quinta-feira, outubro 30, 2008

Tete em Moçambique aposta no parto humanizado

Com o objectivo de reduzir os índices de mortalidade materna, as autoridades da Saúde da província de Tete em Moçambique estão disseminando para outras provincias, o conceito do humanização do parto, onde a mulher vai à maternidade acompanhada pela mãe, sogra ou parteira tradicional.

Segundo a directora provincial da Saúde de Tete, Luísa Cumba, esta medida ajuda para que a comunidade tenha mais segurança e mais confiança na parteira.

Esta estratégia tem também o objectivo de aumentar o número de partos institucionais. "Estamos a dizer que o marido pode assistir o parto e em algumas unidades sanitárias de Tete já começamos a fazer isso", disse, garantido que esta medida está a levar mulheres às maternidades.

Sobre a relação saúde e parteiras tradicionais, Luisa Cumba explicou que esta é uma convivência obrigatória, pois as parteiras fazem parte da comunidade e estão mais perto das parturientes do que os hospitais que algumas vezes estão a mais de 10 quilómetros de distância.

"É nossa responsabilidade treiná-las sobre o uso de instrumentos, sobretudo cortantes, por forma a evitar contaminações pelo HIV/SIDA", salientando que graças a este treinamento estão a reduzir-se mortes de parturientes e recém-nascidos como consequência da chegada tardia às maternidades.

Luisa Cumba ressaltou que o alto indice de mortalidade materna e neontal é exactamente a chegada tardia à maternidade, as vezes dois ou mesmo três dias depois de iniciao o trabalho de parto. Há mulheres que chegam com hemorragia ou mesmo com rotura uterina.

Há também muitas mulheres que continuam a realizar seus partos em casa, devido às longas distâncias que as separam das maternidades. Esta é uma das razões que estão por detrás dos elevados índices de mortalidade materna em Moçambique.

Dados estatísticos mostram que morrem por ano no país 3800/100.000 mulheres por complicações relacionadas com o parto.

A directora provincial explicou que a falta do poder de decisão sobre a sua própria vida está na origem destas mortes, uma vez que mesmo sentindo que está a iniciar o trabalho do parto, ela (a parturiente) não pode tomar a iniciativa de ir ao hospital sem a autorização da sogra ou do marido.

Hábitos culturais e tradicionais, ou simplesmente tabus estão fortemente presentes na vida das comunidades de Tete. Estas tradições fazem com que as parturientes se recusem a dar à luz nas maternidades, sobretudo quando sabem que serão assistidas por homens ou parteiras jovens que ainda não têm filhos.

O maior desafio consiste na colocação de parteiras, sobretudo nas zonas rurais e reforçar o movimento comunitário para sensibilizar a todos que estas práticas são prejudiciais à saúde tanto da criança como da própria mãe.

As casas de espera, são uma alternativa mas cobrem apenas 64 por cento da rede nacional da Saúde, a sua utilização pelas parturientes ainda é bastante fraca.


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