sexta-feira, setembro 02, 2011

Conto dos Sete Pares de Sapatos - 2 versões


Conto dos sete pares de sapatos
1ª versão


Conta-se que num reino distante havia um rei que tinha uma filha que estragava sete pares de sapatos todas as noites.

Para desvendar o mistério, o rei prometeu que quem descobrisse o motivo deste fato, teria permissão para casar com a princesa e receberia metade de seu reino.
Mas quem se aventurasse e falhasse em sua missão, seria condenado à morte.

Muitos tentaram sem sucesso…

Um dia, um rapazinho pobre da cidade resolveu tentar a sua sorte e pediu à mãe que lhe fizesse três pães para a viagem. A mãe, muito preocupada, envenenou os pães, pensando: "Prefiro que ele morra no caminho do que seja cruelmente morto pelo rei".\
No caminho, o rapaz encontrou um homem que, faminto, lhe pediu um pão e, em agradecimento, abençoou a sua generosidade. Era Santo António!
Continuando o seu caminho, encontrou mais à frente uma mulher que também lhe pediu um dos seus pães e, em troca, lhe deu uma capa que o tornava invisível. Era a Virgem Maria!
Por fim, quase a chegar ao castelo, encontrou um velho que lhe pediu o último pão e, em retorno, deu-lhe um chicoteEra Deus! 

Chegado ao seu destino, o rei pediu-lhe que dormisse aquela noite no quarto ao lado do da princesa. No entanto, em vez de dormir, o rapaz colocou a capa que o tornava invisível e pé ante pé, entrou no quarto da princesa.

Sem ser visto, viu a princesa tirar seis pares de sapatos do armário e sair, sorrateiramente, do quarto. O rapaz a seguiu pela escadaria abaixo até deixarem o castelo de encontro a um arbusto de ouro.

- Boa noite, arbusto de ouro!! - disse a princesa.
- Boa noite, princesa, e boa noite para o teu amigo! - respondeu o arbusto.
- Eu estou sozinha - disse a princesa e, baixando-se, apanhou uma flor. O rapaz, escondido atrás da capa, fez o mesmo.
A seguir chegou a um arbusto de prata, depois a um de cobre e todas as vezes repetia que estava sozinha. Em cada arbusto, primeiro ela e depois o companheiro invisível apanhavam uma flor.

A princesa saltou então para um cavalo branco e atravessou um rio. O rapaz utilizou seu chicote e chegou à outra margem do rio antes dela. Andaram e chegaram a um palácio cheio de monstros que dançavam pela noite fora!

A princesa dançou uma valsa e gastou o primeiro par de sapatos; depois dançou uma mazurca, uma música escocesa, uma morna, uma contradança, um tango e uma sarabanda até gastar os sete pares de sapatos.

No fim da noite, montou em seu cavalo e retornou ao castelo.

O rapaz utilizou seu chicote uma vez mais e chegou ao castelo antes da princesa. Correu para seu quarto e deitou-se. A princesa espreitou para dentro do quarto, viu o rapaz a dormir e pensou que o seu segredo estava bem guardado.

De manhã, o rei perguntou ao seu hóspede. - "Rapaz, sabes porque minha filha utiliza 7 pares de sapato a cada noite"?

E o rapaz respondeu: - Sim majestade! - E para provar o que dizia mostrou-lhe as flores dos arbustos de ouro, de prata e de cobre.

O rei, atónito, deu-lhe a mão da princesa em casamento. O rapaz, contudo, recusou dizendo que não se casaria com alguém que dança com monstros. No entanto, pediu ao rei metade do seu reino para ele e a mãe pudessem viver com tranquilidade, felizes e sem pobreza para o resto dos seus dias!
 

(Uma história clássica de Cabo Verde, publicada no "Terra do Nunca", ano IV, nº 296)


Conto dos sete pares de sapatos

2ª versão

Num reino de certo país distante, havia uma princesa que gastava sete pares de sapato por noite.
Seu pai, o rei, considerava um absurdo tal gasto. Principalmente pelo fato de que, à noite, a princesa deveria estar dormindo em seu quarto.

