terça-feira, janeiro 27, 2009

6 de fevereiro - Dia Internacional de Tolerância Zero à Mutilação Genital Feminina


No âmbito das iniciativas associadas ao Dia Internacional de Tolerância Zero à Mutilação Genital Feminina, no contexto do Programa Daphne e da parceria APF - Euronet FGM, esta-se promovendo a palestra com Comfort Momoh.

Comfort Momoh é enfermeira parteira especialista, fundadora da African Well Women's Clinic (Clínica do Bem-Estar da Mulher Africana) do hospital Guy & St Thomas em Londres, que fornece cuidados médicos, apoio psicológico, informação e aconselhamento às mulheres vítimas de MGF e suas famílias; e também a reversão de infibulações em mulheres grávidas ou não, assim como formação para profissionais saúde.

Mais informações: www.apf.pt


Dia 25 de janeiro - Dia Mundial de controle da Lepra

segunda-feira, janeiro 19, 2009

COMO NOS TORNÁMOS HUMANOS

por EUGÉNIA CUNHA
Esta pergunta recorrente que se coloca desde sempre vai buscar respostas a várias ciências e permanece um dos maiores desafios da antropologia e da biologia.

Leva-nos a uma inevitável e fascinante viagem ao nosso interior e no tempo porque o entendimento de onde viemos elucida também sobre para onde vamos. E no exercício de mergulhar no passado, há que recuar até há cerca de 7 milhões de anos para encontrar os mais prováveis candidatos a primeiros hominídeos.

Desde eles até ao presente, passamos por uma cadeia impressionante de antepassados, directos e indirectos, que vamos colocando na nossa árvore evolutiva, densamente ramificada mas da qual só conhecemos uma parte dos inquilinos.

As peças deste quebra-cabeças vão surgindo com as novas descobertas e com a reavaliação de outras. Cada uma dessas peças conta-nos uma história. Mas cada vez mais, não são só os fósseis que permitem reconstruir a nossa história natural.

O acesso ao nosso genoma e ao de alguns dos outros primatas levou-nos para uma nova era em que se procura identificar os genes e as alterações genéticas que nos tornaram únicos. A nossa singularidade remete-nos inevitavelmente para o órgão mais complexo do universo, o nosso cérebro.

Recentemente, foi sugerido que um determinado gene, o HAR1F, possa vir a ajudar a perceber porque somos os mais encefalizados de todos os primatas. Mas temos que reconhecer que somos muito mais do que genes. A velha máxima “somos aquilo que comemos” continua válida e o segredo do aumento do nosso cérebro, um autêntico devorador energético, parece ter sido contrabalançado por uma concomitante redução do aparelho gastrointestinal viabilizada por uma mudança na dieta.

A incorporação de mais carne na dieta terá facilitado o crescimento cerebral? A hipótese ETH- Expensive- tissue hypothesis é aqui cruzada com o aumento do período de gestação, com a prematuridade do recém-nascido humano e com o crescente investimento parental por parte dos humanos como uma explicação possível para o facto de o nosso cérebro ser três vezes maior do que aquilo que seria de esperar.

Mas este não é o nosso único traço distintivo. O bipedismo e a nossa linguagem têm sido cruciais para termos chegado onde hoje estamos. A chave está no cruzamento de todos estes traços distintivos, dos genes a eles subjacentes e na sua correcta contextualização ecológica. Sabendo que a evolução não é gratuita e que só quando os benefícios de uma dada mudança evolutiva superam os custos é que o processo avança, é um desafio destrinçar as cada vez mais peças chave deste intrincado ser que somos com a certeza de que muitas das questões só serão respondidas ao longo do próximo século, quiçá, no próximo grande aniversário de Darwin que, acredito, continuaria a dizer "Light will be thrown on the origin of man and history”.


Eugénia Cunha é Bióloga, doutorada em Ciências (especialidade Antropologia, 1994); é professora catedrática de Antropologia, do Departamento de Antropologia, da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra desde 2003.

O Serviço de Ciência da Fundação Calouste Gulbenkian, realizará no Auditório 2 da Fundação Calouste Gulbenkian (Av. de Berna, 45 A, Lisboa, Portugal) a conferência – COMO NOS TORNÁMOS HUMANOS – que terá lugar no dia 21 de Janeiro, às 18h00, e será proferida pela Profª. EUGÉNIA CUNHA da Universidade de Coimbra.

