas de vigilância são necessários para uma resposta
atempada e efetiva à malária em regiões endêmicas para prevenir surtos, seguir
o progresso e responsabilizar os governos e a comunidade.
Eliminação
Com base nos
casos reportados em 2012, 52 países estão num bom caminho para reduzir a
incidência por 75%, dentro do objetivo para 2015. O uso em grande escala das
estratégias recomendadas pela OMS, das ferramentas atualmente disponíveis, o
compromisso nacional e esforços conjuntos com parceiros permitirá a mais países
reduzir a carga da doença e progredir para a eliminação.
Nos últimos anos,
4 países foram certificados como tendo eliminado a malária: Emirados Árabes
Unidos (2007), Marrocos (2010), Turquemenistão (2010), Armênia (2011).
Vacinas
Atualmente não
existem vacinas licenciadas contra a malária ou qualquer outro parasita humano.
Uma vacina experimental contra P. Falciparum, conhecida como RTS, S/AS01,
está em desenvolvimento. Está neste momento a ser avaliado em grande escala em
7 países da África. Os resultados finais são esperados no final de 2014, e
recomendações sobre o uso ou não desta vacina no controlo da malária está
prevista para o final de 2015.
Fundos
Uma estimativa de
5,1 bilhões de dólares são necessários por ano para atingir cobertura universal das
intervenções contra malária. No entanto, os fundos continuam a ser escassos,
comparado com a necessidade. Em 2012, o total dos fundos internacionais e
domésticos usados para malária foi de 2,5 bilhões, menos de metade do
necessário.
Bibliografia:
http://www.who.int/campaigns/malaria-day/2014/en/
http://www.rollbackmalaria.org/news-events/events/world-malaria-day