Resolvido a esclarecer o mistério, prometeu a mão de sua filha ao homem que descobrisse o que estava ocorrendo. E àqueles que tentassem, mas não tivessem sucesso, a esses o rei prometeu que os mataria.
Joãozinho, um rapaz que vivia correndo o mundo em busca de aventuras, soube do mistério e se propôs a solucioná-lo. Apresentou-se ao rei e pediu para dormir em um quarto próximo ao da princesa.

Quando anoiteceu e todo o castelo parecia dormir, Joãozinho foi olhar pela
fechadura do quarto da princesa. Assim que bateu meia-noite, a princesa
chamou: “Calicote! Calicote!”.

E de dentro do baú guardado sob a cama, Joãozinho viu sair um diabinho que gritava: “É a hora! É a hora, princesa!”.

A princesa pegou seis pares de sapato, colocou-os no baú, vestiu-se e, acompanhada do diabo, subiram a uma carruagem. E antes que partissem, Joãozinho instalou-se na traseira do veículo.

Passaram por terras estranhas, campos de flores de bronze, de prata, de ouro, de diamante. Joãozinho ia apanhando uma flor de cada tipo, como prova da viagem, e guardando-as no bornal. 

Finalmente, chegaram a um palácio iluminado, cheio de criados, músicos e convivas. Primeiro, todos se sentaram à mesa do banquete – e Joãozinho, escondendo-se sob a mesa, pegou alguns ossos de peru que caíam dos pratos.

Quando a música começou a tocar, teve início o baile. A princesa dançava freneticamente. E, a cada dança, estragava um par de sapatos.

Calicote, divertindo-se com tudo, pegava os pares estragados e jogava-os a um canto. Enquanto isso, sem que percebessem, Joãozinho escondia no bornal um pé de cada par destruído.

Quando iam bater duas horas, a princesa disse: “Calicote! É a hora!”. “Sim, princesa! Partamos!”, respondeu o demônio.
E voltaram pelo mesmo caminho. Chegando ao palácio, o diabinho retornou ao baú, que foi escondido sob a cama, e a princesa dormiu.

Assim que amanheceu, Joãozinho apresentou-se diante do rei e disse ter a solução do mistério.
Pediu ao soberano que providenciasse um banquete com a presença do bispo e da princesa. Iniciado o banquete, Joãozinho aguardou a hora da sobremesa.

Nesse momento, levantou-se e disse: “Há nos jardins deste castelo flores de bronze, de prata, de ouro e de diamante?” – e ia retirando do bornal cada exemplar colhido durante a viagem. “Alguém comeu peru no jantar de ontem neste castelo?” – e mostrou os ossos que catara sob a mesa.

A princesa ia ficando cada vez mais pálida, até que Joãozinho mostrou os sapatos que trouxera, fazendo-a desmaiar. Então, correu até o quarto e voltou de lá com o baú. “Senhor bispo, por favor, benza este baú”, disse o herói. Assim que o bispo fez o que Joãozinho pedira, o baú deu um estouro, espalhando pelo ar um insuportável cheiro de enxofre.

Nisso, a princesa voltou a si e exclamou, cheia de alegria: “Graças a Deus estou livre!”. Joãozinho acabara de libertar a princesa do feitiço que certa bruxa, invejosa de sua beleza, lhe colocara quando ainda era menina.

O rei, cumprindo a promessa, casou a princesa com Joãozinho – e eles foram felizes para sempre.



 Quais das versões você prefere????


3 comentários:

Anônimo disse...

A segunda versão

Agá disse...

Gostei mais da segunda. Prefiro finais romanticos felizes .

Anônimo disse...

Na primeira versão podemos trabalhar valores humanos. Exemplo quando Joaozinho pensa em oferecer uma vida melhor a mãe dele e quando desaprova a atitude da princesa e não aceita casar-se com ela.