Materia enviada por Rita Rebelo de Andrade
Serviço de Ciência da Fundação Calouste Gulbenkian
randrade@gulbenkian.pt









Semana Mundial do Aleitamento Materno

O Aleitamento materno é uma das formas mais eficazes de garantir a sobrevivência dos recém nascidos. A amamentação exclusiva durante os seis primeiros meses de vida contribui para salvar a vida de mais de um milhão de bebês a cada ano.
Recomenda-se o aleitamento materno exclusivo durante os seis primeiros meses de vida.
É importante:
• Começar o aleitamento na primeira hora de vida.
• Amamentar o recém nascido durante o dia e a noite.
• Evitar mamadeiras e chupetas



Benefícios para a saúde do recém nascido
O leite materno é ideal para o recém-nascido, porque aporta todos os nutrientes necessários para um desenvolvimento sadio.
O leite materno possui anticorpos que ajudam a proteger a criança de enfermidades freqüentes como diarréia e pneumonia, as principais causas de mortalidade infantil no mundo.



Benefícios paras as mães
O aleitamento materno reduz o risco de câncer de mama e ovário, ajuda a mãe a recuperar mais rapidamente seu peso anterior a gravidez e reduz a taxa de obesidade, além de ajudar como método natural de contracepção.

Benefícios a longo prazo para as crianças
Além dos benefícios imediatos para o recém nascido, o aleitamento materno ajuda a manter a saúde durante toda a vida. Os adultos que foram amamentados quando pequenos tem pressão arterial mais baixa, taxas de colesterol menos elevadas e são menos propensos a obesidade e diabetes do tipo 2. Estudos que também sugerem que pessoas que foram amamentadas tem QI mais elevado.

Por que não ao leite artificial?
O leite artificial não contém os anticorpos presentes no leite materno e pode ser um veículo de enfermidades transmitidas pela água, especialmente se a água utilizada não for potável. Ao mesmo tempo, se o leite for demasiadamente diluído pode contribuir para a desnutrição do bebê.



O aleitamento materno e o vírus do SIDA
Nas mulheres infectadas pelo vírus HIV, a OMS recomenda o aleitamento exclusivo durante os seis primeiros meses de vida a não ser que o substituto do leite materno seja:


• Socialmente aceito pela mulher.
• Viável - local adequado e ajuda para preparar as mamadeiras.
• Disponível e sustentável por seis meses consecutivos (financeiramente falando).
• Seguro, ou seja, o leite artificial possa ser preparado com água potável e condições básicas de higiene.

Apoio é essencial
O aleitamento materno requer força de vontade e persistência. Algumas mães podem ter um pouco de dificuldade no inicio e às vezes dor nos mamilos. Há também o temor de que o leite não será suficiente para alimentar o recém nascido.
Por isso o apoio de outras mães e amigas que estejam amamentando ou que amamentaram seus bebês, é importante para a mulher.





terça-feira, janeiro 13, 2009

A transmissão intencional do HIV deve ser considerada crime?

A criminalização da transmissão intencional do HIV é hoje um dos assuntos mais controversos no contexto da epidemia.

O problema é que a transmissão intencional nem sempre pode ser provada. Como provar que houve intenção de contaminar o outro?

E como provar quem infectou quem?

Será que quem foi diagnosticado antes é necessariamente quem infectou o parceiro?

Já especialistas dizem que a criminalização pode trazer um tremendo retrocesso às campanhas de testagem voluntária.

Para eles, criminalizar a transmissão sem métodos seguros para se provar intenção vai fazer com que as pessoas deixem de se testar – afinal, se ela não souber que está infectada, não poderá ser acusada de infectar intencionalmente.

Enquanto isso, países no mundo todo trabalham para elaborar legislações apropriadas, que levem em conta variáveis como direitos humanos, direitos das mulheres e testagem voluntária.

Por isso, fez-se uma pesquisa informal com a seguinte pergunta "A transmissão intencional do HIV deve ser considerada crime?"

O resultado desta pesquisa conduzida no site do PlusNews Português (http://www.plusnews.org/pt/Report.aspx?ReportId=81572) mostrou que 84 por cento dos respondentes defendem a criminalização da transmissão dolosa do HIV.

A própria questão apresenta suas nuances: há os que defendem que a mera exposição do parceiro ao vírus deve ser passível de processo legal. Outros acreditam que apenas a transmissão, intencional ou não, deve ser punida.

Dos 61 participantes, apenas 10 discordaram da criminalização da infecção dolosa.

Mais informações no site do PlusNews Português. http://www.plusnews.org/pt/
Notícia veiculada no IRIN PlusNews: http://www.plusnews.org/pt/Report.aspx?ReportId=80904

segunda-feira, janeiro 05, 2009

Brasil adota reforma ortográfica

No dia 1º de janeiro de 2009, o Brasil se tornou o primeiro país de língua portuguesa a adotar as novas regras ortográficas, enquanto no resto do mundo lusófono o acordo ainda está cercado de polêmica e incerteza.

Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e Portugal também já ratificaram o acordo, mas nenhum deles tem data marcada para implementar a nova ortografia.

Os governos dos demais países - Timor Leste, Guiné-Bissau, Moçambique e Angola - se dizem interessados em aprovar o acordo, mas ainda não o fizeram.

Segundo Godofredo de Oliveira Neto, presidente da Comissão de Língua Portuguesa, órgão ligado ao Ministério da Educação brasileiro, os outros países de língua portuguesa acompanham com atenção o início da adoção do acordo no Brasil, assim como a situação em Portugal, e devem definir nos próximos meses como será feita a implementação das novas regras internamente.

"A expectativa é que todos os oito países tenham ratificado (o acordo) até a metade de 2009", diz ele.

A iniciativa do Brasil de ser o primeiro país a colocar em vigor as novas regras ortográficas foi vista como "um impulso" aos demais países pelo ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Luís Amado.

Mas a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa deixa claro que o objetivo da reforma é a unificação e que "o ideal seria que todos os países avançassem em uníssono".




Mais informações: http://g1.globo.com/Noticias/Vestibular/0,,MUL940591-5604,00.html









sábado, janeiro 03, 2009

RELATÓRIO MUNDIAL DA SAÚDE 2008 LANÇADO EM LUANDA

"Os sistemas de saúde devem contribuir para a equidade e justiça social" disse o Representante da OMS em Angola, Dr. Diosdado Nsue-Milang no dia 23 de Dezembro durante o lançamento do Relatório Mundial da Saúde 2008.

Ao apresentar o documento, o Dr.Nsue-Milang explicou como as reformas da atenção primária de saúde podem constituir uma resposta essencial aos desafios da saúde num mundo em rápida transformação e às crescentes expectativas dos indivíduos, famílias e comunidades relativamente à saúde e aos cuidados de saúde nos diferentes países.

Fazendo uma descrição exaustiva dos novos conceitos sobre a Atenção primária de saúde, o representante da OMS em Angola destacou como aspectos principais deste modelo a prevenção de doenças e a promoção da saúde, a detecção precoce das enfermidades, melhores relações entre médicos e pacientes incluindo a participação destes últimos na tomada de decisões, a existência de equipas de profissionais com aptidões sociais e conhecimentos biomédicos e especializados, assim como investimentos e recursos apropriados.

Sublinhando que o relatório propõe quatro grandes reformas para o sector da saúde - designadamente a reforma a favor da cobertura universal; reforma na prestação de serviços; reforma das políticas públicas e reforma na liderança - o Representante da OMS disse que tais acções têm como base um conjunto de valores e de princípios, como a equidade, solidariedade e justiça social que guiam o movimento a favor da Atenção Primária de Saúde e as crescentes expectativas das populações.

"A natureza dos problemas de saúde está a mudar de forma dramática," prosseguiu o Dr. Nsue- Milang ao demonstrar como "a urbanização, globalização e outros factores aceleram a propagação mundial de doenças transmissíveis e aumentam o peso das doenças crónicas". Nos próximos anos – acrescentou ainda - as alterações climáticas e a insegurança alimentar terão maior impacto sobre a saúde e colocarão enormes desafios para uma resposta eficaz e equitativa.

O Representante da OMS apelou à responsabilidade dos estados membros ao comentar que "30 anos depois da Declaração de Alma Ata sobre a atenção primária de saúde, os seus princípios continuam válidos enquanto que as populações estão cada vez mais insatisfeitas com a incapacidade dos serviços de saúde em proporcionar um nível de cobertura que satisfaça as novas necessidades".

O ministro da Saúde, Dr. José Vieira Dias Van-Dúnem, considerou que o lançamento do relatório mundial da saúde constitui um passo importante, por coincidir com o compromisso assumido pelos governos dos países membros da OMS na 61ª Assembleia Geral da Saúde, realizada em maio de 2008, e também porque permite partilhar os avanços e os consensos na luta por uma melhor saúde.


O Dr. José Van-Dúnem referiu ainda que Angola vive actualmente um processo de revitalização dos serviços municipais de saúde que têm como base a atenção primária de saúde.

Por fim, o ministro angolano da saúde destacou o facto de o lançamento deste relatório coincidir com os 30 anos da Conferência Internacional de Alma-Ata, sobre a atenção primária de saúde, realizada na ex-república soviética do Cazaquistão, em 1978, altura em que a equidade no acesso à saúde foi inscrita pela primeira vez na agenda politica internacional.

Materia enviada por José Soares Caetano
OMS - Angola
caetanoj@ao.afro.who.int